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Estreia: Peça Filme "Ciclos" discute maternidade após os 40
Agora em versão audiovisual, o solo da atriz Rita Maia (ex-Teatro invertido) reflete sobre a liberdade de escolha da mulher contemporânea e a maternidade.
No dia 28 de outubro, quinta-feira, às 20h, estreia a peça filme “Ciclos” com a atriz e pesquisadora mineira Rita Maia, que atuou por mais de 10 anos à frente do Grupo Teatro Invertido (Belo Horizonte). Com trajetória consistente nas artes cênicas, a artista se envereda agora pelo audiovisual com adaptação de seu solo teatral Ciclos. A obra traz uma mulher às voltas com sua emancipação, liberdade de escolhas (ou falta delas) em relação à maternidade, após os 40 anos. O trabalho tem direção de Juliana Pautilla (SP). Duração: 38 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Gênero: peça filme. A peça filme integra o projeto Circula Ciclos que reúne ainda, webdebate “Vamos falar de aborto?” e duas oficinas de teatro autobiográfico, com inscrições abertas. Toda programação é gratuita e está disponível no Youtube da artista Rita Maia. Este projeto (Nº 1785-2018) é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.
Após sofrer algumas perdas gestacionais, foi da dor que Rita Maia decidiu criar o espetáculo “Ciclos”, em 2018. Assinando a concepção, atuação e dramaturgia, a artista se aventura em um intenso trabalho corporal passeando pelo teatro autobiográfico e pela performance, aliados à dança, que amplia os significados do corpo feminino na cena. A direção e também dramaturgia são de Juliana Pautilla - atriz e diretora mineira, com forte atuação no trabalho corporal, atualmente residente nem São Paulo.
Hoje, aos 47 anos, Rita chega ao fim de um ciclo e não deseja mais reencenar a peça. Ao longo da trajetória do espetáculo, entretanto, a artista percebe que o assunto interessa a muitas mulheres e, durante a pandemia, decide adaptá-lo para o audiovisual. “Essa é uma história que precisa ser contada. Muitas pessoas viveram, senão a mesma, ao menos experiências semelhantes”. Desde a estreia, foram realizadas 35 apresentações. “Eu tinha toda noite que reencenar essa dor e isso foi um processo de cura também: fazer e refazer. A pandemia colocou tudo em suspenso, me fez refletir sobre o que é o espetáculo e que preciso abrir outras janelas. Tentar entender onde ficou essa mulher que agora não vai mais ser mãe. Não é que o desejo desapareceu. Mas é que vou descansar do desejo. Ter esse trabalho em vídeo é muito importante. A obra estará lá, em movimento, e minha fala também, reverberando para ajudar outras mulheres”, diz.
Rita conta que a adaptação não é simplesmente o registro do espetáculo, mas um flerte com o cinema. “Chegamos a uma peça filme. É trabalhar com roteiro para o audiovisual, com outra linguagem mesmo. Porque o teatro tem a coisa da presença, de uma lógica física e emocional. Por exemplo: no palco, faço em sequência a cena 1, a cena 2 e a cena 3. Então, a cena 3 vem carregada da emoção das duas anteriores. Quando chego ao final, toda essa carga corporal e de sentimentos vêm junto. Já no set, muda tudo. Você pode filmar primeiro a cena final, e depois voltar ao começo. Nesse sentido, tive que trabalhar bastante para chegar numa emoção e num corpo por outros meios”, afirma.
Além da peça filme, o projeto Circula Ciclo traz uma programação que reúne duas oficinas gratuitas de teatro autobiográfico, ministradas por Rita Maia, que acontecem nos dias 30 de outubro e 06 de novembro e 13 e 20 de novembro, de 14h às 17h. Voltada para artistas, estudantes de teatro e interessados na temática, a oficina está com inscrições abertas. A partir de abordagem que começa pelo corpo e termina com a palavra, Rita explica que “o curso trabalha com a memória, acontecimentos e experiências pessoais para a criação de um contexto ficcional em que o participante poderá criar uma pequena cena solo”, explica.
E para completar o projeto, o público tem acesso a um encontro, em formato webnário, intitulado Vida e Cena, que traz o recorte “Vamos falar sobre o aborto?”. O evento acontece no dia 25 de novembro, sexta-feira, às 20h, ao vivo, no canal de youtube da artista Rita Maia). Participam Rita Maia, a diretora Juliana Pautilla, a terapeuta integrativa Bel Cristina, e a psicóloga perinatal Leonora Tavares que trabalha com mulheres que passaram por perdas na gravidez. Durante duas horas, a proposta é discutir essa temática sob a perspectiva da criação e de experiências pessoais relacionadas. “Vamos passear por essas duas margens: a criação e as perdas. Precisamos falar sobre o aborto. Atualmente existe um movimento muito ativo de apoio às mulheres nessa condição. Profissionais de saúde, médicos, doulas, psicólogos etc, que trabalham com essa abordagem de amparo à mulher que sofreu uma perda gestacional”, contextualiza.
Segundo Rita, além do aborto, é preciso tocar em outras pautas que giram em torno das transformações sociais, muitas delas provocadas pelos novos valores e comportamento da mulher contemporânea, e que ainda são pouco debatidas, como por exemplo, a realização profissional e a maternidade. “Como conciliar minha profissão de artista, instabilidades financeiras, muitas viagens, com a maternidade? Mas eu acreditava que conseguiria em algum momento. Também tive dificuldade de achar um parceiro que realmente topasse. A questão não era só ter filho, mas ter uma família. E muitas pessoas me perguntavam: ‘você está esperando o quê?’ É uma pergunta que não segue a complexidade da situação. Eu não esperei. Porque ter filho não é um apertar o botão. Muda todo o seu universo. E quando as coisas se encaixaram, eu já tinha 41 anos”, questiona.
Para Rita, outro aspecto do qual pouco se fala é sobre a narrativa do medo construída pela literatura médica, e que caminha na contramão do movimento cada vez mais frequente de mulheres que optam por uma maternidade adiada. “Sutilmente muitas pessoas diziam que eu estava velha. Meu médico falava dos genes envelhecidos, das alterações genéticas. A questão não é entrar num percurso complicado. O ponto é que te apavoram de tal forma que você fica lá tentando driblar o seu desejo e a suposta velhice. Brinco no espetáculo com isso, mas foi motivo de angústia muitas vezes. Na verdade, eu realmente deixei para lá e passei a enxergar a realidade. É um certo paradoxo: mesmo que fisicamente e eu esteja apta e não me sinta velha, a natureza realmente me disse não”, diz.
Serviço:
PROJETO CIRCULA CICLO – 28 de outubro a 25 de novembro
Peça Filme
Estreia 28 de outubro, quinta – às 20h
Transmitido e disponível para o público, por tempo indeterminado, no Youtube Rita Maia
Oficinas Teatro Autobriográfico
30 de outubro e 06 de novembro e 13 e 20 de novembro, de 14h às 17h
Ministrante: Rita Maia | na Plataforma zoom
Webdebate Vida e Cena – “Vamos Falar sobre o aborto?”
25 de novembro, sexta-feira, às 20h
Com Rita Maia (atriz), Juliana Pautilla (diretora), Bel Cristina (terapias integrativas)
e Leonora Tavares (psicóloga perinatal)
Duração: 2 horas, ao vivo | no youtube da artista Rita Maia
Foto: Rita Maia / Pedro Lucas
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