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Fundos de Investimentos e Cooperação Audiovisual Internacional são tema de discussão no CineBH
Na programação de filmes, duas sessões de curtas-metragens deste sábado resgatam os primeiros filmes de Lucrecia Martel e a produção do coletivo paraibano Vermelho Profundo
O sábado na 9ª CineBH – Mostra de Cinema de Belo Horizonte segue com a programação do Seminário Brasil CineMundi, em duas mesas bastante instrutivas a quem se interessar em conhecer detalhes sobre coprodução. Os encontros serão no Teatro João Ceschiatti, nas dependências do Palácio das Artes.
Às 14h30, o tema será Fundos de Investimentos e Cooperação Audiovisual Internacional, com presença de Lamisi Gurah Blackman (vice-presidente, Films From the South-SorFond, Noruega), Michael Raisler (cofundador e diretor de criação, Cinereach, EUA), Rodrigo Camargo (Fundo Setorial do Audiovisual da Ancine) e Séverine Roinssard (produtora Parati Films, coordenadora La Fabrique des Cinémas du Monde e colaboradora Brasil CineMundi, França), sob mediação de Gudula Meinzolt (produtora Autentika Films e colaboradora Brasil CineMundi, Suíça).
Em seguida, às 16h45, começa a discussão sobre Estratégias de Venda, Distribuição e Lançamentos de Filmes, na qual estarão presentes Gabor Greiner (diretor de aquisições, Films Boutique, Alemanha), Lucero Garzon (produtora, França) e Virginie Devesa (distribuidora e codiretora, Alpha Violet, França), com mediação de Pedro Butcher (crítico de cinema, colaborador do Brasil CineMundi e curador da Mostra CineBH).
A retrospectiva dos filmes de Lucrecia Martel tem sessão às 17h, no Cine Humberto Mauro, onde o público poderá ver ou rever seu primeiro longa-metragem, O Pântano (2001). Na mesma sala, às 19h, tem exibição da Mostra Contemporânea com o filme A Princesa da França (Argentina), de Matias Piñeiro. Mais tarde, às 20h15, acontece a mostra de curtas de Lucrecia Martel, com cinco filmes de seu começo de carreira. Às 21h15, o inédito A Academia das Musas (Espanha), de José Luis Guerin, encerra a noite.
Já no Cine 104, O Touro, da brasileira Larissa Figueiredo, tem pré-estreia nacional às 19h30. Em seguida, às 21h30, acontece a retrospectiva de curtas-metragens da produtora paraibana Vermelho Profundo, com a exibição de três trabalhos do grupo.
ENTRE DEBATES E ENCONTROS
O primeiro dia de programação da 9ª CineBH, na sexta-feira, contou com debates do Seminário Brasil CineMundi, nos quais os participantes puderam ouvir relatos e experiências de profissionais de diversas áreas do audiovisual sobre parcerias e coprodução internacional. Nas mesas Panorama de Eventos de Mercado para Documentários e O Brasil, América Latina e Europa: Experiências em Coprodução Internacional, nomes de prolífica trajetória no meio expuseram ideias e responderam a dúvidas do público. “Vejo como muito importante na coprodução a possibilidade de pensar formas de fazer seu filme circular por mais lugares e espaços pelo mundo todo”, destacou Diana Bustamante, produtora da Burning Blue (Colômbia). Paulo de Carvalho, da Autentika Films, completou que as parcerias devem buscar sempre os melhores caminhos para se concretizarem, a despeito de eventuais dificuldades. “Às vezes o produtor e o diretor têm ritmos diferentes e anseios diferentes, e isso precisa sempre ser discutido”.
A mesa Modelos e Políticas para o Desenvolvimento Audiovisual Brasileiro teve a presença do secretário do Audiovisual, Pola Ribeiro, que destacou várias ações do Ministério da Cultura em relação ao cinema brasileiro. Ele chamou atenção para o Fundo Setorial do Audiovisual, que tem sido um fomentador da produção através de diversos editais, e anunciou R$ 3,5 milhões destinados à produção indígena. Israel do Vale, presidente da Rede Minas, chamou atenção para melhorias políticas no trato com as TVs públicas. “Existe uma imensa janela de exibição da produção brasileira, que são os canais de televisão federais, municipais, legislativos, entre outros. É preciso que o MinC olhe para eles”.
Na tarde de sexta, a diretora argentina Lucrecia Martel, homenageada deste ano na CineBH, participou da mesa dedicada ao “case study” de Zama, seu quarto longa-metragem, em fase de finalização e uma coprodução entre Argentina, Espanha, Brasil, França, EUA e Holanda. O filme, um épico histórico adaptado de romance de Antonio di Benedetto, é sua maior empreitada, depois de filmes minimalistas como A Mulher sem Cabeça e O Pântano.
Lucrecia disse que não se preocupou em adequar o filme a eventuais parcerias com outros países, e sim saiu em busca da coprodução de acordo com a necessidade estética e narrativa. Foi assim que ela chegou a Vânia Catani, da carioca Bananeira Filmes, que entrou como representante brasileira na busca por viabilizar o filme. O argentino Benjamin Domenech, também na mesa, entrou logo em seguida no projeto.
“O que pode ser ruim em coproduções são imposições sobre o projeto, e nisso fui muito sortuda, porque nunca aconteceu, fizemos um trabalho de parceria entre todos”, destacou Lucrecia. Com 9 semanas de filmagem e orçamento bem acima de seus padrões, a diretora diz não pretender se envolver em empreitadas semelhantes no futuro. “Acho que vou filmar com um iPhone depois disso”, brincou. Zama, que tem nomes brasileiros no elenco (como Matheus Nachtergaele e Mariana Nunes) deve começar a circular por festivais internacionais em 2016.
Foto: Leo Lara Universo Producao
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