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Celebrando o Dia do Livro, Casa Fiat de Cultura aborda as transformações das narrativas da literatura brasileira
Bate-papo com a escritora e ilustradora Mariângela Haddad vai comparar as narrativas escritas do século 19 e as histórias visuais de obras contemporâneas
A literatura é um campo de saber vivo que se transforma ao longo do tempo. Nesse processo, os paradigmas da produção literária são revistos e desconstruídos, dando lugar a novos modelos. No Brasil, o Dia do Livro é celebrado em 29 de outubro, em homenagem à primeira biblioteca fundada no país. Para marcar a data e traduzir as mudanças na produção literária brasileira, a Casa Fiat de Cultura realiza o Encontros com o Patrimônio virtual “Literatura Viva: transformação das narrativas escritas e visuais”, em 24 de outubro, das 11h às 12h30. A convidada desta edição é a escritora e ilustradora mineira Mariângela Haddad. O evento é online e gratuito, com retirada de ingressos pela Sympla (https://bit.ly/LiteraturaViva).
No bate-papo, serão abordadas as mudanças de concepção dos livros brasileiros durante a história. No século 19, as narrativas eram conectadas à palavra escrita, enquanto, na contemporaneidade, a utilização de diversos recursos visuais tornou-se habitual. A historiadora e coordenadora do Programa Educativo da Casa Fiat de Cultura, Clarita Gonzaga, vai abordar esse caráter vivo e mutável, que discute desde questões amplas da vida coletiva — política, críticas sociais, folclore, povos e lugares, até questões mais intimistas. “A literatura é um lugar de construção de memórias, referências e reflexões sobre modos de se viver”, analisa.
Para demonstrar as diferenças, a historiadora vai destacar a vida e a obra de Maria Firmina dos Reis, uma referência da literatura romântica brasileira, que tratava da construção de identidades culturais e temas da época, como o abolicionismo; também serão abordados aspectos estilísticos, como uma certa idealização das figuras centrais e a narrativa atrelada à palavra escrita. Outros autores, como Castro Alves, José do Patrocínio e Luiz Gama também serão abordados, ressaltando a preponderância da produção masculina à época. Sobre as transformações literárias, Clarita defende que o hábito de ler potencializa a capacidade crítica e os repertórios intelectuais e que, por isso, precisa ser valorizado e estimulado. “Por outro lado, à medida em que as mentalidades se transformam, a literatura também muda, seja com relação a formatos e temáticas, seja com relação aos veículos de mídia pelos quais passa a ser veiculada”, completa.
A ilustradora e escritora Mariângela Haddad vai contar sobre seu processo criativo, que é mais intimista e espontâneo. “As histórias nascem de momentos simples, do meu cotidiano. Não tenho uma rotina de escrita. A narrativa surge naturalmente e vai para o papel”, relata. Com livros premiados, a artista iniciou os primeiros trabalhos na ilustração, ainda nos anos 1980. Somente no final da década de 1990 começou a escrever e teve o primeiro livro publicado em 2009 (“O sumiço da pantufa”, Edições SM). Ela ressalta que a ilustração e a escrita são construídas em conjunto e que, em seu trabalho, as duas coisas se complementam. Sobre a narrativa visual, ela destaca que as imagens deixaram de ser um adereço e que, hoje, o ilustrador é um coautor da obra. “Uso a força das imagens para contar histórias. E isso faz com que o leitor acesse muitas memórias e pensamentos que nem eu mesma havia pensado antes”, reflete.
Duas obras terão destaque na fala de Mariângela Haddad: “Minha vó sem meu vô” (Editora Miguilim, 2015), que aborda situações de luto, tristeza e saudade; e “Atrás do Tapume” (Editora do Brasil, 2020), que nasceu a partir da pesquisa fotográfica que realizou para o desenvolvimento da exposição “Por trás do tapume”, que ficou em cartaz na Casa Fiat de Cultura em 2018. O livro apresenta reflexões sobre o tempo, a história e os lares das pessoas, e deve ser lido e relido para garantir uma verdadeira experiência para o leitor. “Não entrego temas fáceis ou ‘da moda’. Trago brincadeiras em forma de literatura”, sintetiza a escritora e ilustradora.
O Encontros com o Patrimônio “Literatura Viva: transformação das narrativas escritas e visuais” é uma realização da Casa Fiat de Cultura e do Ministério do Turismo, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, patrocínio da Fiat, do Banco Safra e da Gerdau, copatrocínio da Expresso Nepomuceno, da Sada, do Banco Fidis e do Mart Minas. O evento tem apoio institucional do Circuito Liberdade, do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico (Iepha), do Governo de Minas e do Governo Federal, além do apoio cultural do Programa Amigos da Casa, da Brose do Brasil e da Brembo.
Mariângela Haddad
Mineira de Ponte Nova, Mariângela Haddad é artista plástica, escritora e ilustradora. Recebeu os prêmios João-de-Barro – livro ilustrado, por “Toda 6ª”, em 2020; o Jabuti de Ilustração de Livro infantil, por “Minha vó sem meu vô”, em 2016; o CEPE de Literatura Infantil, por “O mar de Fiote”, em 2011; o Barco a Vapor, por “O sumiço da pantufa”, em 2009, e o Encouragement Prize do NOMA Concours Picture Book Illustration, por “Cantos de Encantamento”, de Elias José, em 1996. Participa de exposições de arte, ilustração, fotografia e literatura, no Brasil e no exterior. Em 2018, realizou a mostra fotográfica “Por trás do tapume”, escolhida no Programa de Seleção da Piccola Galleria, na Casa Fiat de Cultura.
A Casa Fiat de Cultura
A Casa Fiat de Cultura cumpre importante papel na transformação do cenário cultural brasileiro, ao realizar as mais prestigiadas exposições. A programação estimula a reflexão e interação do público com várias linguagens e movimentos artísticos, desde a arte clássica até a arte digital e contemporânea. Por meio do Programa Educativo, a instituição articula ações para ampliar a acessibilidade às exposições, desenvolvendo réplicas de obras de arte em 3D, materiais em braile e atendimento em libras.
Mais de 60 mostras de consagrados artistas brasileiros e internacionais já foram expostas na Casa Fiat de Cultura, entre os quais Caravaggio, Rodin, Chagall, Tarsila, Portinari entre outros. Há 15 anos, o espaço apresenta uma programação diversificada, com música, palestras, residência artística, além do Ateliê Aberto – espaço de experimentação artística – e de programas de visitas com abordagem voltada para a valorização do patrimônio cultural e artístico.
A Casa Fiat de Cultura é situada no histórico edifício do Palácio dos Despachos e apresenta, em caráter permanente, o painel de Portinari, Civilização Mineira, de 1959. Mais de 3 milhões de pessoas já visitaram suas exposições e 560 mil participaram de suas atividades educativas. O espaço integra um dos mais expressivos corredores culturais do país, o Circuito Liberdade, complexo cultural sob gestão da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult) e que reúne diversos espaços com as mais variadas formas de manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo. Trabalhando em rede, as atividades dos equipamentos parceiros ao Circuito buscam desenvolvimento humano, cultural, turístico, social e econômico, com foco na economia criativa como mecanismo de geração de emprego e renda, além da democratização e ampliação do acesso da população às atividades propostas.
SERVIÇO
Encontros com Patrimônio online – mês de outubro
“Literatura Viva: transformação das narrativas escritas e visuais”
24 de outubro, das 11h às 12h30 – Bate-papo virtual
Evento gratuito, com inscrição pela Sympla: https://bit.ly/LiteraturaViva
Casa Fiat de Cultura
Circuito Liberdade | Praça da Liberdade, 10 – Funcionários – BH/MG
Foto: Mariângela Haddad
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