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Multiartista Cauleen Smith terá retrospecto da carreira, participará de palestra e apresentará instalação inédita em sua primeira vinda ao Brasil, para o 25º FestCurtasBH

Convidada norte-americana flerta com o cinema experimental de meados do século XX e trafega por diversas artes e mídias com desenvoltura

Cauleen Smith é uma artista negra multidisciplinar que trafega com desenvoltura por diversas artes e mídias, promovendo um diálogo entre elas. No 25º FestCurtasBH, a norte-americana radicada na Califórnia terá uma mostra dedicada à sua obra, com retrospecto de oito de seus filmes, uma palestra intitulada “Tempo” e a apresentação, pela primeira vez no Brasil, da instalação "Space Station: A Rock in a River".

Na mostra, serão exibidos desde o curta "Chronicles of a Lying Spirit (By Kelly Gabron)", de 1992, uma colagem que funciona como uma reflexão sobre a história negra e como ela é retratada na mídia, a obras emblemáticas como "Drylongso" (1998), em versão digitalizada e restaurada, e "H-E-L-L-O" (2014), inspirada no impacto que o furacão Katrina causou na comunidade de Nova Orleans em 2005.

Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Fundação Clóvis Salgado e Secretaria Municipal de Cultura apresentam o 25º FestCurtasBH — Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte. O Festival tem patrocínio máster da Cemig e conta com o apoio da MGS por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, da Embaixada da França no Brasil e do Instituto Cervantes. A Fundação Clóvis Salgado tem como mantenedores a Cemig e o Instituto Cultural Vale, patrocínio Máster da ArcelorMittal, patrocínio da Usiminas e correalização da APPA — Arte Cultura.

A cineasta estará presente e realizará sessões comentadas em inglês, com tradução para português, e apresentará "Space Station: A Rock in a River" no Espaço Mari’Stella Tristão, composta por duas obras — a instalação “Two Rebeccas” (2018) e a versão em vídeo digital de "Sojourner” (2018), apresentado originalmente como curta e vencedor do prêmio de melhor filme internacional no 21º FestCurtasBH (2019) pelo Júri Oficial.

Como artista, Cauleen dialoga, dentre outros, com o cinema experimental de meados do século XX, incluindo estruturalismo, cinema de terceiro mundo e ficção científica. Como cineasta afro-americana, denuncia a história da política racial nos EUA e revela seu compromisso com a luta pela libertação da população negra. Seu trabalho imagina outra versão da experiência negra: feminista, espiritual, reverente e desafiadora.

“Desde que o trabalho de Cauleen Smith chegou pela primeira vez ao FestCurtasBH, ele nos causou encanto e surpresa em sua radical liberdade formal e conceitual, deslumbrante plasticidade, centralidade sonora e musical, além da fluidez da conversa que promove entre passados, presentes e futuros, pensados como tempos múltiplos e sempre em construção. Uma obra que traz um diálogo muito fértil com a atual produção artística e intelectual brasileira negra, em suas afinidades e contrastes. Criadora incansável, ela interroga formas e sistemas por meio de criações e formulações inventivas e inquietas em suas diversas práticas artísticas como cinema, artes visuais, escultura, poesia e música”, ressalta Ana Siqueira, curadora e coordenadora de programação do FestCurtasBH.

"DRYLONGSO"

Filmado em 1995 e concluído em 1998, quando Cauleen ainda era estudante na escola de Cinema, Teatro e Televisão da University of California in Los Angeles (UCLA), o filme foi aclamado no Sundance Festival em 1999, restaurado em 4K e relançado recentemente pela Criterion Collection. "Drylongso" conta a história de Pica, estudante de arte de Oakland que fotografa homens negros em sua comunidade com uma câmera Polaroid, em resposta ao ritmo alarmante com que eles morrem, e Tobi, mulher que foge de um relacionamento abusivo.

O filme, tanto na sua produção comunitária como na execução cinematográfica, simboliza a alma da comunidade de Oakland, importante porto da costa oeste, na região da baía de São Francisco. Através de seu trabalho imaginativo, Cauleen capta uma etnografia da negritude, que aborda como essas duas mulheres negras evocam amor e luz sob as condições contínuas de violência na década de 1990.

ARTISTA CONTEMPORÂNEA

Desde meados da década de 2000, a Cauleen Smith apresenta-se cada vez mais em contextos de arte contemporânea, onde curta e vídeos, telas sequenciais e instalações expandidas envolvem os visitantes em seus projetos de construção de mundo. Conjuntos de obras foram inspirados na Nova Orleans pós-Katrina, no trabalho do músico afrofuturista Sun Ra e na literatura feminista negra, para citar alguns.

Numa entrevista de 2020, ela observou: “Com o tempo, o desejo de ver certos tipos de imagens foi substituído pelo desejo de comunicar com o público de uma forma particular. Eu costumava estar muito focada em produzir imagens ou histórias que eu queria ver e agora estou tentando construir os filmes de uma forma que convide o espectador a entender como as imagens funcionam neles”.

“Penso no meu trabalho como uma contribuição para as histórias das diásporas negras e para os nossos poderes de invenção, sobrevivência e generatividade", disse ainda em entrevista em março deste ano à escritora Akané Okoshi.

"Sojourner (2018)", que estará na mostra na versão instalativa, destaca o surgimento de coletivos feministas utópicos durante o último século e usa os escritos da visionária Rebecca Cox Jackson, da abolicionista Sojourner Truth, e da pioneira harpista de jazz e visionária espiritual Alice Coltrane. É, em síntese, uma utopia feminista radical.

Programação

Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes

19/10 | QUINTA

21h | TEMPO - UMA FALA DE CAULEEN SMITH | 120’ | Livre

Cauleen Smith discutirá alguns de seus filmes e instalações mais recentes com respeito a diferentes escalas e relações de tempo, do humano ao geológico, a partir do olhar para o futuro especulativo do passado.

21/10 | SÁBADO

17h | MOSTRA CAULEEN SMITH - AS POSSIBILIDADES COTIDIANAS DA IMAGINAÇÃO | 67’ | Livre

Chronicles of a Lying Spirit (by Kelly Gabron) (Crônicas de Um Espírito Mentiroso, Por Kelly Gabron), de Cauleen Smith | Estados Unidos, 1992, 6’

White Suit (Terno Branco), de Cauleen Smith | Estados Unidos, 1997, 4’

Space Is The Place (A March For Sun Ra) (Space Is The Place, Uma Marcha Para Sun Ra), de Cauleen Smith | Estados Unidos, 2011, 11’

Song For Earth and Folk (Canção Para a Terra e Para o Povo), de Cauleen Smith | Estados Unidos, 2013, 11’

H-E-L-L-O, de Cauleen Smith | Estados Unidos, 2014, 11’

Crow Requiem (Réquiem do Corvo), de Cauleen Smith | Estados Unidos, 2015, 11’

3 Songs About Liberation (3 Canções Sobre Libertação), de Cauleen Smith | Estados Unidos, 2017, 9’

22/10 | DOMINGO

17h | MOSTRA CAULEEN SMITH - AS POSSIBILIDADES COTIDIANAS DA IMAGINAÇÃO | 81’ | 14 anos

Drylongso, de Cauleen Smith | Estados Unidos, 1998, 81’

Foto: Cauleen Smith

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