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Autorretrato Abrilhanta Otto Cirne - Artista Gui Mazzoni

Autorretrato

Registro os vestígios de meu próprio corpo cujas imagens ecográficas indiciam minha essência esculpida em meio a entalhes da fotografia e medicina. Disseca-se a superficial e colorida derme e desnuda-se a estrutura interna reveladora de minha origem é indicadora da extensa trilha a percorrer.

Pressões estimulam a criatividade e desencadeiam energias rumo a mudanças. Energia latente na natureza, não restrita aos seres animados. Os inanimados também possuem grande energia, como os cristais, o quartzo, uma vez pressionado, gera eletricidade em sua periferia, nomeado efeito piezoelétrico. Contrariamente, ao se despejar carga elétrica sobre o quartzo, ele se deforma, produzindo ondas mecânicas, ou seja, o som, no dito efeito piezoelétrico inverso. Estão criadas as bases da ultrassonografia, método de diagnóstico médico por imagem que estuda o humano, seja o que inala poluído ar da ambição antropocêntrica, seja o mergulhado no fluido amniótico.

O som produzido na ultrassonografia é inaudível, pois é de alta frequência, todavia os ecos oriundos das estruturas humanas refletoras permitem formar imagens. Assim, adquiro imagens ultrassonográficas de meu corpo, genuínos autorretratos, desde 2016, subvertendo o método, pelo uso de modo diverso ao preconizado pelas evidências científicas. A sonda é o pincel que permite construir abstratas imagens, reveladas na tela eletrônica do monitor. Fotógrafo como meu pai homônimo desde a adolescência e médico há 35 anos, dos quais 32 anos como ultrassonografista, a corroborar os dizeres de Goethe:

“Aquilo que herdaste  dos teus pais, conquista-o para fazê-lo teu”.

Procuro refletir acerca da utilidade ou não das coisas, do material, sobre a subversão de padrões, do uso de objetos mundanos. Transformar o que foi instituído é um saudável modo de evolução.

A Sonofotografia, como nomeei esta técnica, é uma forma de romper com certos limites da Medicina, que exige padrões reprodutíveis para que tenha validade como ciência. Contrariamente, a arte foge dos padrões para ser reconhecida como tal. Produzem-se antagonismos a partir do mesmo instrumento, no universo da arte-ciência-tecnologia.

Discute-se a criação de novas fronteiras do conhecimento e da inovação. O relevante avanço do saber humano colocou-o em suas fronteiras, a nos convidar a transpô-las e, simultaneamente, mesclar, produzir interseções dos diversos saberes. Isto propicia o surgimento de uma miríade de novos conhecimentos.

Foto: Divulgação

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