Notícias
Centro Cultural UFMG recebe exposição de patrimônio artístico e histórico de Diamantina
Centro Cultural UFMG convida para a abertura da exposição “Me Aspice: Sibilas na Semana Santa”, na terça-feira, dia 16 de outubro de 2018, às 19 horas. A mostra tem curadoria de Bernardo Magalhães e poderá ser vista até o dia 21 de novembro de 2018. Entrada gratuita.
“Me Aspice: Sibilas na Semana Santa” é um projeto do Instituto de Arte e Cultura de Diamantina - Diarte, concebido pelo fotógrafo e curador da mostra Bernardo Magalhães.
Me Aspice, que em latim significa “olhe para mim”, tem como objetivo chamar a atenção da população diamantinense para esse bem artístico e histórico único no Brasil: as Sibilas de Diamantina.
Como não é do conhecimento de todos, Diamantina possui um patrimônio artístico talvez não encontrado em nenhuma outra cidade colonial do Brasil: os Véus Quaresmais com imagens das sibilas, além das pinturas sobre madeira na abóbada da capela-mor da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim.
As sibilas de Diamantina e região têm uma importância universal e reafirmam a sobrevivência de um antigo mito que foi se adaptando em diferentes lugares. O mito das sibilas tem um fôlego inigualável e de certa forma sobrevive até hoje. A previsão do futuro é desde os primórdios da humanidade um saber desejado e altamente sedutor.
Reproduções fotográficas desses panos foram ampliadas e impressas em tecido e dez artistas locais foram convidados a trabalhar o contorno dessas imagens para compor as tradicionais colchas da Semana Santa que adornam as sacadas dos casarões coloniais da cidade durante esse período.
Me Aspice reúne a produção dos artistas Samia Abbas, Fernanda Alvarenga, Marcial Ávila, Marcelo Brant, Juliana Cyrillo, Elisa Grossi, Vanessa Pádua, Adriana Reis, Parísina Ribeiro e Gracíola Rodrigues.
As obras foram expostas nas sacadas das casas seguindo os roteiros das procissões da Semana Santa: do Domingo de Ramos até o Domingo de Páscoa de 2018.
O resultado do trabalho dos artistas pode agora ser apreciado de perto. O Centro Cultural UFMG apresenta ao público este patrimônio das Sibilas, único no Brasil, ainda em fase de restauração.
O vídeo produzido documentando essa intervenção será apresentado em horários definidos pela mostra.
As sibilas:
Figuras proféticas da mitologia antiga, as Sibilas, tiveram um alcance temporal extraordinariamente longo no decorrer da história da humanidade. Elas faziam o elo entre o profano e o sagrado, o humano e o divino. Suas profecias não diziam respeito a sagas individuais, mas a futuros coletivos como resultados de guerra, decisões políticas e a riqueza ou pobreza das nações. Da vasta osmose espiritual entre oriente e ocidente na antiga Babilônia, as Sibilas migraram para a mitologia greco-romana, onde se tornaram profetisas do deus Apolo.
Foi no ano 325 de nossa era, durante o Concílio de Niceia, que as profetisas foram incorporadas ao cristianismo pelo imperador Constantino. A partir de então, as Sibilas passaram a ser representadas ao longo da história cristã, através de diversas linguagens artísticas, como a pintura, o desenho e a escultura. Suas representações mais conhecidas são as cinco Sibilas de Michelangelo pintadas no teto da Capela Sistina, no Vaticano.
Da Itália meridional, epicentro do antigo Império Romano e coração do catolicismo, o mito das Sibilas irradiou para a França, a Alemanha e o restante da Europa. Chegou tardiamente a Portugal, onde sua representação plástica não teve muita fortuna se comparada ao restante do continente. Contudo, a cidade de Braga, na região do Minho, norte do país, manteve ao longo dos séculos a tradição do Cântico da Sibila, mesmo após sua proibição pelo Concílio de Trento.
É intrigante a presença das Sibilas no Arraial do Tijuco, especialmente quando se considera que em Portugal o tema não inspirou nem os artistas, nem os mecenas na Idade Média, e é quase ausente na idade moderna. Entre os mistérios que rodeiam as Sibilas, desde sua origem, na Babilônia, estão os caminhos que percorreram para chegar até aqui e sua forte presença no antigo Arraial do Tijuco.
Restauração dos véus quaresmais:
Em Diamantina, as Sibilas estão presentes em quatro imagens no teto da Igreja do Bonfim, em pinturas datadas do final do século XVIII, e em seis véus quaresmais, pertencentes às ordens terceiras, inventariados pelo IPHAN.
O Instituto de Arte de Cultura de Diamantina – Diarte está comemorando o início do trabalho de restauração desses panos através de um projeto aprovado pela Secretaria de Estado de Cultura, com verba do Fundo Estadual de Cultura.
Fruto do trabalho do Instituto de Arte e Cultura de Diamantina - Diarte, com a participação do Sr. Ângelo Oswaldo, Secretário de Cultura do Estado de Minas Gerais, será apresentada a Sibila Tiburtina original, do início do século XIX da Igreja do Amparo, desaparecida de Diamantina e recentemente recuperada.
Foto: Elisa Grossi
Selecionamos os melhores fornecedores de BH e região metropolitana para você realizar o seu evento.
