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Cine Humberto Mauro exibe o pioneirismo criativo do diretor dinamarquês CARL THEODOR DREYER, na mostra 4X DREYER
Considerado um dos maiores cineastas do mundo, o trabalho de Carl Theodor Dreyer esteve em evidência na passagem do cinema mudo para o falado. A mostra 4 X DREYER tem curadoria de Bruno Hilário e Vitor Miranda e o público poderá conferir as produções mais icônicas do dinamarquês: A paixão de Joana D’arc (1928), O Vampiro (1932), Dias de Ira (1943) e A Palavra (1955).
Nascido na Dinamarca, em 1889, Dreyer ganhou reconhecimento ao realizar sua filmografia em diversos países europeus. Na França, dirigiu um dos seus filmes mais influentes, A paixão de Joana D’arc, considerado uma das maiores obras do cinema mundial. Para Bruno Hilário, da Gerência de Cinema da FCS, o longa foi inovador ao construir uma obra que nos aproxima do rosto dos personagens, através de uma constante utilização de close up’s que dão uma dimensão tortuosa do sentimento interior da personagem principal.
“O close up, como efeito estético, cria uma aproximação entre o personagem e o público, acentua as emoções dramáticas, mas em Dreyer ele é um elemento que desorganiza, desorienta, nos aproxima da dor de Joana D’arc ao mesmo tempo que desvela a face doentia do poder e seus opressores”, pontua.
Bruno Hilário complementa, citando o teórico de cinema André Bazin (1918-1958), que definiu que os closes em A paixão de Joana D’arcserviriam a dois propósitos aparentemente contraditórios, mas complementares: dão um tom de realismo e misticismo à encenação.
O Vampiro (1932), um clássico do cinema de horror, foi rodado na França e na Alemanha e configura uma importante fase do diretor. “Neste filme de uma impressionante construção poética, demonstra como Dreyer estava mais interessado em criar uma atmosfera perturbadora, do que contar uma história coerente. O lirismo obscuro destas imagens impressiona e aterroriza o espectador até os dias de hoje”, afirma Bruno Hilário.
Já Dias de Ira (1943), longa que faz alusão à ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial, foi responsável pelo exílio do cineasta na Suécia. Por fim, será exibido A Palavra (1955), penúltimo filme de Dreyer, considerado o ápice de sua maturidade estética e método de direção.
O curador da mostra explica que Carl Dreyer foi o “cineasta da brancura”, definição dada pelo cineasta, e também teórico, François Truffaut (1932-1984), na introdução do livro O Cinema da Crueldade, de André Bazin: “Carl Dreyer foi o cineasta da brancura. A religiosidade dos temas escolhidos deu margem à ilusão, e não se percebe o suficiente a violência subterrânea de sua obra e de todas as dilacerações que lhe formam as engrenagens”, explica. A beleza de sua fotografia e a sensualidade de sua encenação intensificam o caráter místico e angustiante de suas produções.
Memória e produção - Filho de uma empregada e mãe solteira, Dreyer foi colocado para adoção ainda no início da infância. A experiência com a família adotiva rendeu péssimas recordações, gerando o relato de uma infância triste, marcada por pequenas humilhações. No início de sua vida adulta, ao buscar pela mãe biológica, Dreyer descobre que ela havia morrido quando ele tinha apenas dois anos. Para alguns críticos, a figura da mulher atormentada e sofredora presente em seus filmes é um eco dessa experiência pessoal.
A carreira do diretor começou no Jornalismo, mas, aos poucos, foi sendo direcionada para a Sétima Arte. Em 1913, Dreyer consegue um emprego na Nordisk Film, empresa cinematográfica, para escrever fichas de diálogos presentes nos filmes mudos. Seguindo no ramo, Dreyer passa a escrever roteiros e estreia na direção em 1918, com O Presidente.
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