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Festival Estudantil de Teatro (FETO) chega à sua 22ª edição

Um dos mais longevos festivais estudantis de teatro completa 22 anos

De 18 a 23 de outubro Belo Horizonte sedia a 22ª edição do Festival Estudantil de Teatro. Referência na área de artes cênicas e educação, o FETO experimenta, pela primeira vez, uma edição híbrida composta por oficinas, espetáculos presenciais, rodas de conversa na Funarte MG, e mostra de trabalhos artísticos criados para plataformas digitais, nos formatos (cenas curtas, websérie, podcast, performance, leitura dramática, formatos híbridos etc.). Na abertura, dia 18.10 (terça-feira), haverá apresentação de sarau de poesia marginal organizado pelo Slam Clube da Luta, com participação das slamers Lírio, Pieta Poeta, Rafaela Augusta e Vênus Deusa planeta, na Funarte. A entrada é franca. Os ingressos da mostra de espetáculos presenciais custam R$6 e R$3. As demais atividades do festival são gratuitas. O público acompanha toda a programação pelas redes: Facebook, Instagram @FETOteatro e Youtube @centralfeto. Este projeto é realizado pela No Ato Cultural e pelo Ministério do Turismo, por meio da Secretaria Especial de Cultura, e possui apoio da Funarte MG.

Após dois anos no formato digital, o FETO volta a ocupar os palcos de BH. Para Luisa Monteiro, coordenadora, o tema deste ano, “FETO – sem fronteiras: meu tempo é já”, reflete sobre o desafio de estar no presente. “Estamos de volta aos teatros e às ruas da cidade. Esta edição nos devolve para o tempo da ação, da mudança. Recuperamos nossa liberdade de ir para além das telas, sobretudo os jovens e estudantes, talvez os mais atingidos durante o isolamento social”, contextualiza. Luisa revela ainda que apesar desse movimento de reabertura no pós-pandemia, “um dos maiores desafios tem sido mobilizar o público para as salas de teatro”.

Para Gláucia Vandeveld, artista, professora e uma das curadoras da 22ª edição, parte desse desinteresse se deve à ação de desmonte da cultura e das escolas realizada no país no período de pandemia. “Sobretudo das escolas de arte”, ressalta. A educadora afirma que uma das preocupações foi retomar o movimento de aproximação com as instituições de ensino de teatro na cidade. “Estamos convidando os estudantes para construir o festival junto conosco, e assim fortalecermos a escola de teatro, os cursos livres e profissionalizantes que estão sendo deixados de lado, sem verba. Achamos que esta edição pode ser uma oportunidade para que os alunos de teatro de BH possam se reencontrar numa rede de trocas”, diz.

Para a curadora, performer e professora Michelle Sá, outro aspecto que revela o impacto pandêmico é o número reduzido de inscrições de propostas artísticas da categoria Teatro na Escola. “Esse quadro é um reflexo do que a comunidade escolar tem enfrentado, o desgaste na esfera pública, a sobrecarga do corpo docente, a evasão escolar e a recente retomada de ritmo do ensino presencial. Afinal, atravessamos uma pandemia mundial e quem segue normal não entendeu foi nada ou tem privilégio demais. Mas estamos aqui, apostando no reencontro, não somos as mesmas pessoas, a utopia e a crença de que movimento gera movimento é que nos faz apostar na arte e na educação como mudança”, afirma.

Na abertura do FETO (18.10, terça), poetas e dramaturgos do Slam Clube da Luta presidem o Sarau de poesia marginal, a partir das 19h30, na Funarte, com entrada franca. As slamers convidadas são: Lírio - filósofa, educadora e poeta trans; Rafaela Augusta - travesti não binária, multiartista que tem a poesia, a escrita e a fala como base de criação; Pieta Poeta - professor, artista cênico, músico e escritor de Belo Horizonte, campeão mundial de poesia falada; e Vênus Deusa planeta/BH - escritora/ artista visual, colagista e representante SLAM MG 2021.

“Quem frequentou um sarau de poesia ou uma batalha de Slam sabe o que eu estou dizendo. Uma performance poética no sarau marginal é extremamente teatral. Cada vez mais na cena mineira, vemos poetas "marginais" fazendo dramaturgias teatrais e a poesia marginal nos espaços de teatro. A proposta do FETO é ‘colar’ e não separar. A cultura de Sarau também promove o encontro da juventude, é um espaço político, de cena, de protesto, de escuta, de ação”, afirma Michelle Sá.

Nesse movimento de fortalecer a cena local, a programação traz este ano seis espetáculos presenciais, todos de Minas Gerais. “Temos propostas de Belo Horizonte, Contagem, Itabirito. Mas para contemplar os estudantes de longe, que já estiveram conosco em outras edições, como Florianópolis, Maranhão (entre outras), mantivemos o online para a segurança desses alunos, afinal, a pandemia ainda não acabou”, completa.

Entre as criações digitais, estão previstas cinco criações de minuto (propostas de até 2 minutos para feeds do Instagram) e seis experimentos cênicos (propostas com até 50 min. para o Youtube). Cris Diniz, responsável pela coordenação técnica, diz que além da presença de propostas virtuais e presenciais nesta edição, que a intenção é promover o diálogo entre elas. “Além de estarem disponíveis nas nossas redes sociais, o objetivo é que as criações para as plataformas sejam exibidas diariamente no café transborda, que acontecerá na Funarte durante o evento. Sendo assim, estamos ansioses para ver como será este momento de encontro olho no olho, mesclado com tudo o que foi produzido para a virtualidade”, afirma.

As propostas artísticas este ano foram selecionadas considerando os seguintes critérios: atualidade (trabalhos que dialogam ou foram adaptadas durante a pandemia para o virtual); criatividade e possibilidades artísticas; relevância temática (pautas sobre raça, gênero, LGBTQIA+, questões indígenas); diversidade de linguagem; distribuição regional e trabalhos nas periferias; representação do Ensino Público e urgência (processos interrompidos pela pandemia). “No ano passado o lugar de fala estava muito mais presente e ainda está. Mas dessa vez, apareceram pautas ficcionais. Muitas histórias, contos, outras escritas, não somente o lugar político e de urgência. Uma vontade de sonhar, ficcionalizar, ver beleza. As questões da pandemia também estão menos latentes nesta edição”, relata Gláucia Vandeveld.

Além de resenhas diárias dos jornalistas e críticos teatrais Bremmer Brama e Luciana Campos, os trabalhos também serão comentados durante os olhares - tradicionais bate-papos e rodas de conversa que promovem discussões com artistas, pesquisadores da cena e os estudantes, sobre os trabalhos apresentados no festival. Serão, ao todo, onze rodas de conversa, que, neste ano, acontecem nos formatos digital e presencial. Já as oficinas - com inscrições abertas até 13.10 - voltam a ser presenciais em 2022 e oferecem desde propostas de pesquisa e criação dentro das técnicas da arte drague, até propostas de jogos de escuta e improvisação, voltadas para adolescentes, como elemento de apresentação e aprendizagem do fazer teatral.

Para encerrar, no dia 23 de outubro, o tradicional caFETO traz, sob mediação de Vicente Concilio (UDESC) e Eder Rodrigues (UFSB), o tema “Docentes e Discentes: caminhos da formação teatral em BH”. Participam coordenadores e estudantes das escolas de curso profissionalizante de BH.

O pesquisador e artista Guilherme Diniz, que também integra a equipe de curadoria do festival, conclui que realizar um festival como o FETO, de larga tradição na cidade e no país, é um ato de resistência cultural e de reinvenção política e artística. “É uma aposta no futuro. Principalmente quando a gente fala de educação, da possibilidade de construir outras realidades, redesenhar nossas relações e o que a gente quer fazer daqui para frente. É também celebrar a vida, sem esquecer os desníveis de desigualdade social que estruturam nosso país e articular mais uma vez a força que a educação e a produção artística têm de transformar nossas vidas, ressignificar nossas existências, de maneira crítica e inteligente, criando pontes”.

SOBRE O FETO

O FETO – Festival Estudantil de Teatro existe desde 1999, em Belo Horizonte, com a finalidade de valorizar, visibilizar e fomentar o teatro nas escolas, universidades, cursos livres e técnicos, de todo o país. O Festival também busca estimular a reflexão e o debate sobre o teatro estudantil e o universo da cena como um todo, bem como a formação de público, além de democratizar o acesso à cultura por meio de atividades destinadas a várias esferas da sociedade.

O FETO não é uma mostra competitiva e não possui premiações. É um festival que está na sua 22ª edição e que ano após ano, sobreviveu às dificuldades encontradas pela cultura no país. Isso só é possível porque o FETO é construído de forma coletiva pela Associação No Ato, grupos e artistas selecionades, instituições participantes e parceires de longa data.

SERVIÇO: FETO 22ª edição – Programação Toda Online
= 18 a 23 de outubro =
6 espetáculos presenciais + 10 criações digitais + 11 olhares (rodas de conversa) +
3 oficinas + CaFETO | Funarte MG (Rua Januária, 68 - Centro) e nas plataformas: YouTube e Instagram |

Mais informações sobre o festival:

Facebook, Instagram e YouTube: @centralfeto

Foto: Divulgação

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