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Teatro em movimento apresenta “Os Realistas”, com Debora Bloch, Fernando eiras, Mariana lima, Guilherme weber, que também assina a direção
O projeto "Teatro em Movimento" traz a Belo Horizonte, em comemoração aos seus 15 anos, o espetáculo “Os realistas”, texto do americano Will Eno, que chega ao Brasil com atuação de Fernando Eiras, Mariana Lima, Guilherme Weber, que também assina a direção, e Debora Bloch, também produtora da montagem no Brasil. Em cena, os atores interpretam dois casais de vizinhos que se encontram e descobrem ter mais em comum do que as casas idênticas e sobrenomes iguais. Com este ponto de partida, a peça flagra a convivência do quarteto e os relacionamentos que começam a se entrelaçar. Em um hábil jogo de cena, o autor mostra que nem tudo é o que parece ser, fazendo que as situações reflitam, também, sobre os diferentes estágios do casamento.Elogiada pela crítica especializada e com sucesso de público nas temporadas no Rio de Janeiro e São Paulo, montagem terá três apresentações no Teatro SESIMINAS, dias 8 e 9 de outubro, sábado, às 18h e às 21h, e domingo às 19h.
Para a realização de suas atividades, o projeto Teatro em Movimento conta com o patrocínio do Instituto Unimed-BH e Itaú, via Lei Federal de Incentivo à Cultura.
O espetáculo estreou em janeiro deste ano, cumpriu temporadas no Rio e São Paulo, com público de 17 mil pessoas. Pela montagem, Débora Bloch está indicada como Melhor Atriz aos Prêmios Shell de Teatro e Cesgranrio. Neste último, “Os realistas” concorre também nas categorias: Melhor Direção, a Guilherme Weber; Melhor Ator, com Emílio de Mello (atuou nas temporadas do Rio e SP, sendo substituído em BH por Guilherme Weber); e Melhor Cenografia, de Daniela Thomas e Camila Schimdt.Todo o elenco está indicado ao Prêmio Aplauso Brasil.
A estreia de “The Realistic Joneses” marcou a estreia de Will Eno na Broadway em 2014, após vários êxitos no teatro americano. Debora Bloch – que já acompanhava e estudava a trajetória do autor – assistiu à montagem e decidiu produzir o texto no Brasil. Com os direitos cedidos, firmou parceria com Guilherme Weber, que assina a direção da empreitada e tem total intimidade com o universo do dramaturgo: ele ostenta o título de ator que mais encenou Will Eno em todo o mundo.
Para o diretor, “Os Realistas” é um exercício do autor sobre o gênero realista. “É um gênero em que os heróis dão lugar a pessoas comuns. Nesta história, Eno desloca seus personagens para uma pequena cidade interiorana e campestre, em um movimento de alguma maneira também reverente ao teatro de Tchekhov. Este confronto com a natureza, o vasto e o desconhecido faz com que estes personagens se cruzem em uma comédia existencialista sobre vida, morte, amor e vizinhos”, analisa Guilherme Weber, cuja relação com a obra de Will Eno começou em 2003, quando estrelou e assinou a criação com Felipe Hirsch da montagem brasileira de “Temporada de Gripe” (‘The Flu Season’). Depois, seguiu com “Thom Pain – Baseado em Nada” (2006) e “Lady Grey – Em Luz Cada Vez Mais Baixa” (2006), nas quais também atuou e dividiu a criação com Hirsch, e “Ah, a Humanidade e Outras Boas Intenções”, reunião de cinco peças curtas do autor, em que atuou a assinou o projeto junto com Murilo Hauser.
“Os Realistas” marca, ainda, o retorno de Debora Bloch à produção teatral, tarefa que abraçou em meados dos anos 80. De lá para cá, ela foi responsável por espetáculos que marcaram a história recente do teatro brasileiro, como ‘Fica Comigo Esta Noite’ (1990), que lhe rendeu o Prêmio Shell de Melhor Atriz em 1990, ‘Duas Mulheres e Um Cadáver’ (2000), estrelado e produzido ao lado de Fernanda Torres, ‘Tio Vânia’ (2003), em montagem dirigida por Aderbal Freire-Filho que ocupou o Parque Lage. Seu último espetáculo foi o monólogo ‘Brincando Em Cima Daquilo’ (2007/2008), com direção de Otávio Muller.
Will Eno por Guilherme Weber
Will Eno já foi chamado pela crítica nova iorquina de ‘O Samuel Beckett da geração Jon Stewart’, em referência ao apresentador e comediante que esteve à frente do programa Daily News por 16 anos. Aluno de Edward Albee em sua famosa oficina de dramaturgia, foi apontado pelo mestre como o melhor dramaturgo de sua década. Criando códigos originais a partir de suas consagradas referências, como Harold Pinter, além de Beckett e o próprio Albee, Eno foi indicado ao prêmio Pulitzer pelo monólogo ‘Thom Pain – Baseado em nada’.
Em sua primeira experiência como espectador, junto ao seu pai em uma pequena plateia, é que o dramaturgo passa a criar seus códigos de criação, lembrando da delicada situação pela qual passaram os atores daquela montagem quando, ao tentar realizar um truque cênico, foram revelados em sua tentativa de ilusão. Uma cadeira, presa a um fio de nylon, deveria sair do palco em um movimento mágico, conduzida pelo fio invisível. No meio do movimento, a cadeira cai e sai do palco arrastada, como um peixe morto. O truque falhado, a cadeira arrastada, os atores fragilizados e as entranhas do teatro reveladas aos espectadores provocou tal impacto no jovem Eno que a ativação desta memória passou a pautar sua sofisticada escrita, que busca, de diferentes maneiras, recriar esta sensação de perigo e exposição, que em sua obra às vezes acomete os personagens, às vezes os atores e quase sempre os espectadores.
‘Os Realistas’ (‘The Realistic Joneses’, no original) marca a estreia do autor na Broadway. O que faz uma peça como esta no mais tradicional circuito de teatro americano é a pergunta que a maioria dos críticos e espectadores se fizeram ao longo da temporada. Will Eno não é conhecido por suas tramas urdidas para o espectador médio. Mas, ao longo dos meses, os personagens complexos e os diálogos profundos, engraçados e cheios de jogos de linguagem, que são uma das mais fortes características do autor, conquistaram o público através das performances de ourivesaria dos quatro atores. A estreia de Will Eno na Broadway terminou com pleno êxito.
CRITICA
“Quarteto de atores em interpretação vigorosa e refinada. Debora Bloch em atuação irretocável”. (O Globo / Macksen Luiz)
“As admiráveis interpretações sob a direção de Guilherme Weber realçam a humanidade tocante do espetáculo”. (Jefferson Lessa / Veja Rio)
“No palco, quatro atores que honram o teatro com T maiúsculo”. (Martha Medeiros)
Foto: Ricardo Brajterman
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