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Casa Fiat de Cultura inaugura mostra da artista baiana Jessica Lemos, com fotoperformances, pixo e lambe-lambe que retratam o rural e o urbano
A ancestralidade e o feminino elementar afro-indígena estão presentes nas obras da artista
Do rural para o urbano, das fotografias para o lambe-lambe. Foi a partir dessa confluência que a artista baiana Jessica Lemos reuniu os trabalhos que integram “Como pisar suavemente na terra”, nova exposição da Casa Fiat de Cultura. A mostra foi escolhida no 6º Programa de Seleção da Piccola Galleria e ficará em cartaz entre os dias 7 de outubro e 26 de novembro de 2023. Com sete obras, a artista produz uma narrativa sobre memórias afro-indígenas e apresenta rastros de sua infância familiar, experiências com o cultivo da mandioca, aspectos sagrados desse alimento, além de ressaltar o respeito pela natureza. No dia 17 de novembro, às 19h, será realizado um bate-papo virtual com a artista, no YouTube da Casa Fiat de Cultura. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pela Sympla (https://bit.ly/BatePapoJessicaLemos).
Em suas obras, Jessica Lemos elege o rural, representado por sua ancestralidade em fotografias e fotoperfomances; e o urbano, representado pelo que as periferias criaram enquanto expressão artística, com o pixo e o lambe-lambe. Dos dualismos investigados pela artista, é possível encontrar temáticas que fazem um embate à colonialidade e que remetem ao sertão e às suas memórias afetivas. Sua relação com a mandioca – alimento sagrado e importante para a cultura dos povos originários – carrega lembranças da infância e reverencia a transmissão de ensinamentos vindos de sua família. “Foi através do contato com a terra, com a agricultura familiar, dessa conexão ancestral vinda do sertão da Bahia que a mandioca chega a esta narrativa e se torna elemento central da exposição”, explica.
Na série “Apagamento”, a artista Jessica produz seis cópias fotográficas de uma reprodução da pintura Engenho de mandioca (1892), de Modesto Brocos, que retrata uma casa de farinha do período escravocrata. Para este trabalho, ela queima gradualmente as imagens e realiza a montagem em linha reta com os pedaços. “Esta ação surge com o desejo de confrontar as representações de pessoas negras em registros do século XIX, fazendo alusão ao apagamento de sua história”, revela Jessica.
Em contraponto, ela elabora “Raíz de vênus” e fotografa a si mesma com pedaços de mandioca utilizados como indumentária na região do peito, trazendo este elemento para o próprio corpo e ressaltando o seu valor. Assim também acontece nas fotoperfomances “Tudo que a boca come”, sugerindo uma analogia entre o seio que amamenta e a raiz que alimenta, e em “Origem II”, que representa a mulheridade afro-indígena, evocando a figura de uma bruxa-sertaneja. Já em “Travessia”, composta por nove imagens, a artista interage com uma moldura que compõe um portal em meio a natureza. “O corpo está muito presente em minhas imagens. Desta forma, reforço a ideia de que somos natureza”, ressalta.
Tais registros são impressos em lambe-lambe, como uma forma de fazer esse diálogo entre o corpo que sai da terra, da natureza, e o corpo que transita pela cidade. Segundo a artista, o lambe-lambe permitiu que o seu trabalho chegasse a diversos públicos. “O lambe-lambe está livre, na rua, e ao mesmo tempo em que é efêmero, também pode se tornar duradouro. Foi dessa forma que me entendi como artista urbana e representei esse corpo em deslocamento”, explica. Ainda compõem a exposição o pixo com a frase "Fecho os olhos para sonhar, por isso enxergo", e o vídeo performance “Remédio ou veneno?”.
A pesquisadora, educadora em arte e curadora Joyce Delfim, que assina o texto curatorial da exposição, completa reforçando que “nas produções de Jessica, o corpo torna-se permeável com a terra por meio da performatividade. Assim, a artista não escolhe compor com a cidade por uma ode ao urbano ou ao projeto de habitabilidade ocidental moderno que ela significa, ao contrário, ela nos convoca a pisar suavemente na terra.”
A mostra “Como pisar suavemente na terra” é uma realização da Casa Fiat de Cultura e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Conta com o patrocínio da Fiat e do Banco Safra, e copatrocínio do Banco Stellantis e da Brose do Brasil. O evento tem apoio institucional do Circuito Liberdade, além do apoio do Governo de Minas e do Programa Amigos da Casa.
Lista de obras
“Raíz de Vênus”, fotoperformance impressa em lambe-lambe, 2021
“Travessia”, fotoperformance impressa em lambe-lambe, 2020
“Origem II”, foto impressa em lambe-lambe, 2017
“Apagamento”, imagem de arquivo queimada parcialmente e emoldurada, 2021
“Tudo que a boca come”, fotoperformance impressa em lambe-lambe, 2021
“Fecho os olhos para sonhar, por isso enxergo”, pixo, 2023
“Remédio ou veneno?”, vídeo performance, 2023
Bate-papo com a artista
No bate-papo virtual da exposição “Como pisar suavemente na terra”, Jessica Lemos contará sobre sua trajetória como fotógrafa e artista visual, suas memórias, inspirações e as técnicas utilizadas para criar o conjunto de obras presente na exposição em cartaz na Piccola Galleria.
O evento será realizado no dia 17 de outubro, das 19h às 20h, pelo canal da Casa Fiat de Cultura no YouTube. Na oportunidade, o público poderá interagir com a artista por meio do chat virtual, quando algumas perguntas serão respondidas ao vivo. Inscrições gratuitas pela Sympla.
A artista
Jessica Lemos (1993) nasceu em Candido Sales, sertão da Bahia. É fotógrafa e artista visual. Mestre em Processos Criativos pela UFSJ e Graduada em Comunicação pela UFBA. Atualmente, vive e trabalha em Salvador, onde pesquisa performance e arte urbana. Já ministrou oficinas e palestras, nas quais visa abordar a prática fotográfica como forma de auto reconhecimento do indivíduo e de sua existência poética e política no mundo. Em 2021, fez parte do Ciclo de Mostras do BDMG Cultural, com a exposição “E eu não sou uma mulher?” (MG). Em 2020, foi uma das artistas selecionadas para a Residência Artista do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia (PA). Em 2016, foi artista premiada no “X Salão de Fotografias do Mar” (BA). No mesmo ano, lançou seu livro fotográfico Mocamba, uma narrativa sobre o feminino negro em quilombos da Bahia. Esta publicação hoje faz parte do acervo do IMS - São Paulo, através de convocatória nacional. Seu trabalho fala principalmente sobre as relações políticas e sociais na vida de mulheres negras a partir da afro diáspora.
Piccola Galleria
O espaço é destinado a artistas da cena contemporânea e foi criado em 2016, com o intuito de incentivar a produção nacional e internacional. Os artistas são selecionados por uma comissão de especialistas, que, nesta 6ª edição, contou com o artista e curador Raul Córdula; o doutor em Arte e Cultura Visual, João Paulo de Freitas; e pela artista visual, curadora, educadora e gestora cultural, Fabíola Mendonça.
A proposta é apresentar e destacar trabalhos inéditos – pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, fotografias, instalações, performances e/ou videoarte – de artistas locais, brasileiros ou estrangeiros. Além de Jessica Lemos, outros cinco artistas foram selecionados na 6ª edição, e estão sendo exibidos na programação de 2023 e 2024.
Nesta edição, o processo de seleção foi realizado de forma 100% online. Além de agilizar o processo de inscrição, o formato permitiu que pessoas de todo o Brasil participassem, somando quase 300 inscrições, de todas as regiões do país.
As exposições selecionadas no 6º Programa de Seleção da Piccola Galleria são exibidas em um espaço da Casa Fiat de Cultura voltado ao incentivo permanente de expressões artísticas e contam com ações do Programa Educativo, desenvolvidas em conjunto com a curadoria de cada mostra. São realizadas visitas mediadas para públicos agendados e espontâneos, além de ações especiais de comunicação em todos os canais da Casa Fiat de Cultura. A mediação é feita com recursos de acessibilidade, para ampliar o acesso do público e visibilidade dos artistas.
Nas cinco edições já realizadas, o Programa de Seleção da Piccola Galleria apresentou o trabalho de 28 artistas, abrigou mais de 300 obras e recebeu um público de 400 mil pessoas. A sala expositiva é um ambiente dedicado às artes visuais e sua criação marcou os 10 anos da Casa Fiat de Cultura. Situada ao lado do painel “Civilização Mineira”, de Candido Portinari, no hall principal da Casa Fiat de Cultura, o pequeno recinto é destinado a exposições de curta duração, mas com toda a visibilidade que a instituição enseja. Local intimista e com grande circulação de público, conta com a chancela da Casa Fiat de Cultura e do Circuito Liberdade, um dos mais importantes corredores culturais do país.
A Casa Fiat de Cultura
A Casa Fiat de Cultura cumpre importante papel na transformação do cenário cultural brasileiro, ao realizar prestigiadas exposições. A programação estimula a reflexão e interação do público com várias linguagens e movimentos artísticos, desde a arte clássica até a arte digital e contemporânea. Por meio do Programa Educativo, a instituição articula ações para ampliar a acessibilidade às exposições, desenvolvendo réplicas de obras de arte em 3D, materiais em braille e atendimento em libras. Mais de 70 mostras, de consagrados artistas brasileiros e internacionais, já foram expostas na Casa Fiat de Cultura, entre os quais Caravaggio, Rodin, Chagall, Tarsila, Portinari entre outros. Há 17 anos, o espaço apresenta uma programação diversificada, com música, palestras, residência artística, além do Ateliê Aberto – espaço de experimentação artística – e de programas de visitas com abordagem voltada para a valorização do patrimônio cultural e artístico. A Casa Fiat de Cultura é situada no histórico edifício do Palácio dos Despachos e apresenta, em caráter permanente, o painel de Portinari, Civilização Mineira, de 1959. O espaço integra um dos mais expressivos corredores culturais do país, o Circuito Liberdade, em Belo Horizonte. Mais de 3,5 milhões de pessoas já visitaram suas exposições e 600 mil participaram de suas atividades educativas.
SERVIÇO: Exposição “Como pisar suavemente na terra”, de Jessica Lemos, na Piccola Galleria da Casa Fiat de Cultura
Período expositivo: 7 de outubro a 26 de novembro de 2023
Visitação presencial: terça-feira a sexta-feira das 10h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h (exceto segundas-feiras)
Tour virtual no site: www.casafiatdecultura.com.br
Bate-papo virtual com a artista Jessica Lemos
16 de outubro, das 19h às 20h, transmissão ao vivo, com ingressos gratuitos pela Sympla: https://bit.ly/BatePapoJessicaLemos
Casa Fiat de Cultura
Praça da Liberdade, 10 – Funcionários – BH/MG
Circuito Liberdade
Horário de Funcionamento
Terça-feira a sexta-feira, das 10h às 21h
Sábado, domingo e feriado, das 10h às 18h
Informações
www.casafiatdecultura.com.br
casafiatdecultura@stellantis.com
facebook.com.br/casafiatdecultura
Instagram: @casafiatdecultura
Twitter: @casafiat
YouTube: Casa Fiat de Cultura
Foto: Lucas Feres
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