Notícias
cAsA - Obras Sobre Papel será inaugurada dia 8 de outubro
A partir de 8 de outubro, Belo Horizonte ganha um novo espaço voltado à arte e à cultura, a cAsA – Obras Sobre Papel. O espaço tem como princípio abrir suas portas para a realização de exposições, encontros, discussão de ideias e promoção da arte sobre papel em todas as suas manifestações, sobretudo a gravura.
A cAsA vem preencher uma lacuna existente na capital mineira em relação à arte sobre papel. O objetivo é gerar um crescimento da circulação de gravuras, desenhos, aquarelas, fotografias - sedimentar este mercado, valorizando esta cultura, trazendo mostras e novas experiências artísticas.
“As universidades de Belo Horizonte têm formado gravadores há muito tempo e não há um espaço voltado para a movimentação dessas obras. Isso acaba comprometendo tanto a formação do artista, como também o conhecimento do cidadão belorizontino sobre a arte. Vamos incentivar artistas locais e oportunizar pesquisas, assim como estamos empenhados a trazer grandes nomes da gravura para a cidade. A nossa ideia é envolver uma equipe séria, em torno de um acervo importante e ideias auspiciosas. O espaço vai enriquecer o cenário cultural na cidade, pois temos grandes gravadores que muita gente não conhece”, conta TalesBedeschi, que assina a direção artística.
A cAsA – Obra Sobre Papel já reúne um expressivo acervo com obras de representativos nomes, que fizeram história como Goeldi, Abelardo da Hora, Iberê Camargo, Erick Demazieres, Salvador Dali e Picasso. Para a inauguração, será aberta a exposição “Todos André”, com curadoria de Cláudia Renault.
O papel será o principal morador da cAsA. “Toda a ideia que temos de meio para a comunicação, mesmo que pelo celular ou tela do computador, vem do papel. Ele traz a imagem, a carta, os textos teóricos, literários... É um espaço de convivência, de conversa, encontro, exposição, viagem, troca. O papel possibilita tudo isso”, explica Alexandre Fonseca, um dos idealizadores.
ORIGEM DA cAsA – OBRAS SOBRE PAPEL
Alexandre é fotógrafo, músico e fez habilitação em gravura no curso de graduação de artes visuais na UFMG. Com o irmão André Palhano, tecia horas de conversas sobre o papel, dos sonhos e das imagens do mundo. André era advogado, viajava muito e começou a colecionar obras sobre papel. Tinha vontade de abrir um espaço para gravuras. Em 15 de junho de 2012, um acidente o levou para uma viagem maior, sem volta.
Depois disso, Lúcia Palhano, sua mãe, passou a receber obras vindas pelos correios, de diferentes países, que André havia comprado. Alexandre, entusiasta do assunto, foi o professor e incentivador da mãe, que mergulhou neste universo admirada pelas imagens das obras sobre papel, adquirindo mais e mais trabalhos.
Aos poucos, com o apoio do Luiz Carlos Fonseca, seu marido, e o incentivo dos seus dois filhos, cada um à sua maneira, o projeto de dar um lugar a este legado foi tomando forma e ganhou um endereço, na Avenida Brasil, 75, e também um nome – referência ao acolhimento do ambiente ‘casa’ e às letras iniciais dos dois filhos de Lúcia.
EXPOSIÇÃO “TODOS ANDRÉ”
Andre Masson, Andre Lanskoy, Andre Evrard, André Balyon, Andre de Miranda, Andre Toral, Andre Dahmer, Andre Maciel... O que eles têm em comum? O nome, a profissão – são gravadores, e estão na exposição Todos André, que será lançada no dia 8 de outubro, a partir das 19h, na cAsA – Obras Sobre Papel. Com curadoria de Cláudia Renault, a mostra conta com 33 artistas do Brasil e exterior e cerca de 50 obras em gravura em metal, serigrafia, litografia e xilogravura.
“É uma exposição muito interessante, pois a ideia de partir pelo nome é original e a Lúcia conseguiu reunir gravadores com trabalhos raros e belíssimos. Acho que a palavra para essa mostra é diversidade. As obras têm estilos diferentes, cores, temas, são vários gêneros de gravura. Vão despertar identificação em muitas pessoas, pois tocam a diversidade do ser humano”, comenta a curadora.
André foi o primeiro a despertar na mãe a curiosidade pela gravura, mesmo não estando mais presente fisicamente. Depois de muitas pesquisas e também como homenagem ao filho que lhe apresentou este novo universo, ela idealizou a exposição. “No final das contas, estou à procura do André”, comenta. Lucia conclui que a mostra exprime, na sua busca, a experiência do compartilhar, o que ela faz pelo e com o seu “André” e para todos os “Andrés” do mundo. “Somos todos um”, finaliza.
Foto:Elmo Alves
Selecionamos os melhores fornecedores de BH e região metropolitana para você realizar o seu evento.