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Magos das taças: Conheça os profissionais de BH que fazem ‘alquimias de sabores’

Tiago Santos e Conrado Salazar, ambos à frente de casas conhecidas na cidade, relatam técnicas e cuidados para quem escolhe o mercado

Desde o período pré-pandemia para cá, o consumo de gin e whisky, base de grande maioria dos coquetéis, mais que dobrou: o primeiro, por exemplo, passou de 2,2 milhões para 17 milhões de litros anuais entre 2017 e 2022, de acordo com o EuromonitorInternational. O crescimento dos destilados só não é maior que a cachaça, símbolo brasileiro do setor que estagnou na casa dos 500 milhões de litros anuais. Esse cenário vem contribuindo para a efervescência do chamado mercado da coquetelaria e, consequentemente, destacando uma cadeia talentosa de bartenders Brasil afora, os profissionais responsáveis por criar, preparar e servir drinques em bares e eventos em geral.

Em Belo Horizonte, por exemplo, basta dar uma volta em algumas ruas do Centro e zona sul, após às 18h, para perceber a quantidade considerável de drinkerias que surgirame reavivaram prédios emblemáticos da capital. Quem olha de fora pode, inclusive, cometer o equívoco de achar que o bartender executa tarefas simples, comoapenas ‘misturar um punhado de bebidas alcoólicas nas taças’. Mas não: tal como um prato de restaurante estrelado, os drinques não só podem como devem ter beleza, conceito e, principalmente, equilíbrio para o paladar. “Costumo dizer, inclusive, que a coquetelaria é considerada a gastronomia líquida. Deve ser respeitada”, enfatiza o mixologista Tiago Santos, uma das principais autoridades no mercado mineiro, com mais de 20 anos de experiência à frente dos balcões de coquetéis de BH.

Ainda segundo Santos, que atualmente assina a carta de drinques dos irmãos Redentor e Moema, na Savassi, é preciso o mínimo de conhecimento para criar uma receita. “Se o cliente quer, por exemplo, um coquetel com frutas tropicais e uma delas é o maracujá, não posso recorrer ao limão como complemento. Caso contrário a bebida ficará excessivamente ácida. Vale lembrar que dois ingredientes muito ácidos não trazem uma experiência agradável para o paladar. É preciso, portanto, entender de misturas, aromas, equilíbrio e todos os demais detalhes referentes aos ingredientes da bebida”, explica.

Colega de profissão de Tiago, o também bartender Conrado Salazar, responsável por deixar seu DNA nos drinques do Piratas Food Beer e Drinks, no bairro União, e BençaBençoi Bar & Café, na Lagoinha, acrescenta que o profissional da área deve, necessariamente, ter uma constante preocupação com a qualidade do trabalho, os processos executados e a padronização das receitas. “Precisão é a palavra chave,afinal os clientes fieis sempre voltam esperando tomar o mesmo drinque da última visita ao bar. Então é fundamental saber a medida de cada mililitro de destilados usados no preparo. Se a bebida estiver diferente, seja mais doce, mais ácida ou menos concentrada, certamente eles vão questionar”, pontua o especialista acrescentando que técnica, em um primeiro momento, é bem mais importante que talento. “O profissional iniciante deve, primeiro, aprender o ‘beabá’ e seguir, diariamente, o passo a passo, para depois, já com experiência na bagagem, se permitir ser autoral. Qualquer bartender só conseguirá imprimir sua identidade à medida que compreender as nuances das misturas e combinações”, completa.

Conrado também ressalta que, para além de deixar seu ‘estilo’ nos coquetéis que prepara, o bartender deve, muitas vezes, trabalhar em prol da casa que atende. “Você pode até, enquanto profissional, ter suas escolhas e preferências, mas se trabalha para um determinado estabelecimento ou presta serviço de consultoria, deve entender qual é o conceito do local para traduzi-lo nas bebidas. Em suma, é uma área fascinante, capaz de despertar emoções sensoriais, mas não se enganem: não é e nunca será para amadores”, finaliza.

Foto: Victor Schawaner

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