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Encontro inédito entre Zé Miguel Wisnik e OSMG promete ser um dos momentos musicais mais relevantes de 2016 em Belo Horizonte
O indicado ao Grammy Latino e vencedor do Prêmio Jabuti de literatura, Zé Miguel Wisnik, é o convidado da Fundação Clóvis Salgado para a próxima edição do projeto Sinfônica Pop. Pela primeira vez em sua carreira, Wisnik se apresenta ao lado da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e traz sua alma musical e poética ao palco do Grande Teatro do Palácio das Artes.
Sob regência do maestro Silvio Viegas, o multifacetado artista, que além de músico e compositor, é escritor, ensaísta e professor universitário, interpreta seus trabalhos mais importantes, que vão desde as letras para cantores da MPB a trilhas sonoras para filmes nacionais e espetáculos de dança.
Para celebrar essa trajetória Wisnik se une à OSMG para interpretar composições relevantes em sua carreira como Se meu mundo cair e Mais Simples, do álbum José Miguel Wisnik (1992); Assum Branco e Terra Estrangeira, do disco São Paulo Rio (2000); Anoitecer, do disco Pérolas aos Poucos (2003); e Serenata, versão abrasileirada da composição de Schubert, Tenho Dó das Estrelas, Cacilda e Moral Louca, de Indivisível (2011), além de trabalhos colaborativos como Xique-Xique, composta em parceria com Tom Zé e que fez parte da trilha sonora do espetáculo Parabelo (1997), do Grupo Corpo.
Os arranjos foram criados especialmente para esse encontro e são assinados por Marcelo Ramos, regente e professor da Universidade Federal de Minas Gerais; pelo pianista Fred Natalino e pelos músicos paulistas André Mehmari, Tiago Costa, Rodrigo Morte e Vagner Cunha, companheiros de Wisnik em diversos trabalhos.
Segundo o regente titular da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Silvio Viegas, por ser um artista versátil e um notório compositor, Wisnik alia sua vivência lírica e seu conhecimento musical para dialogar com o universo erudito. “A linguagem do músico popular, muitas vezes, o distancia do músico de Orquestra. Com o Zé Miguel Wisnik isso não acontece, pois ele tem uma vivência de estilos muito rica. Tudo o que ele faz se torna muito próximo e a comunicação com a Orquestra é ainda mais fácil”, destaca Silvio Viegas.
Difusão da música sinfônica – O Sinfônica Pop é um projeto em que a Fundação Clóvis Salgado convida artistas brasileiros de renome para apresentar o rico repertório da MPB junto com a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais. Nessa parceria artística, a OSMG mostra sua versatilidade e proporciona ao público uma forma singular de fruição da música popular, além de gerar um importante acervo de arranjos orquestrais. Desde a estreia, em 2011, o Sinfônica Pop recebeu nomes como Wagner Tiso, Zizi Possi, Nana Caymmi, João Bosco, Milton Nascimento, Lenine, Filipe Catto, Mônica Salmaso, Luiz Melodia e Elba Ramalho. Mais de 30 mil pessoas já assistiram às apresentações da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais com as personalidades da MPB, em mais uma iniciativa da Fundação Clóvis Salgado para difusão da música sinfônica.
Artista singular e plural – Com mais de quatro décadas alternando música, literatura e a Universidade, Zé Miguel Wisnik é considerado um dos maiores compositores da música brasileira e já lançou quatro álbuns em estúdio. Além de ter deixado sua assinatura em discos de Maria Bethânia, Gal Costa, e Zizi Possi, Wisnik já firmou parcerias musicais com Caetano Veloso e Chico Buarque e produziu álbuns icônicos como Do Cóccix Até o Pescoço (2002), de Elza Soares, que rendeu um novo encontro entre os dois no CD A Mulher do Fim do Mundo (2015), quando musicou os versos de Oswald de Andrade, na canção Coração do Mar.
O artista também compõe trilhas para espetáculos de dança e de teatro e de produções cinematográficas. Entre seus trabalhos mais notórios estão as composições para quatro montagens do Grupo Corpo: Nazareth (1993), Parabelo (1997), Onqotô (2005), junto com Caetano Veloso; e Sem Mim (2011). Sucesso de crítica e público, o filme Terra Estrangeira (1996), de Walter Salles Jr e Daniela Thomas, conta com a genialidade de Wisnik na música que dá título à obra, assim como A mulher do atirador de facas, curta-metragem de Nilson Villas-Boas, vencedor da categoria Música Original para Curta-metragem no Festival de Cinema de Gramado, em 1989.
A versatilidade de Wisnik vai além dos estúdios de gravação. Frequentemente, o artista escreve ensaios sobre música brasileira. É também autor dos livros O som e o sentido – Uma outra história das músicas (1989), Sem receita – Ensaios e canções (2004), Machado maxixe – O caso Pestana (2008) e Veneno remédio – o futebol e o Brasil (2008), obra que rendeu a Wisnik, em 2009, o Prêmio Jabuti na categoria Ciências Humanas.
Um novo olhar para a própria música – Com passagens pelos repertórios erudito e popular, Zé Miguel Wisnik destaca a relevância da série Sinfônica Pop em mesclar universos musicais tão distintos e conseguir aproximar o público. “A Sinfônica Pop é uma iniciativa maravilhosa, que abre passagens da música popular para a música de concerto, e vice-versa, aproxima os repertórios, os públicos, dinamiza a orquestra. Ao mesmo tempo, não é fácil nem óbvio realizá-la musicalmente. Arranjos orquestrais de canções não devem ser simplesmente ‘vestimentas’ sinfônicas, mas recriações, observando as singularidades de cada canção, caso contrário elas podem ficar soterradas sob o peso sinfônico, ou excessivamente grandiosas, mas com artificialidade. Felizmente a série Sinfônica Pop tem mostrado que sabe disso. De todo modo, é uma grande aventura”, destaca.
Segundo Wisnik, esse é um dos momentos mais importantes de sua carreira, pois se apresentar junto a uma Orquestra é uma forma de estimular sua criatividade musical. “Os concertos com a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais têm um alcance inédito e muito novo para mim. Revisitar essas canções com novos arranjos é um grande prazer. O Sinfônica Pop é um projeto muito generoso para com o artista convidado, permitindo que ele apresente o seu trabalho sob vários prismas”, destaca.
Entre a universidade e a música – Nascido em São Vicente, cidade no litoral do estado de São Paulo, em 1948, José Miguel Marques Wisnik começou a estudar música aos sete anos de idade. A primeira experiência no palco foi durante um concerto erudito, quando interpretou Concerto Nº 2, de Camille Saint-Saëns, ao lado da Orquestra Municipal de São Paulo. Enquanto o jovem músico descobria seu gosto pelo palco, outro artista desabrochava em Wisnik: o escritor. Ainda na infância, descobriu a obra de Monteiro Lobato na biblioteca particular de seu tio e, o amor pela escrita fez com ele se formasse em Letras, no fim da década de 1960. Cursou mestrado e doutorado em teoria literária, publicando vários ensaios sobre literatura e música.
Começou a escrever as primeiras canções no mesmo período em que estava na faculdade. Em 1968, Alaíde Costa interpretou Outra Viagem, composição de Wisnik que teve grande destaque no Festival Universitário da TV Tupi. Foi só no início da década de 1990 que o artista passou a se dedicar à música. Tornou-se, naquele período, um dos grandes parceiros do Grupo Corpo, compondo diversas trilhas para espetáculos da companhia mineira de dança. Em 1998, fez uma releitura da clássica Assum Preto, de Luiz Gonzaga. A nova canção, Assum Branco, foi elogiada pela crítica especializada e, no mesmo ano, integrou o repertório do disco Aquele Frevo Axé, de Gal Costa. Seu mais recente trabalho é o álbum Ná e Zé (2015).
Além de sua paixão pela música, divide seu tempo entre as aulas de Literatura Brasileira, na Universidade de São Paulo. Também atuou como professor convidado na Universidade da Califórnia (Berkeley) e na Universidade de Chicago. Recebeu mais de uma vez o Prêmio Jabuti de Literatura, o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte, o prêmio do Festival de Cinema de Gramado. Em 2009, recebeu a Ordem do Mérito Cultural, condecoração do Ministério da Cultura a pessoas, grupos artísticos, iniciativas ou instituições que contribuem para o fomento da cultura brasileira.
Silvio Viegas – Silvio Viegas é Mestre em Regência pela Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais. Foi maestro titular da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro por oito anos e esteve à frente de orquestras como a Sinfônica Brasileira; Sinfônica de Minas Gerais; Filarmônica do Amazonas; Orquestra Sinfônica de Roma e Orquestra da Arena de Verona (Itália); Sinfônica do Teatro Argentino de La Plata (Argentina); Sinfônica do Sodre (Uruguai) entre outras. Atualmente, é o regente titular da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e Professor de Regência na Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Orquestra Sinfônica de Minas Gerais – Criada em 1976, a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, corpo artístico gerido pela Fundação Clóvis Salgado, é considerada uma das mais ativas Orquestras do país. Em 2013, foi declarada Patrimônio Histórico e Cultural do Estado de Minas Gerais.
Em permanente aprimoramento da sua performance, a OSMG cumpre o papel de difusora da música erudita, diversificando sua atuação em óperas, balés, concertos e apresentações ao ar livre, na capital e no interior de Minas Gerais. Como iniciativas de destaque, podem ser citadas as séries Concertos no Parque, Sinfônica ao Meio-dia e Sinfônica em Concerto, além de grandes sucessos da música popular brasileira com a Série Sinfônica Pop.
Em 2016, Silvio Viegas assume o cargo de Regente titular da OSMG. Antes dele, foram responsáveis pela regência: Wolfgang Groth, Sérgio Magnani, Carlos Alberto Pinto Fonseca, Aylton Escobar, Emílio de César, David Machado, Afrânio Lacerda, Holger Kolodziej, Charles Roussin, Roberto Tibiriçá e Marcelo Ramos.
Foto: Renato Stockler
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