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Reestreia com novidades_Espetáculo_"Lazarillo de Tormes"_última obra de João das Neves
Último trabalho dirigido pelo artista, volta a Belo Horizonte, dentro do Ciclo João das Neves, que reúne atividades dedicadas à vida e obra do diretor carioca.
De 3 a 6 de outubro acontece a temporada de reestreia do espetáculo “Larazillo de Tormes”. Último trabalho dirigido por João das Neves, a peça fica em cartaz na Funarte, de quinta a sábado, às 20h, e domingo, às 19h. No elenco, Glicério Rosário, Rodrigo Cohen e Chico Anibal, substituindo João. Participação especial de Titane. Os ingressos estão à venda na bilheteria do teatro ou pelo sympla a R$20 e R$10 (meia). Classificação indicativa: livre. Gênero: novela picaresca medieval. Duração: 75 minutos. Mais Informações para o público: (31) 3213-3084.
O trabalho continua praticamente inédito em Belo Horizonte, devido às poucas apresentações desde a estreia em 2016. Na ocasião, João das Neves já estava com quadro de saúde avançado e o espetáculo teve uma vida curta. “Essa temporada será uma ótima oportunidade para o público mineiro entrar em contato com a última obra realizada por João, em momento de maturidade artística”, explica a cantora Titane, companheira de vida do artista.
SOBRE O ESPETÁCULO
A descoberta inusitada do que pode ser o texto original da obra criada na Espanha no século XVI é o fio condutor da peça em que João das Neves traz como protagonistas os operários que, durante a reforma de um Castelo medieval, acidentalmente, derrubaram uma parede e descobriram ali uma biblioteca oculta há mais de quatro séculos. Nela, provavelmente protegida dos olhos da Santa Inquisição por seu proprietário, encontrava-se, entre outros, cuidadosamente embrulhado o que se presumiu ser o texto original da obra.
O Lazarillo de Tormes é, talvez, o grande precursor dos romances picarescos. Editado pela primeira vez em Medina del Campo, em 1554, cinquenta e um anos anteriores à primeira edição do Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, teve uma trajetória tão ou mais mirabolante que seu anti-herói, que dá título ao livro. Com efeito, a edição em que o autor e diretor teatral João das Neves se baseou para sua adaptação teatral parece impregnada de um percurso tão acidentado quanto foram as peripécias vividas pelo próprio Lazarillo.
Partindo do próprio acaso da descoberta do original do romance, João das Neves elaborou um texto que desvela o teatro dentro do teatro. Ao mesmo tempo leve, divertido, sério e contundente. Todo em versos que nos remetem à literatura de cordel e aos desafios dos cantadores nordestinos ou às rimas dos MCs de Hip Hop, esta versão nos conduz, pelas mãos da literatura popular, a um Brasil profundo, onde a existência de mazelas se mescla ao desafio de enfrentá-las com humor e confiança em nossas possíveis ações, capazes de erradica-las para todo o sempre.
Neste Lazarillo, vamos reencontrar o ancestral de inúmeros de nossos tipos populares e míticos tais como Pedro Malazartes, João Grilo, Macunaíma, Besouro Cordão de Ouro e tantos e tantos outros, presentes, quer na literatura de cordel nordestina, quer nas peças teatrais de Ariano Suassuna, Martins Penna, Francisco Pereira da Silva, Mário de Andrade, Paulo Cesar Pinheiro etc, a atestar a pujança de nossas origens ibéricas que aqui deitaram raízes e se enriqueceram com as contribuições indígenas e africanas.
))) Sinopse
Em velha mansão espanhola, ao derrubarem uma parede dois operários descobrem, ali, uma biblioteca com livros ocultos aos olhos da Santa Inquisição. Da leitura de um desses livros, o anônimo do século XVI Lazarillo de Tormes, resulta a ação da adaptação realizada pelo dramaturgo João das Neves.
Com uma ação extremamente ágil que joga com elementos circenses, da comédia Dell’Arte, do teatro de bonecos, e dos romanceiros populares o autor recria a saga deste legítimo ancestral de nossos heróis ou anti-heróis populares como Pedro Malasartes, João Grilo ou Macunaíma.
SOBRE JOÃO DAS NEVES
Com 60 anos de atuação na cena teatral brasileira, o dramaturgo, diretor, ator e escritor João das Neves recebeu em 2015 importantes homenagens, como da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, Sesc Palladium, em Belo Horizonte, e o Itaú Cultural, em São Paulo, que vem somar aos prêmios diversos com que já foi contemplado, como o Molière, Bienal Internacional de São Paulo, APCA, Golfinho de Ouro e Quadrienal de Praga. João das Neves mantém-se em atividade teatral de forma permanente e inovadora, desde os tempos dos Centros Populares de Cultura (CPC) e do Teatro Opinião, do qual foi um dos fundadores ao lado de Ferreira Gullar, Vianinha e outros nomes fundamentais do teatro brasileiro.
Com o Grupo Opinião que estreou em 1964 o antológico Show Opinião, reunindo no palco, num protesto contra a ditadura, Nara Leão, Zé Keti e João do Vale, João das Neves trabalhou ao até fim da ditadura em 1984, buscando novos modelos dramatúrgicos para flagrar a nova realidade instaurada pelo regime militar.
Sua primeira peça a arrebatar o teatro latino americano, foi O Último Carro. Nas décadas seguintes, João das Neves faria uma série de bem sucedidas experiências teatrais envolvendo temáticas e situações as mais diferenciadas, como o trabalho com atores não profissionais, a criação do grupo Poronga, no Acre, várias encenações em espaços não convencionais, com adaptações de obras literárias de autores como Guimarães Rosa e de João Silvério Trevisan.
Este encenador tem uma história particularmente bela com a música. Entre os nomes que dirigiu figuram Milton Nascimento, Chico Buarque e MPB4, Taiguara e, recentemente, Elomar e Titane. Óperas contemporâneas, como Qorpo Santo, de Jorge Antunes ou cantatas, como Continente Zero Hora, de Rufo Herrera, nas quais atuou, acentuam sua ligação com a música e com os músicos.
Mantém um espaço de produção intelectual sobre o fazer teatral em publicações europeias e latino-americanas, além de editar traduções, poemas e livros de ficção para crianças que receberam inúmeras premiações. Como colaborador das Revistas Humboldt (Bonn, Alemanha) e Palavra (Belo Horizonte), publicou ensaios sobre o teatro contemporâneo, a nova dramaturgia e o universo indígena no teatro brasileiro. Em 2003, assina contrato com a Editora Dimensão para reedição do texto teatral infantil “A Lenda do Vale da Lua” (prêmio SNT/1975) e tem publicada, pela mesma Editora, a 4a. edição de “Por Um Triz a Elis Ficava Sem Nariz”.
Nos últimos tempos, dirigiu muitos espetáculos como A Santinha e os Congadeiros, que levou ao palco, com elenco de congadeiros, um mito fundador das Irmandades do Rosário do Congado mineiro; Besouro, Cordão de Ouro e Galanga Chico Rei, ambos também com temática afro brasileira, numa parceria de sucesso com Paulo César Pinheiro autor dos textos e músicas; Zumbi, de Boal e Guarniere com música de Edu Lobo; A Farsa da Boa Preguiça, texto de A.Suassuna e Aos Nossos Filhos, de Laura Castro e mais recentemente dirigiu a peça Madame Satã, em versão adaptada pelo Grupo dos Dez para o Oficinão do Galpão, em Belo Horizonte.
Entre os anos de 2014 e 2015, João das Neves, contemplado pelo Rumos Itaú Cultural, teve seu acervo de cerca de 60 anos de teatro brasileiro inteiramente restaurado. Nestes anos, também lançou o espetáculo Madame Satã, co-dirigido por Rodrigo Jerônimo e dirigiu pela primeira vez sua peça teatral “A Lenda do Vale da Lua”, escrita em 1975, recomendado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, encenada dezenas de vezes, mas nunca pelo autor.
Ao completar 82 anos de idade e 60 de teatro, João das Neves – constantemente brincando com as possibilidades da linguagem teatral – tem como principal projeto a encenação do texto inédito YURAIÁ – o rio do nosso corpo, nascido de sua convivência com os índios Kaxinawá do Rio Jordão/Acre, que também integrarão o espetáculo.
Conhecedor da cultura brasileira viajou e residiu em diversos estados, trazendo sempre elementos das culturas do interior do país para sua dramaturgia. No Rio de Janeiro e São Paulo, onde viveu os primeiros anos 30/40 de trabalho, depois Salvador, Rio Branco e Minas Gerais, lugares onde residiu/reside, João das Neves vem deixando sua marca como encenador e pensador do teatro contemporâneo, afora os diversos lugares por onde transitou com mais frequência, a exemplo do México e da Alemanha.
Foto: Lenynsson Cunha
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