Notícias
Letra em Cena. Como ler Manoel de Barros - Programa literário será dia 2, com leitura de poesias por Odilon Esteves
O poeta mato-grossense Manoel de Barros (1916 – 2014) é o homenageado do programa literário do Centro Cultural Minas Tênis Clube, “Letra em cena. Como ler...”, no dia 2 de outubro, às 19h, no Café do CCMTC. A professora de literatura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Lúcia Castello Branco analisará a obra do poeta, apelidado de caramujo–flor, que publicou mais de 20 livros e foi traduzido para o espanhol, o francês e o inglês. Aclamado pelos críticos como o melhor poeta brasileiro da contemporaneidade, Manoel de Barros apresentava em seus versos elementos regionais de forma a exemplificar questões existenciais, se inspirava na realidade imediata que o cercava, especialmente na natureza. O ator Odilon Esteves, da Cia Luna Lunera, fará a leitura de poesias do autor homenageado. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site: www.sympla.com.br.
Segundo Lúcia Castello Branco, o poeta tinha uma linguagem coloquial com o objetivo de ir ao cerne da língua. “Manoel se preocupava, como ‘mendigo superior’ (como gosto de chamá-lo) em tocar as raízes primitivas da língua e evocar o que ele chamava de ‘idioleto manoelês arcaico. O primitivo sempre atraiu Manoel. E a poesia, produzida, sobretudo, pela chamada vanguarda europeia — Rimbaud, Verlaine, Mallarmé — e pelos modernistas brasileiros e portugueses— Oswald e Mario de Andrade e Fernando Pessoa — foram sua fonte de leitura e de referência. Daí advém sua ‘vanguarda primitiva’”, explica a professora.
A poesia do caramujo–flor tem paisagens naturais e cenários pantaneiros muito presentes, de acordo com Lúcia Castello Branco, uma das características de sua escrita. “Manoel de Barros coloca em seu texto, como paisagem de fundo, imagens do pantanal, mas não se constitui numa poesia propriamente regionalista, pois se constrói de recursos muito próprios a certa vanguarda europeia, herdeira do surrealismo”, afirma a professora, que dá dicas para os interessados em começar a ler Manoel de Barros. “Indico, para iniciantes, todos os poemas do ‘Glossário de Transnominaçōes’, que está em ‘Gramática Expositiva do Chão’, e os poemas de ‘O Guardador de Águas”, que podem ser lidos em contraposição aos poemas de ‘O Guardador de Rebanhos’, de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa”, aconselha.
Foto: Miriam Fichtner
Selecionamos os melhores fornecedores de BH e região metropolitana para você realizar o seu evento.
