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Breve Cia Leva Poesia, Sonhos E Valorização Da Comunidade Lgbtqia+ Negra Em Temporada Do Espetáculo “Abismo” Para Centros Culturais De Belo Horizonte

Espetáculo ABismo com dramaturgia e interpretação de Amora Tito, artista trans não binarie negra, leva para Centros Culturais de BH, entre os dias 16 e 30 de setembro, a vivência e o protagonismo de personagens que, comumente, são silenciados e reduzidos

Um espetáculo tão intenso quanto reflexivo. Uma obra que envolve e interage com o quem a assiste, provocando risadas e indagações sobre o que é realidade e sonho. Essa é a sensação do público ao assistir a peça “ABismo”, escrita e interpretada por Amora Tito, que teve sua estreia na última semana de julho no Teatro Francisco Nunes. Reverberando os aplausos do público que marcou presença na estreia, Breve Cia realiza mais uma temporada de circulação pela capital mineira. Desta vez, as apresentações serão gratuitas em três Centros Cullturais no mês de setembro. No sábado, 16, no Centro Cultural São Geraldo; já no sábados, 23 e 30, as apresentações acontecem respectivamente, no Centro Cultural Urucuia e no Centro Cultural Vila Fátima. Não é necessária retirada de ingressos. Demais informações estão disponíveis no Instagram https://www.instagram.com/brevecia/.

“ABismo” nasce do desejo de transcender e ressignificar histórias e memórias de corpas trans valorizando a arte produzida por essas comunidades, rompendo com estereótipos e promovendo diálogos e trocas construtivas além de denunciar violências sofridas pela comunidade trans negra. “A ideia é pensar a realidade fora do olhar branco cisgênero, em uma fuga dos estereótipos e monstros que foram inventados por essa sociedade a fim de chegar a uma realidade em que se possa ter outras utopias, em um cenário de amor transcentrado”, comenta Amora. 

Eli Nunes, que assina maquiagem, direção e também a preparação corporal, conta que o histórico do espetáculo e de sua preparação traz investigações de linguagens corporais do Vogue que vem do universo da Ballroom associados à aspectos ancestrais de linguagens que antecedem corpos negros no Brasil. “Ballroom é uma linguagem de dança performativa, que vem ganhando muito espaço, em especial no Pop. Uma dança que surgiu nos EUA nos anos 80 com as femme queen, como eram chamadas as travestis na época. A gente trouxe a bagagem da Amora na capoeira para conectar essas linguagens ancestrais através da herança do corpo e do movimento”. Eli ainda conta que organizar estes elementos à forma de Amora escrever o texto foi um processo interessante. “Ela nomeia de dramaturginga, de pedagoginga que é a maneira de inserir possibilidades dentro de um cenário social em que nossos corpos não são contemplados, vistos e ouvidos”.

Com base em vivências e aspirações de novas realidades, “ABismo” tem o sonho como elemento primordial. Desejos e aspirações em vida, e também no plano do etéreo, se misturam no adormecer e o que é estar acordado. Com isso, figurino e cenário, ao mesmo tempo que se apresentam como um quarto com cama, roupa de dormir, apresentam-se também como elementos de uma festa. Amora Tito explica que isso evidencia o debate acerca das possibilidades de realização da corpa em sua jornada terrena, aquela que se move e constantemente transforma seu próprio espaço - o sonhado e o real. “Corpas trans negras produzem poesia, dramaturgia, teatro e o que mais eles quiserem, para isso se faz necessário espaço, investimento em políticas públicas e valorização de suas pesquisas”. 

Descentralizar a arte - As favelas e periferias são pólos de cultura e produção artística, mas, normalmente, o consumo da arte no geral está concentrado nos centros das cidades, afastando de quem produz a possibilidade de prestigiar seu trabalho. Embora levar uma equipe composta em sua maioria por pessoas LGBTQIA+ para palcos de um prestigiado espaço cultural como Teatro Francisco Nunes seja um passo de comemoração para a Breve Cia, a circulação de “ABismo” também busca descentralizar o consumo e acesso ao teatro com a apresentação em Centros Culturais. Esses equipamentos públicos, geridos pela Prefeitura de Belo Horizonte, buscam fortalecer o desenvolvimento cultural, o exercício dos direitos culturais e a promoção da cidadania. 

Encerrando a temporada, o Centro Cultural Vila Fátima recebe “ABismo” recebe o espetáculo ABismo no próximo sábado dia 30, às 19h. “A Breve companhia busca sempre descentralizar os seus trabalhos. Nós somos artistas oriundas de regiões longe do centro, então não faria sentido que fosse de outro jeito. É importante ocupar o lugar de onde eu vim, porque foi onde eu também descobri a arte. Foi onde eu comecei, num grupo de teatro de bairro, onde eu descobri pela arte outras formas de levantar questões a partir da metáfora, de uma forma mais lúdica, mais metafórica, como outras possibilidades de levantar coisas que estão pulsantes em mim”, destaca Amora. 

As apresentações anteriores aconteceram no Centro Cultural São Geraldo, localizado na Zona Leste no Centro Cultural Urucuia, no Barreiro.

Teatro negro - A Breve Cia acredita que o teatro negro tem um papel fundamental na construção social. Amora Tito explica que as criações do grupo transpõem, dão vazão e ecoam vozes que são silenciadas e muitas vezes reduzidas a números percentuais em estatísticas de violência. “Por meio da encenação de textos autorais baseados em histórias reais, nosso espetáculo transforma essa estatística em um personagem com nome e sobrenome que narra suas próprias histórias e memórias, um modo de resistir e denunciar o silenciamento, invisibilidade e apagamento histórico que a população negra é submetida, ressignificando e reinventando o banzo, dores e angústias”. Durante o processo de concepção do espetáculo, a contribuição poética de Conceição Evaristo com seu conceito das “Escrevivências” fez toda a diferença. O termo "escrevivências", cunhado pela escritora, expressa a ideia de que a escrita é uma forma de ecoar vozes e dar visibilidade às experiências vividas, especialmente aquelas que foram historicamente marginalizadas e silenciadas.

O espetáculo ABismo é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte

Sobre Amora Tito - é uma artista trans não binarie negra que investiga as dramaturgias contemporâneas por meio das Escrevivências, conceito cunhado pela escritora negra Conceição Evaristo.

Sobre a Breve Cia - Composta por Amora Tito, Anair Patrícia e Renata Paz, fundada em 2016 desenvolve pesquisas teatrais, tanto cênicas, quanto pedagógicas por meio de poéticas, estéticas e pedagogias negrorreferenciadas para a emancipação de corpos/as e narrativas dissidentes.

Sinopse: Encontro em uma encruzilhada todas que EU sou, todas que EU fui, todas que EU serei .Quem sou EU agora?

Ficha técnica: 
Atuação e dramaturgia: Amora Tito
Direção: Anair Patrícia e Eli Nunes
Produção: Mexerica Cultural (Kelli Oliveira e Thayná Lima)
Iluminação: Gato de Luz (Régelles Queiroz)
Preparação vocal: Michele Bernardino
Preparação corporal: Eli Nunes
Figurino: Kellé
Arte visual: vidra
Trilha Sonora: Manu Ranilla
Cenário: Anair Patrícia
Serralheiros: Carlos Alves e Helbert Gomes
Workshop de efeitos sonoros: Débora Costa
Workshop de maquiagem: Eli Nunes
Fotografia: Lírio Santos e Silva
Assessoria de comunicação: Mexerica Cultural (Luciana Assunção)
Financeiro: Mexerica Cultural (Tereza Assunção)
Apoio: Espaço Aberto Pierrot Lunar
Assessoria de imprensa: Fortalecência Assessoria

SERVIÇO
O QUE: Espetáculo ABismo
QUANDO E ONDE: 
30/09 às 19h: Centro Cultural Vila Fátima (R. São Miguel Arcanjo, 215 – Vila Nossa Senhora de Fátima)
INGRESSOS: Entrada gratuita. Não é necessária a retirada de ingressos. 

Foto: Lirio Santos e Silva

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