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Grupo do Dez inicia circulação gratuita por três regionais de Belo Horizonte de “Dandara Para Todas As Mulheres”

A nova temporada tem as participações especiais das atrizes Kátia Aracelle e Andréa Rodrigues, dos músicos Débora Costa, Bruno e Thiago Quintino (banda A Carta) e de mulheres de comunidades periféricas da cidade. A entrada é gratuita

Luta, solidão e resistência da mulher negra contemporânea contra o machismo e o racismo. É nesse contexto que o Grupo dos Dez retorna aos palcos com o espetáculo cênico-musical “Dandara Para Todas As Mulheres”, para circulação por três regionais de Belo Horizonte no mês de outubro: dia 01/10, às 19h (Centro Cultural Usina de Cultura), dia 06/10 às 14h (Centro Cultural Venda Nova) e dia 08/10, às 19h (Centro Cultural Vila Santa Rita). Com referência teórica no livro “Mulher, Raça e Classe”, da filósofa estadunidense Angela Davis, a montagem aborda a luta feminista sob a perspectiva da militância negra feminina, a partir de histórias e relatos reais.

O espetáculo tem direção e atuação da cantora e atriz Bia Nogueira, que também assina a dramaturgia ao lado de Marcos Fábio de Faria, assistência de direção de Rodrigo Jerônimo e direção musical de Débora Costa. O espetáculo conta com as participações especiais das atrizes Kátia Aracelle e Andréa Rodrigues, de mulheres de comunidades periféricas da cidade e da banda “A Carta”, formada por Débora Costa, Bruno e Thiago Quintino. A entrada é gratuita, mediante retirada de senha no local. Após as apresentações será realizado o debate “Representatividade nas artes: Limites e perspectivas”.

“Dandara Para Todas As Mulheres” estreou em janeiro de 2020 a partir do desejo de Bia Nogueira e do Grupo dos Dez em trazer a reflexão sobre o ser mulher e, mais especificamente, sobre o ser mulher negra. O espetáculo evoca a figura quase mítica de Dandara para provocar a discussão em torno da solidão, da luta, da resistência, do ofício, do amor e da maternidade pela mulher negra. Para a diretora Bia Nogueira - cantora, atriz e diretora musical do premiado espetáculo Madame Satã, dirigido por João das Neves e Rodrigo Jerônimo –, a montagem “é mais do que um espetáculo cênico-musical, é uma celebração por estarmos vivas. Uma obra para ver, sentir e dançar, mostrando que a vida resiste e que a arte insiste em tornar um mundo melhor para todos”, define a diretora.

Bia Nogueira conta que a ideia original era fazer um solo, mas a obra ganhou acento documental com a presença em cena de relatos de 15 vozes femininas. “Durante o processo, fiz um chamado às mulheres negras. Em oficina comigo, elas experimentaram a pesquisa estética do Grupo dos Dez que é a ação-musical-dramatúrgica. Nesse encontro, discutimos juntas as histórias de opressão vividas por elas e isso acabou virando cena”, conta.

O espetáculo tem como peculiaridade o seu processo de montagem, que se mantém aberto a novas estruturas cênicas. É nesse contexto, que cada nova circulação conta com as participações de mulheres de comunidades periféricas e de artistas convidadas. “A dramaturgia de Dandara se renova a cada temporada, com novos personagens, histórias, experiências, vivências. É um espetáculo fluído, que tem esse respiro. Acreditamos que assim estamos cumprindo os objetivos e conceitos mais profundos de utilização da arte como forma de representatividade e de fortalecimento de temáticas urgentes em nossa sociedade”, destaca Bia Nogueira.

A temporada 2022 terá em cena sete mulheres convidadas, que participaram das oficinas do Grupo dos Dez. Bia Nogueira exalta que o grande momento do espetáculo é a vivência que essas mulheres colocam em cena. “As oficinas são não apenas um espaço de debate político sobre a problemática da mulher na sociedade e o machismo, mas um espaço de compartilhamento e pertencimento. Usamos como referência teórica o livro “Mulher Raça e Classe”, da filósofa estadunidense Angela Davis, e a leitura de trechos da obra provoca uma série de reflexões, discussões e descobertas. Muitas mulheres entendem ali, naquele momento, que já sofreram ou sofrem algum tipo de abuso”, explica a artista, que completa: “as oficinas são abertas a mulheres Cis, Trans, não-binaries, negras, indígenas e brancas. A ideia é dialogar com esses corpos e colocar toda essa diversidade do que é ser mulher em cena. Por isso Dandara é para ‘todes’ as mulheres.”

A pesquisa estética e musical de “Dandara Para Todas As Mulheres” também é uma particularidade. O processo de criação traça uma linha de investigação entre o teatro e a música, e resgata um desejo antigo de Bia Nogueira de unir as duas linguagens, especialmente a interseção da música eletrônica e da música acústica, executadas ao vivo, em interação com projeções de vídeo, resultando em uma obra multimeios. “O resultado dessas pesquisas e experimentações é um novo contorno ao sentido estético-musical. A metodologia de montagem dos espetáculos do Grupo dos Dez se inspira no processo daqueles que consideramos os nossos mestres maiores: João das Neves e Titane. Mas já a partir de “Madame Satã”, passamos a investigar a relação da música e do teatro em busca de novas estéticas cênicas-musicais. Contamos com o trabalho acadêmico da musicista e intelectual Jussara Fernandino, na sua dissertação ‘Música e Cena: uma Proposta de Delineamento da Musicalidade no Teatro’, que foi e tem sido essencial para os resultados das últimas montagens do grupo.”

Essa estética-musical está presente no repertório de “Dandara Para Todas as Mulheres”, que traz canções autorais e parcerias da artista Bia Nogueira com Black Josie, Barulhista, Léo Kildare, Marcos Fábio de Faria e Alysson Salvador, além de interpretações de composições de Deh Muss com Leonora Weissmann e Charley Vasconcelos com Tamara Franklin e Marcos Fábio de Faria.

A diversidade também foi um dos critérios utilizados para a escolha do elenco da peça. “Damos protagonismo às mulheres negras, mas também trazemos à cena mulheres brancas e um homem, na banda. A equipe técnica segue a mesma configuração. Apesar da minha história de militância em coletivos que fortalecem a luta negra - o Imune que valoriza a música negra, o Grupo dos Dez (teatro negro), o coletivo Mulheres Criando que realiza o Festival Sonora de valorização da mulher compositora - estou numa fase de querer o diálogo e de me misturar cada vez mais”, explica Bia Nogueira.

A artista pondera que o seu desejo com esse trabalho é trazer a reflexão sobre união e tolerância. Toda forma de opressão e a luta contra essas opressões, estão registradas, ainda que de maneira distorcida, às vezes ocultada, nas páginas da história mundial. Você pode ser afetada socialmente pelo racismo, pelo machismo, pela LGBTfobia, mas, a grande maioria de nós é classe trabalhadora e temos esse algo em comum. Mas o que nos une em tempos como os nossos de intolerância?”, questiona.

FICHA TÉCNICA

Direção Geral: Bia Nogueira | Assistente de Direção: Rodrigo Jerônimo | Direção Musical: Débora Costa | Preparação Corporal: Carolina Cordeiro |Dramaturgia: Bia Nogueira e Marcos Fábio de Faria | Textos cedidos especialmente para o espetáculo: Andréa Rodrigues (sobre solidão), Cris Moreira (sobre maternidade) | Documentário: Danilo Candombe “Quanto Vale? A luta vencerá a lama.” | Músicos: Débora Costa, Thiago Quintino, Bruno | Arranjos: Débora Costa, Bruno e Thiago Quintino | Iluminação: Tainá Rosa | Assistente de iluminação: Samir Soares | Produção Musical: Débora Costa | Cenário e Figurino: Zaika dos Santos e “Marcela Talita | Assistente de design e produção de cenário: 55pxl | Coordenação Técnica: Flora Guerra | Técnica de som: Debris Oliveira | Técnica de Luz: Gabriela Luiza |Masterização: Guilherme de Marco - Confraria Home Studio| Intérprete de Libras: Bruna Michele Pereira.

Participações especiais: Katia Aracelle, Andrea Rodrigues e banda “A Carta” (Débora Costa, Bruno e Thiago Quintino).

Elenco artístico: Laura Souza, Jeiza da Pele Preta, Andréa Rodrigues, Kátia Aracelle, Daniele Amaral, Elisângela Souza e Carol Vitória.

Gestão de Projetos: Marina Galeri | Fotografia e Filmagem: RENCA Produções (Denise dos Santos; Mayara Laila; Gabriela Matos | Produção: Fabiana Bergamini | Assistente de Produção: Deh Muss e Liliane Ara | Design Gráfico: Peleja Comunicação | Assessoria de Imprensa: Rizoma Comunicação e Arte | Gestão de Tráfego: Jardel Rodrim | Coordenação Geral: Bia Nogueira | Realização: Grupo dos Dez e Pitaya Lab.

Redes Sociais: Lanternas Inspiradoras | Coordenação de comunicação: Amorina | Redator: Athos Vinicius Ferreira Nascimento | Edições e motion: Ana Júlia Heredia dos Santos

Classificação etária: livre | Gênero: Espetáculo cênico-musical | Duração: 1h20m

SERVIÇO: TEMPORADA 2022 - “DANDARA - PARA TODAS AS MULHERES”
Direção geral: Bia Nogueira

Dia 01/10, às 19h - Centro Cultural Usina de Cultura
Rua Dom Cabral, 765 - Ipiranga (Regional Nordeste)

Dia 06/10, às 14h - Centro Cultural Venda Nova
Rua José Ferreira dos Santos, 184 - Jardim dos Comerciários (Regional Venda Nova)

Dia 08/10, às 19h - Centro Cultural Vila Santa Rita
Rua Ana Rafael dos Santos, 149, Vila Santa Rita

Após as apresentações será realizado o debate

“Representatividade nas artes: Limites e perspectivas”.

GRATUITO (retirada de senha 1 hora antes)

EXTRAS

BIA NOGUEIRA

Bia Nogueira é multiartista negra, representante da nova MPB. Atua como cantora, atriz, compositora e produtora. Idealizadora e artista do Coletivo Imune, aprovado no edital Natura Musical, uma das coordenadoras do Festival Sonora e integra a banda Yônica. Lançou em 2018 O CD Diversa, com composições próprias e da novíssima cena da música mineira. Em 2020 lança o álbum Eletronika, com remixes de seu álbum anterior, além de parcerias com o produtor musical Barulhista. Também lançará no próximo ano, junto ao seu grupo de teatro, a trilha sonora original do espetáculo Madame Satã, que é estrelado por Djonga, que também participará do CD.

A artista tem proposto a fusão da MPB, a música eletrônica e a música afro-mineira - cuja principal característica é a presença do tambor mineiro, encontrado no congado de Minas Gerais. No primeiro disco, essa pesquisa aparece timidamente. No seu próximo CD essa mistura se consolida esteticamente. O show é atravessado pela forte relação com o teatro.

Além de receber destaque na imprensa de Belo Horizonte, na ocasião do lançamento do álbum autoral Diversa, Bia também foi apontada como uma referência da militância negra musical, na coluna paulistana de Miguel Arcanjo Prado, no UOL: “Quando o assunto é Consciência Negra, a multiartista Bia Nogueira é referência(...) Agora, participa com Djonga e Rodrigo Jerônimo da performance In Maison (...)na capital paulista”. Recentemente participou do programa Globo Horizonte com seu Coletivo Imune para falar sobre o projeto aprovado no Natura Musical que será realizado em 2020.

No teatro integrou diversas montagens, com destaque para o premiado Madame Satã que a artista atua e assina a direção musical do espetáculo dirigido por João das Neves e Rodrigo Jerônimo. Também foi responsável por compor parte da trilha sonora. Madame Satã recebeu em 2019 o prêmio Arcanjo de Cultura em São Paulo. Foi indicado ao Prêmio Aplauso Brasil 2018 como melhor espetáculo musical (SP); listado entre os melhores do ano de 2017 na Folha de São Paulo; ganhador do Prêmio Leda Maria Martins 2017, na categoria melhor espetáculo longa duração (MG) XI Prêmio de Direitos Humanos e Cidadania LGBT, da CELLOS-MG, entre outros. Em 2019, Bia Nogueira foi finalista no Festival da Canção de Itabirito.

GRUPO DOS DEZ

O Grupo dos Dez surge em 2008 com o desejo de seus integrantes de pesquisarem o teatro musical brasileiro. A pesquisa do grupo está centrada na busca de uma linguagem que dê conta da criação de musicais com a nossa cara: de brasileiros das gerais. Terra onde a música é um amálgama do diamante de suas vozes com o ouro de suas melodias e harmonias.

Saga no país das Gerais foi o primeiro espetáculo do Grupo dos Dez. Baseado na obra do romancista mineiro Agripa Vasconcelos, o espetáculo teve direção de João das Neves e Direção Musical de Titane. O segundo espetáculo do Grupo, intitulado Evangelho Bárbaro, também continua a pesquisa acerca da obra de Agripa Vasconcelos, em um musical tipicamente brasileiro. A direção do espetáculo foi de Elisa Santana e a direção Musical de Marcelo Onofre.

Madame Satã é seu terceiro espetáculo, e conta com direção de João das Neves e Rodrigo Jerônimo; Bia Nogueira assina a direção Musical e Alysson Salvador, os arranjos. O espetáculo está há quatro anos em cartaz e foi indicado como um dos melhores do ano em 2017 pela Folha de S. Paulo. Venceu o Prêmio Leda Maria Martins 2017 na categoria de Melhor Espetáculo de Longa Duração e recebeu indicações a diversos outros prêmios. No ano de 2019 o espetáculo conta com o músico Djonga no elenco.

Foto: Hayede Karine

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