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Cine Humberto Mauro recebe lançamento do longa maranhense BOI DE LÁGRIMAS

Sessão é promovida pela Abraccine e conta com comentários do crítico de cinema Daniel Oliveira e do professor Pedro Vaz Perez

O Cine Humberto Mauro recebe, na próxima sexta-feira, a exibição do inédito Boi de Lágrimas (2018), do diretor Frederico Machado. A exibição faz parte da tradicionalsessão da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (ABRACCINE), e conta com um bate-papo que analisa a obra com o público presente. O debate fica a cargo do crítico de cinema Daniel Oliveira, membro da Abraccine, em conjunto com o professor e pesquisador em cinema da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Minas), Pedro Vaz Perez.

Boi de Lágrimas é o quarto longa-metragem de Frederico Machado. O filme é uma obra com traços experimentais, que segundo o diretor, pode ser classificado como um “horror sobre política e cultura popular”. Contando a história de maneira livre e abstrata, o longa se concentra em cinco personagens: um homem que é tocador de pandeiro em um grupo de Bumba meu Boi da periferia de São Luís; sua filha, dançarina que resolve participar das manifestações políticas que ocorrem na cidade; o namorado da filha, que apenas é um escape para o desejo; o amigo da família, um personagem de sentimentos ambíguos com todos os que o circundam, e sua esposa, que grávida, aguarda com dor o nascimento do filho.

Segundo o diretor, os personagens são trabalhados apenas para servirem como propulsores de sentimentos e dualidades quanto ao momento social, político e cultural no Brasil. Mais do que a narrativa, o filme procura descobrir caminhos para linguagens – feito como cinema de guerrilha, no qual a equipe também trabalha como elenco, se constrói sobre a égide da liberdade de criação.

Filmado durante apenas três dias, o filme pretende se tornar uma ação inovadora. De acordo com a equipe de produção, a estratégia é percorrer apenas festivais dos quais o longa é convidado, não fazendo parte de nenhuma mostra competitiva. Além da distribuição no cinema ser restrita à Sessão Abraccine, posteriormente o filme terá apenas exibições em Cineclubes e Cinematecas.

O filme é, em suma, um exercício do fazer cinematográfico. Boi de Lágrimas está sendo descrito pela crítica como "um registro de nossa poderosa resistência poética", fazendo ligações com o cinema de Glauber Rocha. Como atesta o crítico Marco Fialho, "enquanto Glauber era fixado em um conceito modernista das artes, Frederico Machado é mais antenado a uma visão de contemporaneidade. Glauber era afeito à alegoria, inclusive nos discursos de seus personagens, já Frederico prefere recursos mais sóbrios. Mas a similaridade entre os dois vem mais de uma proposta de criar um mosaico que instaura ou assume o caos como realidade". O quinto longa-metragem de Frederico Machado, As Órbitas da Água, está em fase de montagem e será lançado em 2019.

 

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