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Mostra celebra centenário de Amilcar de Castro com expoentes da arte contemporânea mineira
Casa Polifônica promove a exposição “A dobra e a borda”, que conta com trabalhos de seis artistas mineiros e coloca em discussão percursos ontológicos relacionados às linguagens contemporâneas
Escultor, desenhista, gravador, design, diagramador e intelectual. A importância de Amilcar de Castro pode ser observada pelo imenso legado deixado nas artes plásticas brasileiras. Aluno de Alberto da Veiga Guignard, Amilcar consolidou seu nome no cenário artístico mundial com esculturas em material inoxidável e seus traços firmes e sintéticos sobre papel e tela. Em conjunto com Ferreira Gullar, Lygia Clark, Theon Spanúdis, Franz Weissmann, Lygia Pape e Reynaldo Jardim colaborou com o conceito e subscreveu o Manifesto Neoconcreto, que trouxe uma nova maneira de se pensar e fazer a arte a partir de 1959. No centenário do nascimento de Amilcar de Castro, a Casa Polifônica - Galeria de Arte e Espaço Cultural presta homenagem ao múltiplo artista com a mostra “A dobra e a borda”, que estreia dia 25 de setembro, às 19h, por meio de Live no canal do Youtube (https://tinyurl.com/y3xyeojb) da galeria.
A exposição, que tem a curadoria assinada pelo artista visual Froiid, coloca em pauta discussões sobre percursos ontológicos relacionados às linguagens artísticas contemporâneas. Ao todo serão exibidos 41 trabalhos. “A mostra celebra os 100 anos de Amilcar de Castro e sua presença perene no mundo da arte. Por transitar entre o modernismo e a arte contemporânea, Amilcar é uma espécie de precursor, alguém que está por trás, direta ou indiretamente, do trabalho de artistas da atualidade”, explica Froiid. Mais que uma homenagem ao artista mineiro, nascido em Paraisópolis em 8 junho de 1920, a exibição busca a partir do diálogo com diversas linguagens estabelecer ligações da nova geração de artistas com o espaço urbano, as paisagens locais e a mutação de suportes e dispositivos nos fazeres artísticos. A concepção da exposição passa por um viés de pluralidade nos formatos e dispositivos utilizados para a elaboração dos projetos. "Busquei artistas de diferentes linguagens para dar vazão à ampla gama de suportes a que Amilcar se dedicou. Veremos artes do vídeo, pinturas, esculturas oxidadas, formulações gráficas e desenhos. São obras que formam um imenso diagrama de proposições estéticas, inclusive relacionais. Mais do que trazer respostas, procuro questionar de quem e do que somos contemporâneos, e de que modo somos”, pontua o curador.
A dobra e a borda
Ricardo Burgarelli exibe a video projeção Democracia contra o kapital. A narração contempla imagens de fragmentos e pequenos movimentos registrados em filme super-8mm durante as manifestações de junho de 2013 e a ocupação da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH). Para a exposição, o artista elaborou uma montagem inédita, que salienta a ocupação da escultura de Amilcar de Castro na praça central da CMBH. Já Victória Sofia apresenta quatro propostas artísticas na Casa Polifônica. Uma delas se refere a série de trabalhos que utilizam elementos químicos e a influência direta da radiação solar para gerar imagens e cores na superfície de esculturas metálicas como forma de obter a oxidação do suporte. Victória também realizará a intervenção Esquina de evento babélico. “A intervenção é parte de uma ação virtual interativa, onde o suposto espectador dita o ritmo da escrita espontânea para a formação do texto-imagem que será inscrito diretamente no encontro entre duas paredes da galeria”, explica Victória. A ação será veiculada em Live no Instagram do espaço (@casapolifonica) no dia 9 de outubro.
Vencedor de cinco Kikitos no Festival de Cinema de Gramado e um dos indicados na categoria de melhor curta na edição 2020, Marco Antônio Pereira leva para mostra videoarte produzida com o artista marginal e músico Zé do Poço. No trabalho, Marco Antonio imprime, a partir da letra de Zé do Poço, uma narrativa sobrenatural envolvendo o chupa-cabra, conduzindo o espectador a uma miscelânea de fragmentos que permeiam o imaginário popular. Para a “A dobra e a borda”, o artista Preto Matheus exibe a série Criptotipia, em que pesquisa os limites da legibilidade com a decodificação de poemas compostos de apenas uma palavra. A dimensão semântica das imagens-texto se vê em cada poema articulada por uma metáfora visual, que se funde ao final do processo de decifração, apresentando toda sua dimensão icônica e simbólica. “A série pensa a linguagem e suas variações. Pensar a linguagem na arte é pensar o todo como fragmento da própria linguagem em construção”, acrescenta Preto Matheus. Os trabalhos de Aline Lemos que compõem a exibição partiram do processo de síntese observado na obra de Amilcar de Castro. A partir dessa perspectiva, a artista trabalha a relação territorial e da monumentalidade em seus desenhos. “Busco nas cores envolvidas no processo de oxidação do metal de Amilcar o mote para produzir uma série desenhos que tem como referência as montanhas de Minas Gerais, que na obra se dobram e se desdobram até o ponto de parecerem distorcidas e descartáveis”, diz Aline.
Virtual e presencial
Em virtude da pandemia, a mostra será veiculada em um primeiro momento no ambiente virtual. Até 16 de outubro, a exposição só poderá ser apreciada através da Live exibida diariamente, às 19h, no canal do Youtube da Casa Polifônica. A partir desse dia, o público também terá a opção de visitar a exposição no espaço físico da galeria. “Esta será a primeira vez que a Casa Polifônica abrirá suas portas ao público. A visitação será realizada por meio de agendamento e respeitará todas as normas de distanciamento social e proteção individual. Apenas duas pessoas por vez poderão estar dentro do local. O tempo da visita será de duas horas”, explica Marcus Vinicius Borges, idealizador da Casa Polifônica.
CASA POLIFÔNICA - GALERIA DE ARTE E ESPAÇO CULTURAL
A Casa Polifônica tem por objetivo agregar as mais diversas manifestações artísticas, incorporando à sua programação exposições, eventos literários, debates sobre cultura e arte, exibição de videoarte e filmes. A galeria ainda tem como perspectiva abrigar performances artísticas, oficinas, e espetáculos dos mais variados. Para o idealizador do projeto, a casa trabalha para se tornar uma referência cultural na capital mineira. “O conceito da Casa Polifônica passa pela promoção de artistas dos mais variados nichos, trazendo para dentro da galeria de arte manifestações culturais relegadas a este tipo de espaço. A casa tem o propósito de fomentar jovens talentos e dar espaço a nomes já consagrados. O local também pretende ser uma incubadora de projetos que ajudem a pensar esteticamente a vida contemporânea”, avalia Marcus Vinicius Borges.
Com a fachada tombada pela Prefeitura de Belo Horizonte, a charmosa casa que abriga o espaço está localizada na avenida Assis Chateaubriand, número 548, num dos ambientes mais emblemáticos da capital mineira, fazendo a ponte entre a Floresta, através do viaduto Santa Tereza, e a rua da Bahia, que liga a região Centro-Sul à Zona Leste do município. Os atrativos turísticos e culturais que circundam o local, como a Praça da Estação, o Museu de Artes e Ofícios e o Centro de Referência da Juventude, assim como o fluxo de pessoas que circulam pela região, dão ainda mais destaque ao empreendimento. Além de um jardim para bate-papos e eventos diversos, a Casa Polifônica possui quatro salas para galerias de arte.
SOBRE O CURADOR
Froiid
Graduado em Artes Plásticas e mestrando em artes na UEMG, os trabalhos de Froiid relacionam arte e cidade, trançando temas como pirataria, território, cidade/urbano e joguificação. Froiid é membro fundador e idealizador do Piolho Nababo e MAPA:/. Desde 2015, o artista atua no Lab |front (Laboratório de Poéticas Fronteiriças), grupo de pesquisa de desenvolvimento e inovação que se propõe a problematizar as/nas fronteiras.
SOBRE OS ARTISTAS
Aline Lemos
Artista visual e cartunista, Aline Lemos nasceu em Belo Horizonte. A artista é mestre em História pela UFMG e estudante de Artes Plásticas na Escola Guignard. Aline participou das exposições "Inarredáveis! Mulheres quadrinistas” (2018), na Casa Fiat de Cultura, "Traçado na Memória" (Festival Internacional de Quadrinhos, 2018), entre outras. Publicou nove zines e os livros "Artistas Brasileiras" (Miguilim, 2018) e "Fogo Fato" (Edição da Autora, 2020). Colaborou em publicações como a Folha de S. Paulo, Lisboa Capital República Popular, Plaf e A Zica.
Marco Antônio Pereira
Nascido em Cordisburgo, o cineasta faturou importantes prêmios na carreira, como cinco Kikitos no Festival de Gramado, melhor diretor no Festival de Brasília e melhor curta na Mostra de Cinema de Tiradentes. Os filmes do artista circularam nos maiores festivais de cinema do mundo, como o Festival de Berlim, Los Angeles, Palm Springs, Buffalo, Montana, Viña Del Mar, Hong Kong e Festival do Rio. Marco também é idealizador do projeto social Oficina Móvel de Cinema.
Preto Matheus
Poeta, artista plástico, artista gráfico, designer, cofundador do coletivo 4e25 e da editora SQN Biblioteca.
Ricardo Burgarelli
Nascido em Diamantina, o artista trabalha diversas mídias com estudos que atravessam os campos da história, da memória e da técnica. Burgarelli pensa a instalação artística como um espaço de narração. Ricardo tem graduação em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da UFMG e possui mestrado em Artes pela mesma instituição. O artista realizou exposições no Centro Cultural São Paulo (SP, 2018), Palácio das Artes (BH, 2017), Paço das Artes (SP, 2015), e outras. Recebeu os prêmios "Arte e Patrimônio 2013" (Iphan / Paço Imperial - RJ), Prêmio de Arte Contemporânea do DF (2012), e I Prêmio Camelo de Artes Visuais (BH, 2013). Burgarelli possui obras no Museu de Arte da Pampulha, Museu Nacional de Brasília, e no Museu Victor Meirelles.
Victória Sofia
Estudante da Escola de Belas Artes da UFMG e nascida em Belo Horizonte, Victória procura entender as relações entre a passagem do tempo e a existência humana em um sistema baseado na artificialidade. A artista permite que elementos como o acaso, o erro e a repetição se construam em torno do mais banal ao mais profundo dos acontecimentos.
Foto: Aline Lemos
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