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Jazz Festival Brasil convida Fortuna para apresentação única no Teatro Bradesco
Show Novos Mares promove o encontro da pluralidade cultural do Mediterrâneo, África do Norte, Oriente Médio
O Jazz Festival Brasil convidou a cantora paulista Fortuna para apresentar seu último trabalho “Novos Mares -Alepo - Sefarad – Olinda”, no dia 7 de outubro, às 21h, no Teatro Bradesco. Reconhecida na cena musical brasileira por se dedicar a investigar e resgatar sonoridades, melodias e tradições musicais judaicas, a artista volta a Belo Horizonte para promover um encontro entre as culturas do Mediterrâneo, África do Norte e Oriente Médio. A atração reúne canções dos povos judeu, árabe e cristão, ressaltando valores como tolerância, universalidade e respeito à diversidade. Os ingressos, vendidos a preços acessíveis, podem ser adquiridos por R$ 25 (inteira) e R$ 12,50 (meia-entrada), a partir do dia 20 de outubro, no sitehttp://www.compreingressos.com.
“Novos Mares” tem como ponto de partida uma ligação profunda com as músicas interpretadas pelos judeus que emigraram para várias partes do Novo Mundo, cantando temas em árabe, hebraico e ladino.
Filha de um sírio refugiado de Alepo, Fortuna, judia, cresceu ouvindo canções árabes. “Meu pai trouxe toda essa vivência afetiva musical para o Brasil. Ele ouvia os cantos dos Muezzin, da pequena mesquita vizinha de muro de sua casa, e carregou estes cantos consigo para sempre. Não tinha como não ter uma marca cultural profunda oriunda do mundo árabe, entremeada de afeto”, comenta.
Vivi esse caldeirão de musicalidade e em um determinado momento da minha vida, achei que tinha que revisitar essa trajetória desde Alepo”, explica. A partir desta iluminação profunda, a cantora chamou seu colega e diretor musical Gabriel Levy para trabalharem em um material que traduzisse em música esse desejo.
Em “Novos Mares”, a música é encarada como um fio condutor essencial para alcançar um diálogo intercultural entre pessoas pertencentes a nações e religiões diferentes, mas que têm em comum a linguagem da música. Na construção do repertório do show, Fortuna buscou inspirações nas canções que ouvia em sua infância e em pesquisas sobre suas origens.
Os judeus, em suas errâncias, migraram para diversos países. Em 1492 na Inquisição, os Sefardim, judeus da Península Ibérica que falavam o dialeto Ladino, foram expulsos da Espanha e de Portugal, e se espalharam pelo mundo afora: Mediterrâneo, África do Norte, Balcãs, entre outros.
Imbuídos do sentimento de sua cultura ibérica, impregnada pelos ritmos dos mouros e o lamento judaico e oriental, os Sefardim passam a absorver as influências dos lugares onde passaram a viver.
O entrelace de raízes que ocorre entre essas culturas torna o cancioneiro Ladino um caldeirão muito exótico e interessante.
“A possibilidade de harmonizar, por meio da música, culturas diversas permite que o ouvinte se encante com o entrelace destas diversas sonoridades e contextos poéticos”, sugere.
Entre os destaques de “Novos Mares” está a canção “Branca Dias”, composição de Fortuna em parceria com Gabriel Levy (música) e Leo Cunha (letra). Numa leitura pessoal, a obra faz referência à personagem que entrou para a história como uma mulher de hábitos e beleza não convencionais, que fugiu de Lisboa pelo mar, até Olinda, e acabou condenada à fogueira da Inquisição por suas práticas judaizantes.
Diversidade para o Jazz
A escolha de Fortuna para protagonizar essa edição especial do Jazz Festival Brasil não foi aleatória. Para Leonardo Soltz, idealizador do projeto, a cantora é uma artista da World Music, focada na experimentação. “A Fortuna traz o frescor da novidade para o público do Jazz, que está acostumado a ter uma sonoridade de grande estilo e de gêneros que dialogam com diversas culturas, como a do Oriente Médio”, ressalta. De acordo com ele, a música da Fortuna vem em um momento crucial para o cenário em que o mundo vivencia. “Não há nada melhor que a música para promover o encontro de culturas e religiões diversas. O Brasil foi o primeiro país a acolher refugiados sírios e, nos anos 50, acolheu também a comunidade judaica que aqui permanece. Trazer um espetáculo desses é mais uma oportunidade de descortinar essa cultura e mostrar o poder da palavra e da música, sem fronteiras”, reforça.
Parcerias
A lista de parceiros de Fortuna neste trabalho traz nomes como o acordeonista, pianista, arranjador e compositor Gabriel Levy (também responsável pela direção musical do projeto), Carlos Zarur, Leo Cunha (compositores) e Gustavo Kurlat (compositor e diretor do espetáculo). Acompanham a cantora no projeto Beto Angerosa e Francisco Mehmet (percussões), Mário Aphonso III (Sopros orientais e ocidentais), Ian Naim (alaúde e saz), Gabriel Levy (piano e acordeon), Thomas Howard (guitarra flamenca). Gustavo Kurlat assina o roteiro e a direção do espetáculo.
Foto: Divulgação
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