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Ciclo Mutações segunda semana - Luiz Alberto De Oliveira, Oswaldo Giacoia Jr. e Pedro Duarte apresentam conferências nos dias 25, 26 e 27 de setembro, no BDMG Cultural
A segunda semana do Ciclo Mutações – Dissonâncias do Progresso terá participação do físico Luiz Alberto Oliveira, curador do Museu do Amanhã, que questionará “O que se entende por fim da humanidade? Ou por fim do ‘progresso como fim’”, na segunda-feira, dia 25 de setembro. No dia 26, será a vez do filósofo Oswaldo Giacoia Jr., que discorrerá sobre “Progresso e barbárie civilizada”. Já nodia 27, o filósofo Pedro Duarte discutirá o “Fim do progresso”.
Nesta edição, o Ciclo será realizado até o dia 23 de outubro, no BDMG Cultural, sempre às 19h. Informações e inscrições no site www.mutacoes.com.br. As inscrições para o Ciclo completo são de R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia), e, para conferências avulsas, o investimento é de R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).
Mutações – Dissonâncias do Progresso é uma realização da Artepensamento, com patrocínio do BDMG Cultural nas itinerâncias de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Brasília, do BDMG e do Governo de Minas Gerais, e conta com apoio da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Cultura/Fundação Municipal de Cultura e Belotur, e da Associação Pró-Cultura Promoção das Artes – APPA e do Institut Français.
Conferências
“O que se entende por fim da humanidade? Ou por fim do ‘progresso como fim’”
Segundo o físico Luiz Alberto de Oliveira, o filósofo Adauto Novaes demarca, com clareza, o que está em debate no Ciclo em 2017: “admirável progresso do ponto de vista material, paralisia e regressão do ponto de vista dos valores e das organizações social e política”. Tal “paradoxo instaurador”, na visão de Oliveira, pode ser melhor explicitado a partir de enunciados de pensadores os mais diversos. “O divulgador científico John Horgan assevera que as críticas ao progresso empalidecem frente às evidências de que, factualmente, a Humanidade hoje é ‘mais saudável, mais afluente, mais pacífica e mais livre do que nunca’”, destaca, ao lembrar que, por outro lado, intelectuais como o físico Stephen Hawking apresentam apreciação bastante diferente sobre o período. Afinal, eles “têm expresso crescente preocupação com dois aspectos decisivos do presente, ambos em escala planetária: a degradação ambiental e a desigualdade socioeconômica”.
Progresso e barbárie civilizada
Na visão de Oswaldo Giacoia Jr., o principal vértice a direciona o olhar para o mundo é, hoje, determinado pela ciência e pela técnica. “Portanto, nossa cosmovisão delineia-se a partir da física, da química, da biologia (sobretudo, a molecular), da genética, das neurociências, dos estudos que envolvem a inteligência artificial, da robótica, da cibernética e da nanotecnologia”, comenta, ao lembrar que tal fato sugere a efetiva realização da sonhada supremacia humana sobre as demais criaturas do universo, “ainda que o humano tenha que dividir espaço com suas próprias criaturas, ou seja, as máquinas inteligentes ou espirituais, que ameaçam destroná-lo”.
O fim do progresso
Pedro Duarte destaca que a ideia de progresso não vem do começo da humanidade, nem do Ocidente: “Os gregos, confiantes no tempo cíclico da repetição ou na ausência de tempo da eternidade, desconheciam-no”. O filósofo destaca que “nem mesmo o Cristianismo, que já concebia a linearidade temporal na Terra, imaginou algo como a melhoria progressiva da humanidade”. Na verdade, a elaboração de uma história mobilizada por sucessivas mudanças no progresso remonta ao século 18. “Kant, Hegel e Marx foram os principais filósofos responsáveis por essa ideia, que projetava a realização moral, espiritual ou social: um Estado Cosmopolita, um Estado de Liberdade e um Comunismo sem diferenças de classes”, comenta, ao lembrar que, na atualidade, “vive-se uma mutação decisiva no sentido desse progresso. Ideologicamente, ele permanece justificando – como no século 19 – o trabalho histórico da humanidade, mas já não acena agora – no século 21 – com nenhum fim”.
Sobre Luiz Alberto Oliveira
Luiz Alberto Oliveira é físico e doutor em Cosmologia. Foi pesquisador do Instituto de Cosmologia, Relatividade e Astrofísica (ICRA-BR) e do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF/MCTI), onde também atuou como professor de história e Filosofia da Ciência. Professor, palestrante e consultor de diversas instituições, é atualmente o curador do Museu do Amanhã do Rio de Janeiro. Escreveu ensaios para as coletâneas Tempo e história, A crise da razão, O avesso da liberdade, O homem-máquina; Ensaios sobre o medo,Mutações: ensaios sobre as novas configurações do mundo, Mutações: a condição humana, Mutações: a experiência do pensamento,Mutações: elogio à preguiça, Mutações: o futuro não é mais o que era e Mutações: fontes passionais da violência.
Sobre Oswaldo Giacoia Jr.
Oswaldo Giacoia Jr. é doutor em filosofia pela Universidade Livre de Berlim e professor da Unicamp. Escreveu os livros Os labirintos da alma, Nietzsche como psicólogo, Sonhos e pesadelos da razão esclarecida, além de ensaios para as coletâneas Mutações: ensaios sobre as novas configurações do mundo, Mutações: a condição humana, Mutações: a experiência do pensamento, Mutações: elogio à preguiça, Mutações: o futuro não é mais o que era e Mutações: fontes passionais da violência.
Sobre Pedro Duarte
Pedro Duarte é doutor em filosofia pela PUC-Rio, de onde é professor na graduação, pós-graduação e especialização em Arte e Filosofia. Foi professor visitante nas universidades de Brown (EUA) e Södertörns (Suécia). É autor dos livros Estio do tempo: Romantismo e estética moderna e A palavra modernista: vanguarda e manifesto. Prepara Tropicália, para a coleção O livro do disco. Publicou capítulos em livros e artigos em periódicos acadêmicos e veículos da mídia. Desenvolve pesquisas voltadas para filosofia contemporânea, estética, cultura brasileira e história da filosofia.
Adauto Novaes, sobre as dissonâncias do progresso
O que é progresso? Para alguns teóricos, apenas uma palavra que não passa de um slogan, um clichê ou, no máximo um mito; pode ser também uma crença, jamais um conceito. Para ganhar estatuto de “conceito” universal, esta palavra busca em outras a legitimidade, para passar de termo relativo a absoluto: progresso e democracia, progresso e liberdade, progresso e desenvolvimento. Até mesmo ações de caráter belicista recorrem à ideia de guerra como movimento indispensável para um futuro de progresso radioso.
Filósofos brasileiros e franceses reúnem-se, mais uma vez, em torno do conceito de Mutações, desta vez para discutir as dissonâncias do progresso.
Mas, afinal, o que legitima o progresso hoje? A impressionante herança deixada pelas inúmeras formas do progresso da ciência e da técnica é incontestável: o mundo ganhou, mas o mundo perdeu! Transformação radical das ideias de espaço e tempo, avanços na medicina e na biologia que nos preservam de muitos males – progresso com inegáveis e perenes benefícios para a humanidade - mas também, em contrapartida, um progresso que cria rigor, velocidade, precisão da relação do homem com o meio físico, desaparecimento do vago e do lento, hábitos dominados por métodos positivos governados pelas máquinas, modo científico de existência ao qual “os espíritos se acostumam rapidamente, ainda que insensivelmente”, enquanto as relações do homem com o homem permanecem, como observa o poeta e filósofo Paul Valéry, “dominados por um empirismo detestável que evidencia até mesmo, em diversos pontos, uma sensível regressão”.
Se a ciência do Iluminismo permitiu o alargamento da percepção do mundo e da vida ao destruir uma quantidade enorme de certezas, em contrapartida, as ideias de progresso, aliadas à racionalidade técnica, destroem uma das grandes invenções da humanidade – a dúvida – ao recriar e repor o mito da certeza. O mito do progresso é uma dessas novas certezas. Quem, à direita e também em boa parte da esquerda, arrisca-se a ser contra o progresso (ou seus equivalentes: desenvolvimento, crescimento econômico)? Basta ouvir os discursos de políticos, financistas, tecnocratas e até mesmo de intelectuais ilustrados. É a crença de que todos os problemas da humanidade serão resolvidos com o aumento do conhecimento científico. No ensaio O mito moderno do progresso, Jacques Bouveresse nos leva a pensar que a ideia de progresso resume dois dos mais terríveis problemas da atualidade, sintetizados por Georg Von Wright como o mito da autoridade e o império da fala: “um discurso, escreve Bouveresse, que se pode considerar como mais ou menos dispensado da argumentação, que se autolegitima e cujo protótipo é a fala que emana do fundamentalismo religioso ou da ditadura política”.
Próximos Conferencistas e temas
Data
Conferencista
Tema da Palestra
25/09/2017
Luiz Alberto Oliveira
O que se entende por fim da humanidade? Ou por fim do "progresso como fim"
26/09/2017
Oswaldo Giacoia Jr.
Progresso e barbárie civilizada
27/09/2017
Pedro Duarte
O fim do progresso
28/09/2017
Francisco Bosco
Compulsão à ocupação
03/10/2017
Marcelo Jasmim
Civilização, des-civilização e violência
04/10/2017
Eugênio Bucci
Sem fatos, sem política, sem imprensa
05/10/2017
Guilherme Wisnik
Não-lugar, cidade genérica, paisagem transgênica
10/10/2017
Jorge Coli
Entre desilusões e crenças
11/10/2017
Antonio Cícero
Caminhos da razão e do progresso
18/10/2017
Franklin Leopoldo e Silva
Muitas expectativas, poucas esperanças
23/10/2017
Renato Lessa
A vertigem da autonomia: diferenciação e fragmentação na experiência dos humanos
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