Notícias
Sarau Libertário discute processos da arte contemporânea com convidados como Julia Branco e Odilon Esteves
Edição de setembro acontece neste domingo (22), no Parque Lagoa do Nado, e conta ainda com coletivo Margem e Bruna Kalil Othero
Reunir, em torno de assuntos caros aos nossos tempos, diferentes linguagens artísticas que se constroem a partir da palavra. Esse é um dos nortes do Sarau Libertário, projeto criado em 2016, que tem realizado edições mensais durante todo este ano. Na edição de setembro, que acontece neste domingo (22), às 14h, no Parque Lagoa do Nado, os convidados vão debater os processos da arte contemporânea na atualidade, intercalando bate-papo e apresentações. Quem participa desta vez é a cantora e a atriz Julia Branco, o ator Odilon Esteves, integrantes do Margem (coletivo formado por compositores negros em BH) e Bruna Kalil Othero, uma das produtoras do Sarau Libertário.
Para Julia Branco, que lançou em 2018 o elogiado “Soltar os Cavalos”, seu primeiro álbum solo, é natural a mistura entre diferentes linguagens artísticas que têm a palavra como ponto de partida. “Sou formada em teatro e, quando fazia faculdade, tinha uma conexão muito forte com os textos, com a dramaturgia das peças”, relembra. “Depois, na banda Todos os Caetanos do Mundo, continuava grande a preocupação com o que estava sendo dito, cantado. E no meu disco isso é ainda mais forte. ‘Soltar os Cavalos’ é um disco que tem um lugar muito pulsante da palavra. Tudo foi criado a partir dos textos, todas as composições, os arranjos de Chico Neves e Luiza Brina. A palavra é o que está em primeiro plano no trabalho”, completa.
Branco afirma que, no Sarau Libertário, pretende contar um pouco sobre como os caminhos de sua trajetória cruzam-se com diferentes experiências artísticas. “Hoje, quero fazer música, mas é uma música que está próxima do teatro, das artes visuais. Gosto que o show possa ser um lugar onde eu me arrisque. Essa mistura de linguagens sempre esteve incorporada no meu processo de entendimento enquanto artista”, afirma. “E poder trocar isso com pessoas de outras áreas, com outras experiências e pontos de vista, é muito rico”.
Para a artista, o tema é ainda uma oportunidade para discutir os novos caminhos do processo do fazer artístico e do mercado, que mudam a cada dia. “O fato de ser um artista independente no mundo contemporâneo faz com que a gente desenvolva certas habilidades que vão além da arte em si. E que contaminam nosso trabalho, para o bem ou para o mal. Em que medida isso tem afetado os nossos processos artísticos? Como o Instagram ou o WhatsApp mudou nosso jeito de criar?”, questiona.
Este projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.
Sobre o Sarau Libertário
Neste ano, o Sarau Libertário contará com edições mensais, sempre aos domingos, que ocuparão quatro equipamentos culturais da Pampulha. A primeira edição, que aconteceu no Museu de Arte da Pampulha, abordou como tema a cultura afro-brasileira. O evento surgiu em 2016, movido pelo desejo de criar um espaço novo e plural para artistas independentes de Belo Horizonte.
Até hoje, foram realizadas 11 edições, que contaram com a participação de 35 artistas. A lista tem nomes da música, como Julia Branco, Di Souza, Kdu dos Anjos e Deh Mussulini; da literatura, como Lucia Castello Branco, Nívea Sabino e João Maria Kaisen; e do teatro, como as atrizes Lira Ribas e Mariana Arruda. “Começamos em 2016, com quatro ótimas edições. O tema do primeiro foi ‘Primeiras Palavras’ e o segundo ‘Cantar o Amor’. Já o terceiro foi ‘O Silêncio e o Grito’ e, o quarto, ‘Metamorfoses’”, relembra a produtora Bruna Kalil Othero.
“Em 2017, estreamos com um novo formato do Sarau, com o tema ‘Beagá em Cena’. No mês de junho, o tema foi ‘Gênero e Diversidade’ e, em setembro, ‘Poéticas da Mulher’. Para fechar, eu e o Octávio Cardozzo, que também produz o Sarau, montamos uma edição especial, chamada ‘Amor Amargo’”, completa. Já no ano passado foi a vez de debater o tema "Passados & Futuros", com Ana Elisa Ribeiro, Sidarta Riani e o Bremmer Guimarães. “Em junho, fizemos uma linda e potente edição sobre ‘Poéticas Negras’, com o professor Marcos Alexandre e a cantora Josi Lopes. Em dezembro, a última edição do ano teve como tema ‘Vozes Dissonantes’”.
Foto: Florence Zyad
Selecionamos os melhores fornecedores de BH e região metropolitana para você realizar o seu evento.
