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Inspirado no cotidiano de comunidades ribeirinhas amazônicas, "D'água e Lama" (RO) será apresentado dias 4 e 5 de outubro em Belo Horizonte

Vencedor do Prêmio Funarte Klaus Vianna, espetáculo de dança contemporânea da Cia de Artes Fiasco (RO) circula por quatro regiões do país, contando com exposição fotográfica e bate-papo na Escola de Belas Artes (EBA) da UFMG em BH

Belo Horizonte recebe nos dias 04 e 05 de outubro o espetáculo de dança contemporânea "D'água e Lama", da Cia de Artes Fiasco, de Porto Velho, Rondônia. Inspirado no cotidiano de comunidades ribeirinhas amazônicas, o trabalho será apresentado no auditório da Escola de Belas Artes - EBA/UFMG, com entrada gratuita. O projeto ainda contará com exposição fotográfica de Michele Saraiva, cuja pesquisa imagética às margens do Rio Madeira deu origem à montagem. Após as apresentações, o público ainda poderá participar de um bate-papo com artistas da companhia e professores da UFMG.

Projeto contemplado pelo Prêmio Funarte de Dança Klaus Vianna 2015, o espetáculo tem apoio em Belo Horizonte da EBA/UFMG e Colegiado de Dança da UFMG, com parceria cultural do Bristol Hotel

A concepção do espetáculo surgiu a partir da pesquisa fotográfica em comunidades existentes à beira do Rio Madeira em Rondônia, entre 2012 e 2014. O material foi desconstruído e transformado em dança pela Cia de Artes Fiasco numa imersão que apresenta ao público a vivência do povo ribeirinho. Nesse sentido, as sensações e experiências dos "beradeiros" são transpostas para o corpo das bailarinas - Cecí e Gisele Stering - através dos elementos água e lama. O contato com a natureza, o movimento do banzeiro, o calor do sol, o vento e a chuva também se mostram presentes no espetáculo, fazendo com que o público se transporte para dentro dessa realidade tão diferente do cotidiano das grandes metrópoles.

O tempo ribeirinho é singular nas localidades beradeiras, um tempo em câmera lenta, ampliado, diferente do tempo urbano, chamado “minuto de relógio grande” pela Cia - oposição que também é evidenciada nos movimentos das intérpretes. "D'água e Lama" é um retrato das pessoas que vivem e sobrevivem na beira do rio se adaptando a todas as singularidades desses territórios. Assistir ao espetáculo é uma forma de ter acesso a este universo", conta Fabiano Barros, diretor do espetáculo.

Além do espetáculo com entrada gratuita, o público belorizontino poderá conhecer parte deste processo de criação com a instalação da fotógrafa Michele Saraiva, que também é bailarina e assina a produção da montagem. A exposição estará em cartaz na Escola de Belas Artes da UFMG nos dias de apresentação do espetáculo "D'água e Lama", que ainda teve como desdobramento a publicação de um livro com os registros fotográficos, o cotidiano estudado e o diálogo com as cenas da montagem de dança.

Com 15 anos de trabalho e pesquisas no estado de Rondônia, a Cia de Artes Fiasco foi contemplada em 2015 com o Prêmio de Dança Klaus Vianna, prevendo circulação nacional do espetáculo. Ao todo serão 10 apresentações em cinco cidades de quatro regiões do país nos meses de setembro e outubro: Rio Branco/AC (Teatro de Arena - 20.09), Recife/PE (Terreiro Ilê Axé Xangô - 24.09), Brasília/DF (Sesc Garagem -28 e 29.09), Rio de Janeiro/RJ (Auditório CBAE - 01.10 - e Centro de Artes da Maré - 02.10) e Belo Horizonte/MG (EBA/UFMG - 04 e 05.10). A passagem da turnê pela capital mineira terá como diferencial o intercâmbio com alunos e professores da Escola de Belas Artes da UFMG. Em Belo Horizonte a proposta conta com apoio da EBA/UFMG e Colegiado de Dança da UFMG, através dos professores Arnaldo Alvarenga e Adolfo Cifuentes. "A ideia é fazer com que outros profissionais da dança no Brasil tenham acesso aos elementos e situações que impulsionam artistas, bailarinos, coreógrafos e diretores da dança na região norte a produzirem", explica Fabiano Barros. Previamente à turnê nacional, o trabalho já circulou pelo estado de Rondônia em comunidades ribeirinhas e tribos indígenas.

Pesquisa e linguagem

Entre 2012 e 2014, a Cia de Artes Fiasco realizou uma pesquisa imagética em comunidades ribeirinhas situadas às margens do Rio Madeira, com intuito de retratar o condicionamento do movimento, tal qual um espelho que reflete a ânsia, o desejo e a angustia do corpo “beradeiro” na sua contemporaneidade. Nesse processo, a coreógrafa Gilca Lobo e a fotógrafa Michele Saraiva, ambas bailarinas, realizaram uma pesquisa imagética na comunidade Santa Luzia, distrito portovelhense situada às margens do Rio Madeira, imergindo de forma cautelosa e uníssona no cotidiano dos moradores da beira do rio - conhecidos como “ribeirinhos” ou “beradeiros” -, dando início ao processo de montagem do espetáculo.

Após essa imersão, foi construído o espetáculo de dança contemporânea “D´água e Lama”, que traz ao púbico esse território numa transmutação do corpo humano durante suas fases - com movimentos ainda involuntários e imprecisos após o nascimento; perpassando infância e juventude, onde desenham-se movimentos de liberdade tais como um simples pulo para um mergulho nas águas, um giro deitado sobre a lama ou até um longo nado contra a correnteza; chegando até a maturidade, na qual esses corpos são moldados por movimentos repetitivos e rígidos, como um agachar para lavar roupa na beira do rio, um lance de rede de pesca ou até mesmo a prática do remo, movimento obrigatório para quem vive nessas comunidades. Toda essa investigação é perpassada pelos elementos água e lama, essenciais para a compreensão deste universo ribeirinho. É nesse e desse lugar, onde os ciclos de cheias e vazantes moldam paisagens, onde o tempo é lento, estradas são rios e carros, canoas. Onde a floresta é música constante e o barranco, parque de diversão, onde imagens, texturas e movimentos falam.

Sobre a Cia de Artes Fiasco

Dirigida pelo dramaturgo Fabiano Barros e produzida por Michele Saraiva, a Cia de Artes Fiasco vem se dedicando desde 2001 às pesquisas nas áreas de teatro, dança e performances. Apoiando-se nas mais diversificadas experimentações, tem como foco trabalhos sobre a realidade do cotidiano amazônico, desenvolvendo uma investigação sustentada nos vários cenários étnicos, respeitando a realidade e o imaginário dos povos, assim como na presença do artista, considerado a essencial ferramenta para o fazer criativo da companhia.

As primeiras montagens de espetáculos foram no gênero infantil, como as adaptações de “O Rapto da Cebolinha”, de Maria Clara Machado, e o “O Pequeno Príncipe”, de Saint Exupéry. Logo após esse período, iniciaram-se os processos de criação e pesquisa da companhia, resultando em repertório de textos próprios e montagens coreográficas, como a criação dos espetáculos de dança “Pecado em sete partes” (2006), “As faces de Chiquinha Gonzaga” (2007) e "Mosàicum" (2007), com circulação por todo o estado através do projeto “Encena Rondônia” do SESC, além de participação em várias mostras, como Festival Palco Giratório, Amazônia Encena na Rua e Mostra de Dança de Porto Velho. Atualmente tem em seu repertório os espetáculos “As nove luas”; Ópera do Beradro" e “D'água e Lama”, ambos trabalhos tendo circulado no estado de Rondônia em comunidades ribeirinhas e tribos indígenas.

Sobre o diretor Fabiano Barros

Fundador da Cia de Artes Fiasco, dirigiu os espetáculos de dança "Pecado em Sete Partes", “Mosàicum” e “Mulheres de Holanda”, todos pela Cia de Artes Fiasco. Escreveu cerca de 20 textos de teatro, dentre eles “O Segredo da Patroa”, “Já passam das Oito”, “Memória da Carne” e “O Dragão de Macaparana”. Já participou de diversas curadorias de projetos nacionais como Palco Giratório, Premio Myriam Muniz, Jovens Dramaturgos, dentre outros.

Natural de Recife (PE) e radicado em Rondônia desde 1999, Fabiano Barros iniciou seus trabalhos com teatro ainda em Pernambuco, em montagens diversas como “A Barca de Ouro”, de Hermílo Borba Filho, e “Brincar de Viver”, de Roberta Maria. Possui graduação em Letras pela Universidade Interamericana de Porto Velho, com especialização em Gestão Cultural pelo SENAC MT. Atualmente cursa Licenciatura em Teatro pela UNIR/UNB, onde apresentará ainda este ano tese intitulada: "A humanização dos mitos e lendas na dramaturgia amazônica".

Sobre Michele Saraiva

Michele Saraiva é natural de Guajará-Mirim (RO) e, desde 2016, vive em São Paulo. É graduada em Fonoaudiologia, mas sempre buscou trilhar o caminho da arte. Além do balé, a fotografia foi um desses caminhos escolhidos. Desde 2008 realiza trabalhos fotográficos, produção e edição de vídeos publicitários, educativos, políticos e culturais. Trabalhou como Assistente em Cultura, respondendo pela linguagem de cinema no SESC RO.

Ficha Técnica

Direção Geral: Fabiano Barros

Intérpretes-bailarinas: Cecí e Gisele Stering

Fotografia, Pesquisa e Programação Visual: Michele dos Santos Saraiva

Direção Musical: Bira Lourenço e Rinaldo Santos

Cenografia: Einstein Begerand

Figurino: Ane Vieira

Iluminação: Osias Cardoso

Produção: Michele Saraiva

Técnica e Sonorização: Davi Macieira

Produção BH/MG: Nyvea Karam

Assessoria de Imprensa BH/MG: João Marcos Veiga

Realização: Cia de Artes Fiasco (RO)

 

Foto: Michele Saraiva

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