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Primeiro festival de paródias do Brasil anuncia vencedores
Hoje Eu Vou Parodiar reúne 574 inscritos de todo país unidos pelo bom humor e olhar crítico sobre a sociedade
A paródia sempre esteve entre nós, uma tradição que, mesmo sem perceber, já cultivamos em nossos círculos sociais, seja em letras cantadas erradas ou estrategicamente trocadas para dar voz a questões pertinentes a nossa realidade com uma boa dose de bom humor.
Em Belo Horizonte, há alguns anos, o Concurso de Marchinhas Mestre Jonas vem resgatando essa tradição que, agora, extrapola as Minas Gerais e chega a todo Brasil, por meio do inédito “Hoje Eu vou Parodiar”, festival que premiou paródias e destinou o valor das inscrições para artistas e profissionais da cultura em situação vulnerável devido a pandemia do Covid-19. Os recursos arrecadados serão revertidos para compra e distribuição de cestas básicas, incluindo kits de higiene e limpeza, que serão entregues pela Associação Cultural Arebeldia, nas cidades de Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
A iniciativa é do compositor e roteirista Edu Krieger e da empresária e produtora cultural Danusa Carvalho. “É um prazer ter realizado o primeiro festival de paródia do Brasil. Quando eu tive a ideia e coloquei o Edu em um grupo cultural do WhatsApp, fiquei feliz que ele topou e aceitou. Estou satisfeita duas vezes, em primeiro porque realizei o festival e, em segundo, porque o prêmio veio para BH”, conta Danusa.
Com a versão dos mineiros Vitor Velloso e Matheus Brant para “Me Apaixonei Pela Pessoa Errada”, o júri elegeu “Votei Para Presidente” como a melhor paródia do festival, que recebeu R$2 mil. “Uma honra enorme participar desse concurso e maior ainda vencê-lo, cheio de gente tão legal, um júri fantástico, em um tempo no qual mais do que nunca este tipo de iniciativa é importante”, explica Vitor Velloso.
Integrante de uma banda chamada Orquestra Royal, o cantor e compositor citou a repressão que humoristas vem recebendo pelo governo por suas paródias, como no caso de Marcelo Adnet. “Esse tipo de música sempre promove o debate e a refexão. A paródia é muito acessível, todo mundo pode cantar uma música com uma letra involuntariamente ou fazer uma nova versão”, explica.
Ao lado de Matheus Brant, a dupla de compositores venceu entre as 574 inscrições vindas de todo o país. “Desde 2014, quando o Vitão ganhou o primeiro lugar com o ‘Pó Royal’, e eu, terceiro na Marchinha Mestre Jonas, fomos apurando e a coisa foi tomando corpo. O resultado disso é o que vemos com a paródia sendo nacionalmente vencedora”, avalia Matheus Brant.
Para Edu Krieger, não é surpresa que o prêmio tenha ficado para os belo-horizontinos. “A cidade tem uma tradição na arte de unir humor e política. O Vitor e o Matheus fizeram uma paródia perfeita, crítica e ao mesmo tempo engraçada, com rigor na estrutura de rima e métrica, e mereceram demais o título de campeões”, afirma Edu.
O segundo lugar do festival inédito ficou com Sandro Dornelles, que fez a sua versão para “Teresinha”, a “Gripezinha”; e o terceiro ficou para “MeTÉDIO”, de Andre Locatello e Marcio Machado para “Metade”.
Críticas à política, o cotidiano da quarentena, questões contraditórias da atualidade e a desconstrução dos olhares machistas, homofóbicos e racistas foram bem vistos pelo júri, formado pelos presidentes de honra Marcelo Adnet e Tatá Werneck, e pela comissão integrada por Edu Krieger, João Cavalcanti, Julia Rabello, Késia Estácio, Leonardo Lanna, Marco Gonçalves, Marcos Frederico, Maria Bopp, Renata Corrêa, Thiago de Souza e Vicente Coelho.
Foto: Divulgação
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