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Palestra sobre “Feminismo Negro” e lançamento do livro : “Sou mulher e não mereço ser violentada”

Próximo Seminário do Quem Ama Não Mata vai abordar a questão sobre enegrecer o feminismo, com a historiadora e escritora Luana Tolentino

O Movimento Feminista Mineiro Quem Ama Não Mata (QANM), dando prosseguimento às suas atividades político-culturais contra toda forma de violência à mulher, realiza o Seminário Leituras & Ações Feministas com as reflexões da professora mestra em Educação, Luana Tolentino, cuja trajetória de vida também carrega mágoas políticas com o feminismo hegemônico.

O Seminário acontece em 20 de setembro, sexta-feira, às 19h, no salão principal da Casa do Jornalista. Em seguida, vai ser lançado o livro-reportagem “Sou mulher e não mereço ser violentada” (Letramento Editora), organizado pela jornalista Maura Eustáquia de Oliveira. Ingressos gratuitos, pelo https://www.sympla.com.br/feminismo-negro-contribuicoes-e-criticas-politicas-ao-feminismo-hegemonico__643251

Luana Tolentino conheceu, muito cedo, ainda no jardim de infância, "de forma dura e violenta" o significado de ser negro numa sociedade racista. Ao longo da vida, essa violência foi reiterada de várias maneiras. É sobre esta experiência - o significado de ser uma mulher negra no Brasil, que a pesquisadora do  Grupo de Pesquisa Letras de Minas/UFMG e do Núcleo de Estudos Interdisciplinares da Alteridade/UFMG (NEIA) e autora do livro “Outra Educação é possível: feminismo, antirracismo e inclusão em sala de aula” (Mazza Edições, 2018), agora feminista e engajada na questão da possibilidade de uma educação inclusiva, vai  falar em Leituras e Ações Feministas.  

A violência racista sofrida na infância e que abriu seus olhos, "como os de muitas pessoas negras" aconteceu durante a realização de uma festa junina. Escolhida pela professora para fazer par com um garotinho também negro, foi hostilizada na escola por vários dias, xingada de “macaca”, “chimpanzé”. Esses xingamentos se repetiram ao longo da vida e, já adulta, protagonizou uma cena que, descrita, viralizou na internet. No ponto de ônibus, uma mulher aproximou-se e perguntou-lhe se fazia faxina. Luana respondeu-lhe: "Não, eu faço Mestrado".

A partir do encontro com as ideias feministas, já no Mestrado em Educação da UFOP, passou a perceber o mundo "marcado por violência, desigualdade e opressão" como algo a ser enfrentado, não apenas sofrido. Já a relação nos dias de hoje entre o feminismo negro e o chamado feminismo hegemônico, branco, "não é uma tarefa fácil", segundo ela: “Há muitas mágoas - legítimas - porque por muito tempo nós, mulheres negras, fomos alijadas de participar, sofremos uma série de silenciamentos. Numa certa medida, ainda hoje, nossas pautas, nossa especificidade, não são levadas em conta”.

Para Luana Tolentino, essa mágoa se estende à história do Brasil: “Nós, mulheres negras, tivemos a humanidade negada e, na maioria das vezes, não tivemos a oportunidade de contar com o apoio e solidariedade das mulheres brancas”. Apesar da mágoa política, ela pensa como a feminista norte-americana bell hooks, (escrito assim, com minúsculas), que é necessário um esforço para superar dificuldades e construir um feminismo "que acolha todas as mulheres em sua variedade ".

O engajamento da historiadora como feminista se dá também na rememoração de mulheres que sofreram "memoricídio", o apagamento de suas realizações. Uma delas é Maria Firmina dos Reis (1825-1917), musicista, professora e folclorista, considerada a primeira romancista negra no Brasil, autora de "Úrsula", de 1857. Assim, ao lançar seu livro, em 2018, sobre seu legado, juntamente com outras pesquisadoras, Luana Tolentino pretendeu homenagear as pioneiras ativistas negras: “dar voz a essas mulheres é dar voz a quem com muito esforço abriu portas para que outras gerações como a minha pudessem entrar”.

Após o Seminário, às 21 horas, acontece o lançamento do livro-reportagem “Sou mulher e não mereço ser violentada” (Letramento Editora), organizado pela professora e ativista do Movimento QANM,  Maura Eustáquia de Oliveira, sobre histórias e narrativas de mulheres mortas, mutiladas, tripudiadas, reduzidas a objetos sexuais. São reportagens realizadas pelos alunos das disciplinas Jornalismo  Investigativo e Jornalismo Político do Curso de Jornalismo da PUC-MG, que desvelam ainda mais “o quanto ser mulher num país violento, machista e misógino como o Brasil significa ser vulnerável”, como registra a idealizadora e coordenadora dos trabalhos, Maura Eustáquia.

Foto: Divulgação

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