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De volta à rua, Cia Circunstância dá “rolê” com espetáculo “Circo de Família” por BH e interior de Minas
Entre 16 de setembro e 2 de outubro; versão online do espetáculo também será exibida ao vivo, no YouTube, no dia 26 de setembro
Espetáculo que se debruça sobre a estrutura familiar circense, “Circo de Família” foi inicialmente pensado para ser apresentado ao ar livre e, por isso, também sofreu impactos da pandemia da Covid-19. A estreia em ruas e praças, em 2020, teve que ser abreviada em função do isolamento social, obrigando a Cia Circunstância a criar adaptações para o online e a realizar lives durante o ano e nesses meses de 2021. Agora, com o retorno gradual das atividades presenciais em Minas Gerais, a companhia realiza, entre 16 de setembro e 2 de outubro, o projeto “Circo de Família de Rolê”, viabilizado pelo Prêmio Funarte de Apoio a Espetáculos Circenses 2020.
Serão quatro apresentações, todas gratuitas, que marcam a volta do espetáculo a seu lugar de origem: o espaço público. A circulação começa no povoado de Lapinha da Serra, em Santana do Riacho, no dia 16; segue em Belo Horizonte, na Praça México, no Concórdia, no dia 25; e termina em Piedade do Paraopeba, no dia 1º, em frente à Igreja Matriz, e no dia 2 de outubro, na comunidade dos Marques, em frente à Igreja dos Marques, ambos distritos de Brumadinho. No dia 26 de setembro, ainda acontece a estreia da versão adaptada do espetáculo para o ambiente virtual, que será exibida ao vivo, no YouTube da Cia Circunstância, viabilizada pela Lei Aldir Blanc.
“Circo de Família” surgiu da necessidade de registrar, de forma artística, a história das novas configurações familiares do chamado circo contemporâneo. As experimentações começaram em 2017, quando a Cia Circunstância ocupou a Praça da Assembleia durante todo o ano, “passando o chapéu” e criando números que viriam a formatar a peça. Em 2019, a companhia foi contemplada pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura e entrou para a sala de ensaio, a fim de realizar a montagem. Foram convidados para a direção os amigos e palhaços Adriana Morales e Tiago Mafra, do Grupo Trampulim. O projeto teve assessoria artística do palhaço, diretor e bailarino pernambucano Ronaldo Aguiar, e passou por residências artísticas junto às famílias circenses da Cia Boca do Lixo (GO) e da Cia 1péde2 (RS/SP).
O espetáculo, então, se estruturou como um show de variedades com o casal de palhaços Tica-tica do Fubá (Dagmar Bedê), Alegria Também (Diogo Dias) e, espontânea e voluntariamente o filhote Pirueta Ravioli (Ravi Dias Bedê), de apenas cinco anos. O trio monta um pequeno circo a céu aberto e o improviso dita a cena com números de malabarismo, ilusionismo, acrobacia e muita bobagem. “No princípio, éramos somente nós, o público e a praça. Selecionamos os números que gostaríamos e fomos nos adaptando, tendo em cena também nosso filho, que interagia de acordo com a vontade dele. Quando entramos para a sala de ensaio, nosso foco se voltou para a criação da dramaturgia. Fomos entender qual história a gente queria contar com o espetáculo”, relembra Dagmar Bedê.
Com a chegada abrupta da pandemia, a necessidade da adaptação para as telas pegou a trupe de surpresa – mas nem por isso freou suas atividades. A Cia Circunstância fez seus malabarismos e realizou, em abril deste ano, a “Mostra Tudo em Família”, em formato totalmente digital. O evento, focado nas novas configurações familiares circenses, contou com uma série de espetáculos de trupes e companhias de diversas regiões do Brasil. “Trabalhar nesse formato digital nunca foi nossa intenção, mas nos vimos obrigados a abrir o olhar para as possibilidades do teatro virtual, para as lives e salas de conferência. A ‘Mostra Tudo em Família’ já era um desejo de antes, que veio à tona a partir das experiências que tivemos com o ‘Circo de Família’. Foi numa convenção brasileira de malabarismo, em Goiânia, que conhecemos a Cia Boca do Lixo e percebemos a importância de abordar de forma ampla as diferentes estruturas familiares do circo contemporâneo”, diz Diogo Dias.
A trupe de volta à rua
A artista afirma que a trupe transborda alegria em voltar a se apresentar presencialmente, com o projeto “Circo de Família de Rolê”, apesar de ter consciência de que a realidade mudou. “É uma emoção sem precedentes, mas sentimos também que não é a mesma coisa de antes, justamente devido ao andamento lento da vacinação e, também, ao cansaço de boa parte da população em seguir os protocolos. Percebemos que cada situação exige cuidados diferentes que giram em torno do modo como a comunidade local lida com a situação”, reflete. “As apresentações no interior acontecerão em dias de semana, em espaços amplos e abertos, e serão direcionadas para a comunidade local, evitando a aglomeração de turistas. Faremos a divulgação local com carro de som, sugerindo o uso de máscaras, e disponibilizaremos máscaras e álcool em gel, caso alguém apareça desprevenido. No mais, é correr para o abraço, sem abraçar”, brinca.
A artista conta que a Cia Circunstância guarda relações afetivas tanto com Lapinha da Serra quanto com Brumadinho. “Vamos muito à Lapinha e, sempre que visitamos o povoado, sentimos esse desejo de fazer algo na pracinha. Já Brumadinho eu frequento desde a infância. Fiz apresentações, com outros espetáculos, em eventos da família”, conta. “A Praça México, em BH, também é um lugar especial. A gente morava no Concórdia e, no começo da pandemia, levávamos o Ravi para lá, nas poucas fugidas para distraí-lo. Tem brinquedos, um palquinho e um grupo de capoeira que treina lá duas vezes por semana. Ele adora”, completa Dias, ressaltando que o grupo segue tendo como carro-chefe o encontro presencial, ainda que apresente no dia 26 de setembro mais uma live de “Circo de Família”, no YouTube da Cia Circunstância, viabilizada pela Lei Aldir Blanc.
Em uma época em que a palavra “família” é tão bradada por grupos que propagam o ódio e o preconceito – justamente contra artistas e trabalhadores da cultura – o espetáculo da Cia Circunstância vem para mostrar que é necessário lutar por conceitos e narrativas. “Não podemos aceitar que, em um país tão diverso, com configurações familiares das mais variadas, seja consensual que, para ser uma família, precisa ter um pai, uma mãe e uma criança. Logo neste país, onde tantos filhos crescem sem pai em função do abandono? Quantas crianças crescem com avós ou tios? Quantos casais homoafetivos decidem viver a maternidade ou paternidade? Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”, sublinha. “No circo, esse conceito da família ainda tem significados mais complexos, que extrapolam os laços consanguíneos e se misturam a relações de trabalho e vida artística. É preciso resistir e lutar para não perder a essência e o valor das palavras que nos custam tão caro”.
Sobre a Cia Circunstância
A Cia Circunstância foi fundada em Belo Horizonte, em 2004, por Diogo Dias e Luciano Antinarelli. Em 2005, entra Evandro Heringer e a companhia monta seu primeiro espetáculo, “Palhaços à Vista”. Em 2009, entra Miguel Safe e, em 2010, Dagmar Bedê. O grupo tem como carro-chefe os espetáculos de rua criados por meio de experimentações em rodas de palhaços, nas praças, numa construção coletiva e aberta com o público. Ao longo dos anos, surgem outros espetáculos do repertório da companhia: “Antes Solo do que Malacompanhado” (2007); “De Mudança” e “Pequeno Grande Encontro” (2009); “De Mala às Artes” (2013); e “123 Testando” (2015).
Quando nascem os filhos dos integrantes, a companhia assume caráter de família circense e começa uma nova pesquisa direcionada às questões familiares. Surge, então, o espetáculo “Circo de Família”, em 2017, ocupando a Praça da Assembleia com rodas de palhaço e “passando o chapéu” o ano inteiro. Em 2019, a Cia aprova um projeto na Lei Municipal de Incentivo à Cultura para a remontagem do espetáculo e convida o Grupo Trampulim para fazer residências artísticas com famílias de outros lugares do país.
A ideia agora ganha novos contornos com a Mostra Tudo, cuja primeira edição aconteceu em 2015, celebrando dez anos da Cia Circunstância. A programação, realizada em 40 dias, foi composta por 15 espetáculos locais e nacionais, seis oficinas, dois cabarés de variedades e um cortejo. Em 2017, a companhia realizou a segunda edição da Mostra, com o tema “Comicidade, Palhaçaria e Teatro de Rua”. Na ocasião, o evento contou com 20 espetáculos, sendo 14 realizados por grupos locais e seis por grupos do interior, de outros estados e países, além de duas oficinas e um intercâmbio com artistas locais e grupos convidados.
Realizada em abril de 2021, com recursos da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc, do Governo Federal do Brasil, a “Mostra Tudo em Família – Novas Configurações Familiares” contou com espetáculos de trupes e companhias de diversas regiões do Brasil. A programação, que é totalmente gratuita, ainda conta com oficinas e números circenses selecionados por meio de convocatórias abertas, além de uma roda de conversa sobre o assunto.
Cia Circunstância – “Circo de Família de Rolê”
De 16/9 a 2/10 – Lapinha da Serra, Belo Horizonte e Brumadinho
à Lapinha da Serra – 16 de setembro, às 16h30, na Praça da Igrejinha
à Belo Horizonte – 25 de setembro, às 16h, na Praça México (Concórdia)
à Brumadinho – 1º de outubro, às 19h, em frente à Igreja Matriz de Piedade do Paraopeba; 2 de outubro, às 19h, em frente à Igreja dos Marques
Live LAB Virtual. Dia 26 de setembro, às 10h, pelo YouTube
Nas redes. youtube.com/ciacircunstânciacircoteatro / instagram.com/ciacircunstancia
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Foto: Lina Mintz
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