Notícias

3ª Semana de Cinema Negro de Belo Horizonte apresenta curadoria internacional com destaque para a celebração de 50 anos do clássico Touki Bouki

A programação exibe filmes que contam a história do cinema no continente africano, além de cinematografias da diáspora caribenha e da diretora Crystal Z Campbell

A Semana de Cinema Negro de Belo Horizonte chega em sua terceira edição, de 9 a 17 de setembro, reiterando na curadoria internacional o propósito de apresentar para o público um conjunto de filmes que trazem a história e as vanguardas dos cinemas de África e das diásporas. São 27 filmes internacionais divididos em quatro programas, são eles: Cinemas Africanos contam suas histórias; 50 anos de Touki Bouki, celebrando o cinema de Djiril Diop Mambéty; Os Cinemas do Caribe Hoje; e programa Cinema Negro e Experimental. Todas as atividades são gratuitas ao público em geral nos cinemas Cine Humberto Mauro Palácio das Artes e Cine Santa Tereza. Para mais informações, acesse: instagram.com/semana.cinemanegrobh/ e www.linktr.ee/SCNBH.

PROGRAMAS

CINEMAS AFRICANOS CONTAM SUAS HISTÓRIAS 

Consolidando um caminho trilhado desde a primeira edição que se dedica a exibir filmes do continente africano, o programa Cinemas Africanos contam suas histórias e traz obras que contam as trajetórias da produção de filmes no continente. Seja através de seus bastidores, como no making of do filme icônico Ceddo (1977), do cineasta Ousmane Sembène, feito Paulin Vieyra - outro pioneiro do cinema do Senegal - ou nos documentários de Ferihd Boughedir (Camera d’Afrique), de Manthia Diawara Ngugi Wã Thiongo (Making of African Cinema) e Balufu Bacupa Kanynda (10.000 anos de Cinema). Janaína Oliveira, pesquisadora e curadora, explica que essa história é também revista e atualizada nas produções contemporâneas de Thierno Souleymane Diallo (O Cemitério do Cinema); “A obra de Diallo traz uma reflexão tenaz e crítica sobre os cânones da história africana de seus filmes e também da emergência de outras culturas fílmicas como em Coconut Head Generation de Alain Alain Kassanda, ao acompanhar a situação dos estudantes universitários em Ibadan na Nigéria, testemunha também o surgimento uma nova cinefilia”. Por fim, o filme Le taxi, le cinema et moi de Zampaligre Salam que relembra a vida de Ousmane Sembène, diretor autodidata burquinense, famoso em seu país e na cena internacional.

As sessões acontecem no Cine Humberto Mauro/ Palácio das Artes nos dias 11 (segunda-feira), às 17h; na terça-feira, 12, às 17h. Já na quinta-feira, 14, às 21h e nos dias 15 e 16 (sexta-feira e sábado), às 19h.

50 ANOS DE TOUKI BOUKI, CELEBRANDO O CINEMA DE DJIBRIL DIOP MAMBÉTY

A África ainda se faz presente no programa 50 anos de Touki Bouki, celebrando o cinema de Djibril Diop Mambéty. No cinquentenário do clássico do diretor senegalês, a curadoria internacional propõe uma retrospectiva parcial com alguns de seus filmes. Ao todo serão exibidos seis obras, incluindo dois filmes que compõem a trilogia inacabada História de Gente Comum: A pequena vendedora de Sol e O Franco. Além disso, o programa apresenta a versão restaurada do estonteante e irreverente do filme Hienas e o sensível making of que Mambéty fez de Yabaa - filme de seu amigo estimado Idrissa Ouedraogo em 1989. Encerrando essa homenagem a Mambéty, será exibido documentário inédito no Brasil “O Príncipe de Colobane”, de Laurence Gavron.

As sessões acontecem no Cine Santa Tereza nos dias 15 e 16, às 19h. Já no dia 17, 16h30 e 19h. 

OS CINEMAS DO CARIBE HOJE

Atravessando o Atlântico, o programa Os Cinemas do Caribe Hoje traz o segundo longa-metragem do cineasta e curador martinicano Wally Fall (Dancing the Stumble). Após estreia de sucesso no Blackstar Film Festival na Filadélfia (EUA), faz sua première no Brasil na Semana de Cinema Negro. A obra é uma reflexão profunda e delicada sobre as questões de saúde mental na Martinica. O Programa é composto de mais três curtas metragens: Le Roi n'est pas mon cousin, sendo os filmes Agwe e Madame Pipi inéditos no Brasil. 

Le Roi n'est pas mon cousin, que estará em Belo Horizonte para as exibições, é o filme de estreia da cineasta franco-guadalupense Annabelle Aventurin. Agwe, do diretor haitiano Samuel Frantz Suffren, foi vencedor do Prêmio Paul Robeson para os filmes da diáspora no FESPACO de 2023. Já Madame Pipi, de Rachelle Salnave, acompanha mulheres haitianas que são atendentes em banheiros de casas noturnas em Miami.As sessões acontecem no Cine Humberto Mauro/ Palácio das Artes na quarta-feira, 13, e no sábado, 16, às 17h.

CINEMA NEGRO E EXPERIMENTAL

Por fim, a Semana de Cinema Negro de Belo Horizonte, abraça a iniciativa da curadora Janaína Oliveira que há alguns anos circula no Brasil filmes negros experimentais. O Programa Cinema Negro e Experimental faz uma retrospectiva completa e inédita no país da cineasta estadunidense Crystal Z Campbell. Campbell é um dos principais nomes da vanguarda do cinema nos EUA, estará em Belo Horizonte para conversar com o público mineiro sobre seu trabalho. As conversas acontecem após as sessões no Cine Humberto Mauro/ Palácio das Artes nos dias 14 e 15, às 17h. 

ATIVIDADES FORMATIVAS - POLÍTICAS DO OLHAR

A 3ª Semana de Cinema Negro em parceria com o FICINE - Fórum Itinerante de Cinema Negro, realiza o Políticas do Olhar – Diálogos sobre Curadoria e Descolonização. O Políticas é uma série de conversas ao vivo com curadores de cinema da África e das diásporas. Criada por Janaína Oliveira em 2019, o projeto busca destacar iniciativas que apontem para uma cultura fílmica diversa e não-hegemônica que emergem a partir do momento que outras presenças ocupam o lugar de curadoria. Nesta edição, o Políticas conversa com a cineasta e curadora Annabelle Aventurin. Annabelle arquivista e programadora audiovisual. Como arquivista, coordenou a restauração de West Indies (1979) e Sarraounia (1986) do diretor Med Hondo no Ciné-Archives e em colaboração com o Harvard Film Archive. Em 2017, Annabelle cofundou e programou o FLiMM, Festival Libre du Moyen Métrage no DOC! um espaço criativo multidisciplinar no 19º arrondissement de Paris. É cocuradora de programas para o Open City Documentary Festival em Londres. Em 2022, ela dirigiu seu primeiro documentário, Le Roi n'est pas mon cousin (30')  exibido em cerca de trinta festivais, e, que estará na Semana.

A atividade acontece no sábado, 16, às 15h30, no Cine Humberto Mauro/ Palácio das Artes. Não é necessário inscrições. As retiradas de ingresso acontecem 1h antes da atividade (sujeito à lotação).

SOBRE A SEMANA DE CINEMA NEGRO DE BELO HORIZONTE

A Semana de Cinema Negro é um espaço de formação tanto profissional para as pessoas que constroem o festival, quanto para o nosso público que acessa aos filmes que raramente são exibidos no Brasil. O festival apresenta e discute as semelhanças que pessoas negras do mundo todo compartilham. Ainda há muito a ser descoberto do cinema africano, diaspórico e brasileiro, portanto, a Semana de Cinema Negro de Belo Horizonte, se propõe a contribuir nessa descoberta. O festival promove um encontro de Minas Gerais, um dos maiores polos do cinema realizado por pessoas negras, com filmes do continente africano, da diáspora e de pessoas negras brasileiras. Na primeira edição, a Semana de Cinema Negro de Belo Horizonte evidenciou festivais que existem e resistem como por exemplo a mostra principal Cinemas Africanos em revista: as origens do FESPACO que homenageou os 50 anos do Festival Panafricano de Cinema e Televisão de Ouagadougou que acontece em Burkina Faso.

Depois de sua primeira edição online, em 2021, a 2ª semana de Cinema Negro de Belo Horizonte, pela primeira vez, aconteceu em formato presencial. Com mais de 50 filmes nacionais e internacionais, a edição realizada em setembro de 2022 celebrou a retomada dos encontros. Foram destaque da edição filmes do Sudão, Mauritânia, Etiópia e Somália, além de filmes de diversas regiões do Brasil. A mostra de filmes sudaneses apontou para a semelhança da dificuldade em produzir filmes no Brasil. A edição foi uma oportunidade do encontro do cinema africano com o cinema brasileiro, sobretudo, um encontro com Minas Gerais.

A 3ª Semana de Cinema Negro é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte e tem o patrocínio da Una. 

SOBRE OS CURADORES

Janaína Oliveira é pesquisadora e curadora independente. É doutora em História, professora no IFRJ – Instituto Federal do Rio de Janeiro, e foi Fulbright Scholar no Centro de Estudos Africanos na Universidade de Howard, em Washington D.C. (EUA). Desde 2009, desenvolve pesquisa sobre as cinematografias negras e africanas, atuando também como curadora, consultora, júri e painelista em diversos festivais e mostras de cinema no Brasil e no exterior. Em 2019 realizou a mostra “Soul in the eye: Zózimo Bulbul’s legacy and the Contemporary Black Brazilian Cinema” no IFFR – International Film Festival Rotterdam (Países Baixos). Foi também consultora de filmes da África e da diáspora negra para o Festival Internacional de Locarno (Suíça) entre 2019 e 2020. É idealizadora e coordenadora do FICINE – Fórum Itinerante de Cinema Negro e foi a programadora do Flaherty Film Seminar (EUA) em Julho de 2021. Entre 2021 e 2022, Janaína fez a curadoria internacional das mostras principais das duas edições Semana de Cinema de Negro de Belo Horizonte (Brasil). Atualmente, além de participar de outras iniciativas curatoriais, é Presidente do Comitê de Seleção de filmes de documentário de longa-metragem do BlackStar Film Festival (EUA).

Vanessa Santos é doutora em Comunicação, com pesquisa voltada para os novos formatos narrativos em mídias digitais e interativas. Sua trajetória é marcada pela atuação junto a redes sociotécnicas e a projetos sociais, ministrando processos formativos e desenvolvendo metodologias para o ensino do audiovisual. Professora universitária, coordenou o curso de Cinema e Audiovisual do Centro Universitário Una. Integrou a equipe de curadoria da Semana de Cinema Negro de BH e tem composto a Comissão de Seleção da Mostra Competitiva Internacional do FesticurtasBH, desde 2019. Atualmente, é gestora do Cine Santa Tereza.

Gabriel Martins é sócio-fundador da produtora Filmes de Plástico, junto a André Novais Oliveira, Maurílio Martins e Thiago Macêdo Correia. Gabriel escreveu diversos filmes, como o sucesso Alemão. Entre seus principais trabalhos como diretor estão os curtas Rapsódia para o homem negro; Nada; Dona Sônia pediu uma arma para seu vizinho Alcidese e os longas No Coração do Mundo, (codirigido por Maurilio Martins) e Marte Um, seu segundo longa e sua primeira direção solo. O filme brasileiro disputou uma vaga no Oscar 2023 de melhor filme internacional.

APOIO: Fundação Clóvis Salgado/ Palácio das Artes 
Cine Humberto Mauro
Cine Santa Tereza
Embaixada da França no Brasil
University At Buffalo - Inclusive Excellence | Office of the Provost

Serviço: 3ª Semana de Cinema Negro de Belo Horizonte
Evento presencial e on-line (gratuito) 
Data: 9 a 17 de setembro
Local/ presencial: Cine Humberto Mauro/Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537 - Centro, Belo Horizonte); Cine Santa Tereza (R. Estrela do Sul, 89 - Santa Tereza, Belo Horizonte);

Programação on-line: https://www.cinehumbertomauromais.com/

Para se inscrever em atividades formativas: Inscrições Oficinas - 3º Semana de Cinema Negro de Belo Horizonte

Foto: Leticia Santinon

Selecionamos os melhores fornecedores de BH e região metropolitana para você realizar o seu evento.