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Faixa do projeto Dedo Primata, formado por Abu (MG) e Fábio Mukanya (RJ), abre caminhos da Xifuta Records

Inspirada em Marcus Garvey, “Prefácio” é o primeiro lançamento oficial do duo; música chega às plataformas digitais na próxima quinta-feira (10), com live no Instagram

“Você tem o direito à sua própria opinião. Não segure as ideias antigas. Enterre-as à medida que surgirem novas ideias. Procure por mim na tempestade. De pé, raça poderosa”. As palavras são de Marcus Garvey, ativista político jamaicano e importante líder do povo africano, que no mês passado faria 133 anos. A citação está presente em “Prefácio”, primeira faixa do projeto Dedo Primata, formada pelos músicos Abu (MG) e Fábio Mukanya (RJ). Lançamento do selo Xifuta Records, a música chegará às plataformas digitais na próxima quinta-feira (10), com direito a bate papo ao vivo, a partir das 20h, no Instagram (www.instagram.com/xifutarecords).

Escute a faixa no link especial para a imprensa: bit.ly/3bx625K

O projeto Dedo Primata surgiu do encontro entre Abu, rapper e produtor musical mineiro que assina a Xifuta Records, e instrumentista, pesquisador e cantor carioca Fábio Mukanya. Os músicos se conheceram na Serra do Cipó, em 2017, e um ano depois se reencontraram em Florianópolis (SC), onde Abu atualmente reside. Ali, começaram a criar algumas faixas que viriam a delinear o projeto, que funde as bases criadas por Abu com a harmonia dos instrumentos africanos pesquisados por Mukanya.

“É um projeto experimental. Eu estou experimentando a afinação dos instrumentos com as batidas que o Abu cria. E é minimalista, ao mesmo tempo, porque a gente não compõe num contexto de música comercial”, explica Mukanya. “Essa faixa vem de um fragmento de outra música, de um trabalho de reggae que eu desenvolvia. Nessa ocasião, em que eu estava na casa do Abu, tinha acabado de ler um livro do Marcus Garvey e a música tinha tudo a ver com um texto dele sobre educação”, completa, lembrando que a bandeira pan-africana criada por Garvey faz 100 anos em 2020.

Para Abu, o som do Dedo Primata tenta “bagunçar a ideia de tempo”, sem cair no clichê de instrumentos tradicionais X produção eletrônica moderna. “O Mukanya traz uma pesquisa profunda com temas e instrumentos tradicionais de diversas regiões da África, além de várias vivências com a música em contextos muito amplos, como o do teatro. Já eu venho do rap e agora estou dedicado a estudar a produção de beats, gravação e mixagem”, afirma. “Temos focado as possibilidades de timbres trazidas pelos instrumentos que o Mukanya trabalha e de abertura para narrativas na música”.

A capa que acompanha o single é uma pintura do etíope Besrat Kebede, criada em uma conexão com Mukanya pelo Instagram. O trabalho do artista pode ser visto em sua conta na rede social, pelo link www.instagram.com/besrat_art.

Parcerias

A faixa vem no embalo de vários lançamentos sequenciais de Abu. Com ampla caminhada no rap, o músico mineiro tem dedicado-se nos últimos anos à pesquisa de beats e da produção musical, tendo assinado uma série de colaborações com outros artistas, muitas delas lançadas nos últimos meses, durante a quarentena.

Foram músicas em parceria com o MC e produtor Gurila Mangani, o beatmaker Cizco, a cantora Sofia, o produtor e cantor Bruno Amaral e o MC Bill, do grupo X Sem Peita. “No meio da pandemia, veio a ideia de compilar algumas faixas que foram produzidas em parceria com diversos artistas de dentro e fora do rap, desde o ano passado. São músicas que fiz com artistas que eu gosto muito e que, nesse sentido, têm tudo a ver com essa ideia do selo de celebrar o encontro”, explica Abu.

“Mais recentemente, rolou de fazer uma produção à distância e lançar o ‘Mabu Vol. 1’, projeto com o Matéria Prima, outro amigo e mestre. O Fumaça, artista multimídia e beatmaker que é integrante do selo, também vem relançando alguns materiais antigos dele que foram remasterizados pela Xifuta. Acho que cada encontro é um passo na formação da Xifuta e o Dedo Primata dá mais uma cara para o selo”.

Xifuta Records

Xifuta é um sinônimo para estilingue, usado em Angola e Portugal. Para Abu, como instrumento artesanal, cada estilingue é diferente um do outro. “Cada xifuta tem sua própria forquilha. Você tem que se adaptar a ela e, ao mesmo tempo, ela se adapta à sua mão. Também acho que tem uma cara de resistência, na contramão do industrial, de ser um tiro de cada vez, de ter que mirar bem para não acertar o próprio dedo”, reflete. Musicalmente, a fusão dos beats eletrônicos com os grooves orgânicos é quem guia a Xifuta, que já tem no gatilho alguns próximos lançamentos.

O principal deles é o disco de Abu, “Vô”, que deve sair até o fim do ano. “O álbum tem umas participações bem legais. Celebra o sentimento de tranquilidade, numa época em que tudo é muito ansioso e apressado”, afirma Abu. “Acho que acabei vomitando um desejo de calma. Está sendo um grande laboratório, porque pela primeira vez estou fazendo todos os processos do disco”, completa o artista, que assina pré-produção, composição, produção dos beats, gravação, mixagem e masterização.

O produtor destaca ainda o EP do Dedo Primata, que sai no início do próximo ano, além de outros projetos. “Está em produção um projeto audiovisual feito pelo Ítalo Almeida, que traz, na trilha sonora, diversos produtores e produtoras de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Para 2021, tem também um projeto audiovisual do Fumaça, o trabalho solo da Sofia e pode pintar um novo volume do Mabu”, finaliza.

Lançamento “Prefácio” | Dedo Primata (Xifuta Records)
Quando. Quinta-feira (10), às 20h
Onde. Instagram | www.instagram.com/xifutarecords

Foto: Divulgação

 

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