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Vem aí a 1ª edição de O LEVANTE! - Festival Internacional de Mulheres em Cena -
que acontece de 9 a 15 de setembro, em Belo Horizonte
De 9 a 15 de setembro (segunda a domingo) Belo Horizonte será ocupada pela primeira vez por um festival inteiramente realizado por mulheres à frente da criação artística. Idealizado pela atriz, dramaturga e diretora Lívia Gaudêncio, a proposta da 1ª edição do Festival O LEVANTE! é reunir e disseminar obras teatrais multiplicadoras do pensamento feminino e da condição existencial da mulher contemporânea. A programação acontece em 10 espaços do circuito convencional e independente da capital mineira – Teatro da Cidade, Teatro Marília, Galpão Cine Horto, Museu do Inhotim, Quilombo Manzo, Sesc Palladium (Cinema e Teatro de Bolso), Museu Giramundo, Casa Rosa do Bonfim, Zap 18, Espaço 171. Os ingressos estão à venda na bilheteria dos teatros e postos do Sinparc, e nos sites conveniados a cada espaço, como o site Vá Ao Teatro (Sinparc) e o Ingresso Rápido (SESC) a R$20 e R$10 (meia).
O Festival foi viabilizado por meio de artistas colaboradoras, empresas parceiras e via edital de ocupação dos Teatros Públicos. Já as residências artísticas receberam recursos da Funarte, através do programa Iberescena. Até 1º de setembro, domingo, está aberta a campanha de financiamento coletivo realizada pela Plataforma Evoé com o objetivo de arrecadar recursos que garantam a participação de mulheres que não podem pagar para estar nas residências, como quilombolas e atingidas por barragens, e também para viabilizar a vinda de um grupo do Nordeste.
“Tenho me surpreendido com o engajamento das pessoas. Tanto de artistas quanto de espaços e empresas interessadas em contribuir. Talvez seja um reflexo do quanto estamos precisando da arte para dar voz às nossas indignações ou nos aliviar das nossas angústias”, explica a idealizadora e curadora do evento, Lívia Gaudêncio. Segundo a artista o festival inclui Belo Horizonte, pela primeira vez, ao The Magdalena Project - rede em prol da visibilidade do empenho artístico das mulheres, criada em 1986 no Reino Unido, e que já inspirou iniciativas, como O LEVANTE!, em mais de 50 países. “Queremos que essa ação se caracterize como lugar de fortalecimento. Um espaço de troca e visibilidade para a arte contemporânea, feita 'de, por e para' mulheres de diversas identidades, países e trajetórias”, explica.
ABERTURA
No dia de abertura, a programação começa às 9h da manhã para as artistas participantes do festival. Elas vão vivenciar uma experiência de canto coletivo de mulheres e uma roda de conversa sobre questões identitárias e de criação, no Quilombo Urbano Manzo Nigunzo Kaiango (BH), com representantes das comunidades Quilombo de Marins (Brumadinho) e Quilombo Manzo (BH). Serão oferecidas também oficinas de banhos de ervas sagradas, com a Mãe Cássia do kilombo, e de Abayomis, com Jana Janeiro da Casa Quilombê. Às 19h30, é a abertura oficial do festival para o público. No hall de entrada do Teatro da Cidade tem apresentação gratuita da performance “Fuck Her” da atriz Ludmilla Ramalho (BH) e inauguração de exposição com obras (fotografias, bordados e ilustrações) das artistas Barbará Salomé, Cynthia Paulino, Coletivo Majestades e Fabiana Loyola. Em seguida, às 20h, o público adentra o teatro para assistir a performance “Frida” de Violeta Luna (México), que incorpora questões relacionadas com a rejeição e o abuso vivido pelos povos indígenas excluídos do projeto nacional.
Ao longo de sete dias do festival, serão apresentados espetáculos e performances da cena brasileira, sendo quatro internacionais (Reino Unido, México, Uruguai e Canadá), além de shows musicais, mesas-redondas, demonstrações de trabalho, work in progress (abertura de trabalhos em processo), cenas de curta duração, trechos de espetáculos, exposição de artes visuais, exibição de filmes escritos e dirigidos por mulheres.
RESIDÊNCIAS ARTÍSTICAS
Estão previstas três residências artísticas de 10 a 14 de setembro, com mostra de resultados aberta ao público, no Teatro Marília (Centro) e no Espaço 171 (Horto), no dia 15.09 (domingo). Participam das residências, artistas do Brasil, Colômbia, Peru, Equador e Argentina. “Buried”, de Jill Greenhalgh (Reino Unido), propõe um laboratório para investigar respostas individuais e coletivas a partir da palavra “Enterrado”. Enterradas memórias, segredos enterrados, erros enterrados, corpos enterrados, dor enterrada, provas enterradas, tesouro enterrado. Já em “O Corpo: Território e Fronteira”, de Violeta Luna (México), a proposta é investigar as relações dos corpos inseridos nos contextos culturais onde estão ou provém. As participantes desenvolvem ações a partir de suas complexidades pessoais de memória, identidade e sentido social individual de raça, gênero e sexualidade. E, por fim, “Mapa”, de Verónica Mato (Uruguai), convida as residentes a vivenciar um processo criativo para desenvolvimento de uma proposta artística a partir da construção (e desconstrução) da cartografia pessoal de cada artista.
OBRAS NA ÍNTEGRA
Entre os trabalhos artísticos apresentados na íntegra, o público assiste a obras internacionais, como “Frida” de Violeta Luna (México), “Yo Cual Delmira” de Verónica Mato (Uruguai), a performance “Buried”, por Jilll Greenhalgh (Reino Unido), com participação das artistas residentes. E, por último, a performance “Numbers Increase as we count…” de Ülfet Sevdi (Turquia/ Canadá). Entre os nacionais, estão “A Receita (O Poste Soluções Lunimosas)” de Nana Sodré (PE) e “Mulher, como você se chama” de Janaína Matter (PR). Três trabalhos de mineiras também integram a mostra de obras expostas na íntegra: a atriz Lívia Gaudêncio estreia a performance “Urucum – Oráculo de Corpos Demarcados”, com direção de Violeta Luna (Brasil/México). O solo performático-ritualístico parte de questões sobre as marcas e rastros da ancestralidade feminina; Cida Falabella apresenta “Domingo” (MG), que traz a intimidade de uma mulher madura e a relação com a casa e seus rituais de cura e renovação, além da performance “Fuck Her” de Ludmilla Ramalho (MG), que trata sobre o estupro e violência contra a mulher.
MOSTRA DIVERSA
A Mostra Diversa traz fragmentos cênicos - trechos de espetáculo, cenas curtas, demonstrações de trabalho e work in progress, com discussões sobre pautas atuais e reverberações estéticas de mulheres da cena brasileira contemporânea. Os trabalhos foram selecionados via curadoria do festival. Serão apresentadas propostas artísticas nacionais vindas do Paraná, Fortaleza, Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo. Entre elas: “Quem anda no trilho é trem” de Bárbara Salomé (SP) e “Delação não-premiada” de Fernanda Vizeu (RJ). Das propostas da cena local, o público pode assistir a uma diversidade de trabalhos concebidos e protagonizados por artistas da cena mineira, como Carolina Corrêa, Cynthia Paulino, Kelly Crifer, Júlia Branco, Marina Viana.
MESAS-REDONDAS
No dia 11 de setembro, tem a mesa-redonda “Nossos ecos, vozes femininas na contemporaneidade”, com mediação de Lívia Gaudêncio e participação de Jill Greenhalgh (Reino Unido), Violeta Luna (México), Fernanda Frazão (BH) e da pesquisadora e performer Soraya Martins (BH). No dia 12 de setembro, o público pode assistir à discussão “Vamos Juntas! Sustentabilidade e economia criativa na arte”, sob mediação de Bárbara Freiris e participação de Jill (Reino Unido), Jana Janeiro (Casa Quilombê), Verónica Mato (Uruguai). E, no dia 14 de setembro, “Mulheres carregam o mundo – cultura e resistência” encerra o ciclo de debates com mediação de Cida Falabella e participação da indígena Daru Tikuna, de Cássia Manzo (Quilombo Urbano Manzo) e de Poliana Campos (Ocupação Carolina Maria de Jesus). As mesas acontecerão no Museu Inhotim, Teatro Marília e ZAP 18, respectivamente.
SOBRE LÍVIA GAUDÊNCIO – IDEALIZADORA DO FESTIVAL
O LEVANTE! é realizado pelo O Trem Companhia de Teatro (companhiaotrem.com.br), idealizado por Livia Gaudencio e conta com o apoio de parceiros em todo Brasil. Lívia é atriz, diretora, dramaturga e roteirista, formada em Artes Cênicas pela UFMG, pós-graduada em Cinema pela UNIBASP, e com diversos cursos junto a New York University (EUA), EICT (Cuba), entre outros. Idealizadora de trabalhos que tem circulado pelo Brasil, Chile, Uruguai e Portugal. Além de diversos prêmios no teatro infantil, Livia escreveu e dirigiu o curta metragem "Lembranças de Barcelona", feito na Espanha, sobre o tema feminicídio – um de seus projetos em torno das questões do feminino e da condição existencial da mulher que impulsionaram a criação de O Levante.
Foto: Márlene Ramírez
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