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Encontro de corais no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes homenageia 90 anos do célebre maestro Carlos Alberto Pinto Fonseca
Apresentações a preços populares integram a série Concertos da Liberdade, e marcam as comemorações do Festival Carlos Alberto Pinto Fonseca; quatro corais se apresentam no dia 05/09, e todas as vozes se reúnem no dia 06/09 para interpretar a grande Missa
Em 2023, são celebrados os 90 anos de nascimento de um dos mais importantes regentes e compositores de coro do Brasil, o maestro belo-horizontino Carlos Alberto Pinto Fonseca (1933-2006). Como forma de homenagem e reverência ao legado deste artista tão importante, a Fundação Clóvis Salgado (FCS) se junta ao Coral Ars Antiqua para promover um encontro de dezenas de vozes em torno da obra de Carlos Alberto. As apresentações, que integram a série Concertos da Liberdade e o Festival Carlos Alberto Pinto Fonseca, acontecem em dois dias no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes, às 20h30. Em 05 de setembro (terça-feira), estarão reunidos o Coral Lírico de Minas Gerais (CLMG), o Ars Nova – Coral da UFMG, o Coral Ars Antiqua e o Coro Contemporâneo de Campinas, interpretando peças compostas e arranjadas pelo maestro Carlos Alberto. Já no dia 06 de setembro (quarta-feira), todos os coros se juntam para cantar a grande Missa Afro-Brasileira no mesmo palco, somando mais de 150 vozes, além de solistas e percussionistas. O concerto contará, ainda, com um profissional intérprete de Libras para o acompanhamento das ações e orientação ao público com deficiência auditiva nos espaços que dão acesso ao Grande Teatro (Hall e Foyer).
Falecido em 27 de maio de 2006, Carlos Alberto assumiu em 1962 a regência do Coral da União Estadual de Estudantes de Minas Gerais (UEE), que, em 1964, passou a se chamar Ars Nova – Coral da UFMG. Foi, ainda, regente titular da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG) e do Coral Lírico de Minas Gerais. Premiado internacionalmente como regente e compositor, levou a música brasileira a diversos países e contribuiu para o reconhecimento da musicalidade orquestral e coral brasileiras. O autor deixou mais de 20 peças afro-brasileiras e mais de 100 arranjos e composições de outras escolas. Sua obra-prima, a Missa Afro-Brasileira, é considerada uma das mais importantes peças do repertório sacro para coro e solistas, e tem sido cantada e gravada por corais das mais diversas partes do mundo. Por ela, Carlos Alberto Pinto Fonseca recebeu, em 1976, da Associação Paulista de Críticos de Arte, a premiação de melhor obra coral estreada em São Paulo.
O Governo de Minas Gerais e a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, por meio da Fundação Clóvis Salgado, apresentam Concertos da Liberdade – Encontro de Corais e Missa Afro-Brasileira. As atividades da Fundação Clóvis Salgado têm como mantenedores Cemig e Instituto Cultural Vale, Patrocínio Master da ArcelorMittal, Patrocínio da Usiminas e da Copasa e Correalização da APPA – Arte e Cultura.
Uma obra-prima feita de muitas vozes – A Missa Afro-Brasileira (de Batuque e Acalanto), de Carlos Alberto Pinto Fonseca, foi composta em aproximadamente três meses, entre os anos de 1970 e 1971. O maestro decidiu compor esta missa utilizando elementos da cultura afro-brasileira, quando o então papa João XXIII – por ocasião do Concílio Vaticano II – sugeriu que compositores de todo o mundo utilizassem elementos populares e folclóricos de seus países em obras sacras ou de inspiração religiosa. A Missa recebeu, ainda, o subtítulo de Batuque e Acalanto. Segundo o compositor, o acalanto representa a canção de ninar brasileira, enquanto o batuque, de forma geral, remete à percussão de origem africana. Há ainda a presença de vários outros elementos na obra: a marcha-rancho, o samba-canção, o ritmo do maracatu, o folclore estilizado e até uma referência ao “vira” português. A maestra Angela Pinto Coelho, que dividiu a vida e a carreira com Carlos Alberto Pinto Fonseca, e hoje é regente do Coral Ars Antiqua, participará das duas apresentações, regendo tanto o coro do qual é titular, quanto o conjunto de vozes que se reunirão para interpretar a Missa Afro-Brasileira. “É um evento que está reunindo quatro corais dos melhores do Brasil, três dos quais fizeram parte da história do Carlos Alberto Pinto Fonseca, além do Coro de Campinas, cujo regente foi aluno do maestro e é um grande admirador dele. Carlos Alberto fez uma escola, e esta homenagem é um momento muito emotivo e representativo, não apenas pelo sentimento, mas pelo reencontro dos cantores, pelo astral do acontecimento e pela energia daquela música”, afirma.
Inúmeros fatores influenciaram o processo composicional da Missa Afro-Brasileira, e o principal propósito do maestro foi romper com as dicotomias entre os conceitos de sacro e profano, erudito e popular. A obra foi escrita com o texto completo da Missa, em latim e em português, sob a justificativa de que o português é um idioma mais brando, e, portanto, melhor para as melodias suaves, enquanto o latim é mais percussivo e articulado, ideal para as linhas mais enérgicas e para realçar a força, o impulso e o calor dos ritmos africanos. A Missa Afro-Brasileira une, assim, a estrutura da missa romana às características do nacionalismo brasileiro, criando um sincretismo musical, cultural e religioso vindo das tradições ancestrais indígenas, negras e europeias. A obra termina de forma marcante. Após a turbulência da Missa, com todos os seus pontos mais intensos e apoteoses, entra o “Dona nobis pacem”, característico pela suavidade. Repentinamente, na segunda parte, vem a fortíssima exclamação “Agnus Dei!”, como um pedido de socorro a Deus, um chamado para Ele clamando que o mundo não está em paz. “O público vai ter a oportunidade de conhecer o alto nível desses corais. Eu espero que todos saiam do Grande Teatro Cemig Palácio das Artes na maior alegria, por terem tido a chance de assistir a apresentações de tamanha excelência”, salienta Angela Pinto Coelho.
Programa:
05 de setembro
Associação Artística Coral Ars Antiqua
Regência: Ângela Pinto Coelho
1 – Exultate Deo - Alessandro Scarlatti
2 – Muié rendêra - Arranjo - Carlos Alberto Pinto Fonseca
3 – Ponto de Oxum - Iemanjá - Carlos Alberto Pinto Fonseca – Solo de Ana Cristina Faria (soprano)
4 – Cântico para Iemanjá - Carlos Alberto Pinto Fonseca – Solo de Ana Cristina Faria (soprano)
5 – Ponteio - Edu Lobo/Capinam - Arranjo Cláudio Ribeiro
Ars Nova – Coral da UFMG
Regência: Lincoln Andrade
1 – Suíte de Lorca, de Einojuhani Rautavaara, com poemas de Federico Garcia Lorca
• Canción de Jinete
• El Grito
• La Luna Asoma
• Malagueña
2 – Ponto de São Jorge - Ogum Guerreiro - Carlos Alberto Pinto Fonseca
3 – Ponto Máximo de Xangô - Carlos Alberto Pinto Fonseca
Coro Contemporâneo de Campinas
Regência: Angelo Fernandes
1 – Io mi son Giovinetta - Claudio Monteverdi
2 – Psalmus CXIV - Roberto Caamaño
3 – Haec Dies - Carlos Alberto Pinto Fonseca
4 – Canto/ciranda (AO) chão - Aylton Escobar
5 – Belo Belo - Ronaldo Miranda
6 – Jubiabá - Carlos Alberto Pinto Fonseca - Solos de Rafaela Duria (mezzosoprano) e Clóvis Português (tenor)
7 – Águas de março - Tom Jobim - arranjo de Joaquín Martínez Dávila - Solo de Júlia Toledo (mezzosoprano)
Coral Lírico de Minas Gerais
Regência: Hernán Sánchez
1 – A Choral Fanfare - John Rutter
2 – Ich bin der Welt abhanden gekommen - Gustav Mahler
3 – The Conversion of Saul - Z. Randall Stroope
4 – Uma Ave-Maria Afro-Brasileira - Carlos Alberto Pinto Fonseca
5 – Cobra corá - Carlos Alberto Pinto Fonseca
6 – El Guayaboso - Guido Lopez-Gavilan
06 de setembro
Apresentação da Missa Afro-brasileira (de Batuque a Acalanto) - Carlos Alberto Pinto Fonseca
Coral Lírico de MG, Associação Artística Coral Ars Antiqua, Ars Nova – Coral da UFMG, Coro Contemporâneo de Campinas
Regência: Ângela Pinto Coelho
Solistas: Márcia Diniz (soprano), Edineia Oliveira (contralto), Marcos Thadeu de Miranda Gomes (tenor), Mauro Chantal (baixo)
Percussão: Acauã Ranne, Gilson Junio, Farley Henrique, Pablo Oliveira
Arranjo de percussão: Djalma Correa
Revisão e registro em partitura: Eduardo Campos
FUNDAÇÃO CLÓVIS SALGADO – Com a missão de fomentar a criação, formação, produção e difusão da arte e da cultura no Estado, a Fundação Clóvis Salgado (FCS) é vinculada à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult). Artes visuais, cinema, dança, música erudita e popular, ópera e teatro, constituem alguns dos campos onde se desenvolvem as inúmeras atividades oferecidas aos visitantes do Palácio das Artes, CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais – e Serraria Souza Pinto, espaços geridos pela FCS. A Instituição é responsável também pela gestão dos corpos artísticos – Cia de Dança Palácio das Artes, Coral Lírico de Minas Gerais e Orquestra Sinfônica de Minas Gerais –, do Cine Humberto Mauro, das Galerias de Arte e do Centro de Formação Artística e Tecnológica (Cefart). A Fundação Clóvis Salgado também é responsável pela gestão do Circuito Liberdade. Em 2020, quando celebrou 50 anos, a FCS ampliou sua atuação em plataformas virtuais, disponibilizando sua programação para público amplo e variado. O conjunto dessas atividades fortalece seu caráter público, sendo um espaço de todos e para todos.
CONCERTOS DA LIBERDADE | ENCONTRO DE CORAIS – FESTIVAL CARLOS ALBERTO PINTO FONSECA
Data: 05 de setembro de 2023 (terça-feira)
Horário: 20h30
Local: Grande Teatro Cemig Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537, Centro, Belo Horizonte)
Classificação Indicativa: Livre
Ingressos: R$20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia-entrada)
CONCERTOS DA LIBERDADE |MISSA AFRO-BRASILEIRA DE CARLOS ALBERTO PINTO FONSECA
Data: 06 de setembro de 2023 (quarta-feira)
Horário: 20h30
Local: Grande Teatro Cemig Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537, Centro, Belo Horizonte)
Classificação Indicativa: Livre
Ingressos: R$20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia-entrada)
Informações para o público: (31) 3236-7400
Foto: Silvia Dutra
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