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Cia da Farsa estreia “Adivinhe Quem Vem para Rezar” - Dia 09 de setembro

O espetáculo fará temporada no Teatro de Bolso Júlio Mackenzie do Sesc Palladium, de 09 a 18 de setembro (sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 19h)

Dois homens de poucas palavras se arriscam em uma conversa que adiaram por anos. Um diálogo familiar difícil, um acerto de contas entre pai e filho, duas pessoas que preferem guardar os rancores acumulados ao longo da vida, sem perceber o quão desastroso pode ser não dizer a verdade. O texto do jornalista e dramaturgo Dib Carneiro Neto, “Adivinhe Quem Vem para Rezar” ganha nova versão para o teatro pela Companhia da Farsa, em comemoração aos 22 anos do grupo. Montado em parceria com a Companhia Marginal, o espetáculo fará temporada no Teatro de Bolso Júlio Mackenzie do Sesc Palladium, de 09 a 18 de setembro (sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 19h). Valor dos ingressos R$ 30,00 (inteira) R$ 15,00 (meia). Vendas pelo site www.sympla.com.br e na bilheteria do teatro.

O texto de Dib Carneiro Neto é dirigido por Yuri Simon e traz os atores Alexandre Toledo (Companhia da Farsa) e Luiz Drumond (Companhia Marginal) no elenco. A obra descreve um drama psicológico em torno do universo masculino, narrado por trocas de acusações, além de segredos que vem à tona, lágrimas, cobranças e traições. Na trama, presente e passado se entrecruzam e antigas feridas são reabertas num conflito familiar de gerações entre dois homens, e onde o amor é o elemento fundamental para o entendimento.

“Assisti ao espetáculo pela primeira vez, em Belo Horizonte, com Paulo Autran e Cláudio Fontana, nos anos 2 mil, e o texto chamou muito a minha atenção pela sua força: mais do que um acerto de contas entre pai e filho, um conflito de sentimentos entre dois homens. A Companhia da Farsa tem no seu repertório a montagem de espetáculos que provocam, de certa forma, uma investigação da natureza humana, dos anseios, das paixões e fraquezas. E o texto de ‘Adivinhe Quem Vem para Rezar’ vai ao encontro dessa particularidade da Companhia. Já estreamos montagens de autores como Ariano Suassuna, Nelson Rodrigues, Sergio Abritta, Maria Clara Machado, Tereza Frota, além de peças autorais, mas essa é a primeira vez que trabalhamos com um texto tão contemporâneo e atual, como o Dib Carneiro Neto”, diz Alexandre Toledo, da Companhia da Farsa.

Em cena, quatro personagens são interpretados por dois atores: o filho (Luiz Drumond), o sócio, o pai e o padre (Alexandre Toledo). Para Alexandre, um excelente exercício para os atores. “Esse é um texto para dois atores, a dramaturgia pede que seja assim. A história é construída em torno do filho e os demais personagens surgem para suscitar o debate. E são personagens bem distintos, o que exige uma preparação ainda maior.”

A trama se passa em uma igreja. Do lado de fora, uma tempestade se arma com raios e trovões. Um homem, na casa dos 40 anos, chega a igreja, ainda vazia e pouco iluminada, para a missa de sétimo dia da morte de seu pai, onde encontra-se com um antigo amigo da família, um suposto amante de sua mãe. O filho se sente culpado por acreditar por décadas ter presenciado, em sua adolescência, o adultério da mãe sem ter dito uma palavra a ninguém, e encontra no que imagina ser a missa de sétimo dia da morte do seu pai, a sua personagem antagonista. Mas o texto tenta romper com as convenções do realismo e se torna mais complexo, pois não é apenas com o “amante” da mãe que o protagonista se encontra. Outras duas figuras importantes surgem na conversa: um padre e o seu próprio pai. Mas, então, de quem seria a missa? E será que isso realmente importa? Surgem, então, conflitos internos e um acerto de contas que irá expor sentimentos guardados por anos.

Uma história envolvente em que antigas feridas são reabertas num conflito de gerações, onde o amor é o elemento fundamental para o entendimento. O desafio, segundo o autor Dib Carneiro Neto, era escrever um texto sobre a resistência dos homens em querer discutir as relações, e a dificuldade em se abrir uns com os outros. “A reflexão principal que a peça propõe é por que guardamos questões dentro da gente por tanto tempo sem falar com ninguém? O quanto falar liberta e alivia. Principalmente, entre homens, que não costumam se abrir entre eles, falam menos de si, são mais reservados - e isso faz com que muitas coisas fiquem enraizadas e doloridas durante anos. A peça faz personagens masculinos falarem de seus fantasmas, seus medos, seus traumas de infância. Fica no ar o tempo todo a frase: não deixe para amanhã uma conversa que você pode ter hoje. É um acerto de contas entre homens com pouca prática de conversar. A vida é curta: liberte-se das amarras e sinta mais frio na barriga”, diz Dib Carneiro Neto, que descortina outra questão: “o mal que o silêncio pode fazer.”

“O texto traz um filho que faz um mergulho no seu passado e se dá conta dos seus fantasmas e dos seus conflitos com a figura paterna. Uma discussão muito atual, sobre o exercício da paternidade ou a falta dela. Mas além da questão familiar, o que mobilizou as duas Companhias a revisitarem o texto é a possibilidade de observar os homens, a discorrer sobre seus sentimentos, algo tão difícil para a figura masculina”, diz Alexandre Toledo.

Para o ator Luiz Drumond, o espetáculo leva para o palco uma grande sessão de análise e o texto se manterá atemporal por muito tempo. “É um texto muito forte. Não estamos falando apenas de dois homens, mas de pai e filho, que resolvem mexer nas suas feridas. A paternidade, na sociedade machista em que vivemos, é cercada de frieza e estranhamento. O texto consegue mostrar, de uma forma muito feliz, as histórias de muitos filhos, inclusive a minha. Imagine quantos pais e filhos, na plateia, não irão se identificar com as cenas? Infelizmente, eu não acredito em uma mudança da sociedade a curto e médio prazo, sendo assim ‘Adivinhe Quem Vem para Rezar’ se manterá atual por muitos anos”, opina.

O diálogo acontece em um cenário limpo, assinado pelo diretor Yuri Simon, e luzes recortadas, para que as palavras sejam valorizadas: apenas duas cadeiras e duas passadeiras se cruzam representando o centro da igreja, e tecidos ao fundo recebem projeções dos vitrais do santuário e o brilho dos relâmpagos. A conversa é pontuada pela trilha sonora de Márcio Monteiro, que mescla os efeitos dos trovões e da chuva a um tema musical lírico e melancólico, que surge em algumas das cenas mais intimistas.

O ator Alexandre Toledo comenta que “Adivinhe Quem Vem para Rezar” celebra o encontro entre a Companhia da Farsa e a Companhia Marginal, que celebram 22 e 5 anos de teatro, respectivamente. “Esse é o primeiro trabalho dos dois grupos juntos. Há muito tempo que eu e o Luiz Drumond planejamos um espetáculo em parceria. Apresentei a ele o texto e, assim como eu, ele se identificou com o tema e com as personagens. Começamos a trabalhar na montagem logo após a estreia de “Deus da Carnificina”, em março, com as primeiras leituras. Foram cinco meses entre estudos, ensaio e preparação de cenário, figurino e trilha sonora. Estamos prontos para a nossa estreia juntos.”

Ficha técnica

Texto: Dib Carneiro Neto | Direção, cenografia e iluminação: Yuri Simon | Elenco: Alexandre Toledo e Luiz Drumond | Figurinos: Alexandre Colla | Trilha sonora original: Márcio Monteiro Design gráfico: Alex Zannon | Assessoria de Imprensa: Rizoma Comunicação | Produção: Alexandre Toledo e Luiz Drumond | Realização: Companhia da Farsa e Companhia Marginal de Teatro.

SERVIÇO: Companhia da Farsa e Companhia Marginal estreiam “Adivinhe Quem Vem para Rezar”
Dtas: 09 a 18 de setembro (sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 19h)
Teatro de Bolso Júlio Mackenzie - Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1046 – Centro)
Ingresso: R$ 30,00 (inteira) R$ 15,00 (meia)

Vendas pelo site www.sympla.com.br ou na bilheteria do teatro
Classificação etária: 12 anos. Duração: 75 minutos

EXTRAS

Sinopse

Uma pequena igreja ainda vazia e pouco iluminada, do lado de fora arma-se uma forte tempestade com relâmpagos e trovões. Esse cenário serve de suporte para um drama psicológico em que presente e passado se entrecruzam. Um homem, na casa dos 40 anos, chega à igreja para a missa de sétimo dia da morte de seu pai. Outro homem, bem mais velho, chega logo depois; é o ex-sócio do seu pai quando o mais jovem tinha apenas 12 anos, e que este acredita teria sido o amante de sua mãe. É nesse encontro que os homens irão acertar as contas do passado. Mas a situação torna-se mais complexa do que parece. Com a saída do homem mais velho, outro personagem aparece: trata-se do próprio pai, em cuja missa de sétimo dia o homem mais novo acreditava estar. Uma história envolvente em que antigas feridas são reabertas num conflito de gerações, onde o amor é o elemento fundamental para o entendimento.

DIB CARNEIRO NETO

É jornalista, dramaturgo e crítico teatral. Começou a escrever críticas sobre teatro infantil em 1990 na revista Veja São Paulo. Foi editor-chefe do caderno de cultura do jornal O Estado de S. Paulo, o Caderno 2, de 2003 a 2011. Atualmente, escreve críticas de teatro infantil para o seu site e para seu canal do Youtube, ambos com o título de Pecinha É a Vovozinha, além de ter criado nesta pandemia um Webjornal sobre o assunto. Em 2003, reuniu várias de suas críticas e lançou o livro Pecinha É a Vovozinha. Também escreveu peças para teatro, como Adivinhe Quem Vem para Rezar (encenada por Paulo Autran no Brasil e por Federico Lupi, na Argentina) e Salmo 91, adaptação do livro Estação Carandiru, pela qual ganhou o Prêmio Shell de dramaturgo em 2008. Também fez adaptações teatrais dos livros Crônica da Casa Assassinada, de Lúcio Cardoso, e Depois Daquela Viagem, de Valéria Piassa Polizzi. A suposta inveja de Salieri por Mozart o inspirou a criar a peça Um Réquiem para Antonio (2014), encenada com Elias Andreato. Seu último texto, Pulsōes, foi aos palcos em 2015, sobre o tema amor, arte e loucura.

Em 2014, lançou o livro Já Somos Grandes, que reuniu textos de debates sobre teatro infantil, além de uma retrospectiva de 2001 a 2012 das principais temporadas apresentadas no período e uma série de entrevistas e críticas que publicou na imprensa. Em 2017, lançou o livro Imaginai! O Teatro de Gabriel Villela, sobre a vida e obra do grande encenador mineiro. Por esse livro, ganhou o Prêmio Jabuti na categoria "Livro de Artes". Seu site Pecinha É a Vovozinha ganhou o Prêmio Governador do Estado em 2018, na categoria Artes para Crianças, além de menção honrosa no Prêmio Cbtij (Centro Brasileiro de Teatro para Infância e Juventude).

ALEXANDRE TOLEDO

Ator, diretor, produtor e dramaturgo. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em Filosofia pela UFMG, com mestrado em filosofia também pela UFMG e doutorado em Comunicação e Semiótica pela PUC São Paulo, atualmente está cursando psicologia na PUC Minas. Com mais de vinte anos de carreira e um dos fundadores do grupo de teatro Cia da Farsa, esteve em espetáculos tão diversos como Macbeth com Ketchup, La fiaca, Aprendiz de Feiticeiro, O Contrabaixo, Senhora dos Afogados e Boca de Ouro. Seus espetáculos mais recentes são Arte, Wilde.Re/Construído e Diógenes, espetáculo cujo texto também é de sua autoria.

LUIZ DRUMOND

Ator e dramaturgo, com uma carreira de 10 anos nos palcos é integrante da cia. Marginal de Teatro e autor dos espetáculos “Esquecidos/Recordados” e “Destapando a mão da boca da dor”.

Foto: igorcerqueira

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