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Festival Livro na Rua leva arte e diversidade à Fernandes Tourinho, na Savassi
Durante três dias de FLIR, a famosa “rua das livrarias” abrigará Mostra Literária, narração de histórias, mesas-redondas, exposições, shows e outras tantas atividades culturais
Livrarias são extensões da casa de ávidos leitores, não é verdade? Em Belo Horizonte, tais pessoas têm o privilégio de frequentar uma via pública famosa justamente por acolher, em diversos estabelecimentos, a arte, a beleza e a magia dos livros. Trata-se da Rua Fernandes Tourinho, na Savassi, que nos dias 1º, 2 e 3 de setembro será palco do Festival Livro na Rua (FLIR), uma celebração à diversidade e à literatura, comandada pelos livreiros da região. Os dois quarteirões da rua, entre as avenidas Cristóvão Colombo e Getúlio Vargas, abrigarão barracas com artistas, palco com shows, apresentações de contação de histórias e mostra literária. Toda a programação é gratuita.
Realizado em parceria com a Câmara Mineira do Livro e com o Sesc Minas Gerais, o Festival nasceu da ideia de promover as livrarias de rua, que se mantêm como espaço de convivência entre leitores e livros – objetos que, aliás, vão muito além de meros objetos de consumo. “Livrarias são espaços sentimentais que vivem a literatura e têm grande importância na formação do leitor”, ressalta o vice-presidente da Câmara Mineira do Livro e um dos idealizadores do FLIR, Alencar Fráguas Perdigão.
“O papel da Câmara Mineira do Livro é representar editores, livreiros e distribuidores e agir criativamente na formulação de ações que promovam esses três segmentos da cadeia produtiva do livro. As livrarias de rua precisam ser protegidas e valorizadas não apenas como empresas que geram empregos e pagam impostos ou como importante espaço para as pequenas e médias editoras exporem sua produção, mas também como verdadeiros pontos de cultura, locais de formação de leitores e de encontros que celebram e fortalecem a cultura literária da cidade”, afirma Rosana Mont’Alverne, presidente da Câmara Mineira do Livro.
Segundo a pesquisa “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro”, de 2017, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), 52,73% dos livros são adquiridos em tais espaços. Os estabelecimentos de rua destacam-se por selecionar obras que valorizam a diversidade da produção editorial do país, além de conceder espaço a pequenas editoras e dar destaque, em vitrines e estantes, a gêneros menos populares e a novos autores.
Durante os três dias do FLIR, além da mostra literária, que reunirá as livrarias Quixote, Ouvidor, Scriptum, João Paulo II, Café com Letras, D’Plácido, A Savassi Livraria, Cia do Livro, Esquerda Literária, Leitura, Livro Arbítrio, Livraria Internacional de Belo Horizonte, Papel de Seda, Paulinas e Livraria da Rua, haverá exposição de artistas e artesãos locais, intervenções artísticas, shows, sessões de narração de histórias e mesas-redondas com inúmeros autores.
O FLIR é uma realização conjunta de livrarias da rua Fernandes Tourinho e da Câmara Mineira do Livro e conta com o apoio da Fundação Municipal de Cultura, parceria cultural do Sesc MG e patrocínio da Unimed BH via Lei Municipal de Incentivo à Cultura.
Visões sobre a rua
O Festival também se propõe a fazer com que as pessoas pensem na forma como desejam conviver com livros e pessoas. “Ao deixar de lado a ideia de que a leitura é um hábito de solitários e casmurros, o Festival levará livreiros, leitores e livros à rua. Não se trata, apenas, do resgate do hábito de leitura, mas, também, do encontro de pessoas, de brincadeiras no passeio e de conversas quietas sob a iluminação pública”, comenta o jornalista e escritor José Eduardo Gonçalves, curador do FLIR. Durante o Festival, a Fernandes Tourinho será ocupada por pessoas interessadas em passear, ler, ou, até mesmo, caminhar sobre versos escritos pelos caminhos da rua mais literária da cidade.
Levar literatura às vias públicas não significa apenas preencher espaços por onde os cidadãos transitam diariamente. “Falamos de poesia e de novas experiências coletivas, enriquecidas pelos significados simbólicos que a rua tem para cada um”, explica José Eduardo. “A rua, afinal, é ambiente de brincadeira. De namoro. De perigo. De pressa. De conversa. De passagem. De protesto. De amizade. De Bares. De moradia. De feiras e de tantos autores consagrados, como a recém-inaugurada estátua de Murilo Rubião. É hora de celebrar a literatura, em nossas ruas, com vida, diversidade e inclusão”.
Tradições
Para o Festival, a rua Fernandes Tourinho foi especialmente planejada com o intuito de despertar, em adultos e crianças, uma relação com livro a ser mantida pelo resto da vida, a exemplo da afinidade das pessoas com as livrarias tradicionais. Neste sentido, o FLIR- Festival Livro na Rua reunirá duas tradições de sucesso na capital mineira.
A primeira diz respeito à ocupação de ruas, com a promoção de feiras comerciais e culturais. Vias públicas são locais de inclusão. “Se a mobilidade social e econômica é um desafio complexo, outra forma de mobilidade, a cultural, pode acontecer. Na rua e nas feiras, a sociedade é plana; e a troca de experiências, constante. Colocamos em prática a inclusão por meio da leitura. O FLIR é um momento de intercâmbio, que atingirá variada parcela da população, de forma a complementar o processo formador que começa na escola”, destaca a designer Dinah Verleun, criadora da marca do evento.
A outra tradição é literária, e se revela, por exemplo, em ruas com nomes de grandes autores, que fizeram da cidade a sua casa. Trata-se, também, das estátuas, integradas à paisagem das praças e dos prédios. Belo Horizonte é, também, a capital com o maior número de livrarias por habitante. “Com o Festival, é hora de valorizarmos tais tradições, para ajudarmos a preservar as livrarias tradicionais, que passam por momento delicado no Brasil”, afirma Alencar Perdigão, proprietário da tradicional Livraria Quixote.
Felicidade Clandestina
Felicidade Clandestina é um espaço montado para colher depoimentos em vídeo do público durante os três dias do Festival. A ideia é simples: as pessoas serão convidadas a mexer em seu baú de memórias e relembrar histórias que, de alguma forma, falam de suas relações com livros, autores, bibliotecas e livrarias. “O apreço pelos livros e a paixão pela leitura são relações construídas ao longo do tempo, mas há alguns marcos nesse processo amoroso que podem ser resgatados e reelaborados quando temos a oportunidade de falar deles”, afirma o curador José Eduardo, idealizador da iniciativa. Desta forma, cada história registrada compõe um elo único na enorme corrente de memórias afetivas que o projeto pretende construir. Ao final do festival, mais do que recordações soltas que têm seu valor particular, haverá um vasto e inédito acervo de histórias orais sobre a relação dos leitores e a literatura, de modo geral. Felicidade Clandestina tem patrocínio do BDMG Cultural e parceria com a Emvídeo.
Espaços: praticidade e sustentabilidade
Em sua elaboração, o Festival Livro na Rua contou com propostas – conceituais e técnicas – capazes de propiciar os seguintes espaços e situações. A concepção, curadoria artística e identidade visual é da designer Dinah Verleun e o projeto arquitetônico é de autoria de Fernando Maculan e Micrópolis.
Para o arquiteto Fernando Maculan, “a concepção elaborada conjuntamente entre os projetos arquitetônico e de design gráfico tem por motivação inicial a ressignificação da rua como lugar de permanência, convívio, trocas e aprendizados em torno dos livros e da literatura, além de oferecer uma experiência cultural que motivará os visitantes a estabelecerem uma nova relação com os livros e as livrarias de rua”.
Definição de um território simbólico – Poesia visual na rua: excertos literários pintados em estêncil sobre o asfalto, com tinta látex.
Espaços de exposição: construídos com sistema modular, a partir de caixas plásticas usadas no Ceasa, compradas e revendidas com um mesmo fornecedor. O sistema permite a criação de uma “topografia”, de um mobiliário, que pode servir como assento, espaço de guarda, suporte para exposição de livros e compartimentos para vegetação. Sua montagem é simples, embora seja necessário que a composição atenda a princípios estruturais definidos pelos arquitetos. O sistema é móvel e pode ser reconfigurado na montagem e durante o evento. Por fim, sua desmontagem não gera resíduos e permite apropriação democrática e adequada às diferentes escalas das exposições participantes.
Espaços de encontro e troca: ambientes próprios para os encontros informais e para a leitura, mas, também, para realização de palestras, bate-papos, contação de estórias, saraus, performances e apresentações musicais acústicas. Espaço de troca de conhecimentos, ideias e livros, a partir de doações e trocas, que também pode se estender ao intercâmbio de mudas. Usa-se, aqui, o mesmo princípio construtivo dos espaços de exposição, mas em escala maior, com duas “praças” no centro da rua, em cada um dos quarteirões.
Espaço do ócio: leitura é um hábito que sugere um tempo estendido. Proporcionar tal tempo de permanência na rua é um dos objetivos do projeto. Haverá cadeiras de praia e sobreplacas de madeirite, também usadas nos assentos e nas superfícies de exposição. Módulos menores abrigam banheiros químicos e criam superfícies para a comunicação visual do Festival.
PROGRAMAÇÃO
Programação Permanente
Mostra Literária Millôr Fernandes
Local: Rua Fernandes Tourinho, Savassi.
Exposição: “Silenciar o abismo”, de Roney Manzi
Local: Loja Patrícia de Deus (Rua Fernandes Tourinho, 145)
Contêiner com Letras
Local: Rua Fernandes Tourinho, Savassi
Dia 1º/9 - Sexta-feira
18h30 – Abertura Oficial do I Festival Livro na Rua - FLIR
Local: Palco da Casa FLIR
19h às 20h – Mesa: “A cidade da imaginação”
Convidados: professor João Antônio de Paula e Fabrício Marques | Mediação: José Eduardo Gonçalves
Local: Palco da Casa FLIR
20h às 21h – Show: Celso Adolfo em "Música e letra para Sagarana".
Local: Palco da Casa FLIR
Dia 2/9 - Sábado
10h às 11h – Sarau: A Cidade e os Livros.
Convidados: Renato Negrão, Adriana dos Anjos, Norma de Souza Lopes e Zi Reis.
Local: Palco Intervenções
10h30 às 11h30 – Mesa: “A nova ficção feita em Minas”
Convidados: Jacques Fux, Ana Martins Marques e Laura Cohen | Mediação: João Pombo Barile
Local: Palco Casa FLIR
11h às 13h: Intervenção Urbana: Obscena – agrupamento independente de pesquisa cênica na ação "Cadeiras"
Local: Rua Fernandes Tourinho
11h30 às 13h30 - Contação de histórias: Piquenique literário com Beatriz Myhrra.
Local: Rua Fernandes Tourinho, ao lado da Livraria Quixote.
14h às 15h – Intervenção Literária: Xadrez e poesia inédita, leituras e conversas com Ana Elisa Ribeiro.
Local: Palco Intervenções
14h30 às 15h30 – Mesa: “Vidas narradas, vidas que ficam”
Convidados: Tarcísio Badaró e João Perdigão | Mediação: Jorge Fernando dos Santos
Local: Palco Casa FLIR
15h às 16h – Show: Júlia Branco
Local: Palco Casa FLIR
17h – Intervenção Literária: Ricardo Aleixo em "Boca Também Toca Tambor".
Local: Palco Intervenções
19h às 20h – Mesa: “Guias de afeto”
Convidados: Roberto Andrés e Márcia Cruz | Mediação: João Paulo Cunha
Local: Palco Casa FLIR
21h às 22h – Show: “Linhas imaginárias”, com Paim
Local: Palco Casa FLIR
Dia 3/9 - Domingo
10h às 11h – Intervenção Literária: Homenagem a Bartolomeu Campos de Queirós, com leitura de "Vermelho Amargo”, com os atores Inês Peixoto e Arildo de Barros, do Grupo Galpão.
Local: Palco Intervenções
10h30 às 11h30 – Mesa: “Literatura infantil – a formação de leitores”
Convidados: Mário Alex Rosa e Fabíola Farias | Mediação: Rosana Mont’Alverne.
Local: Palco Casa FLIR
11h30 às 13h30: Contação de histórias: Piquenique literário com Beatriz Myhrra.
Local: Rua Fernandes Tourinho, ao lado da Livraria Ouvidor.
14h às 15h – Intervenção Literária: Sarau Vira-lata - edição especial 6 anos.
Local: Palco Intervenções
16h30 às 17h30 – Show: Deh Mussulini em "Fé Menina-Sobre Mulheres e Deusas".
Local: Palco Casa FLIR
Comissão Organizadora do evento:
Alencar Fráguas Perdigão – Coordenador-Geral do FLIR (Vice-Presidente da CML)
Rosana Mont’Alverne – Coordenação (Presidente da Câmara Mineira do Livro - CML)
Alexandre Machado – Coordenação (Diretor da CML)
Dinah Verleun – Coordenação, Curadoria Artística e Identidade Visual
José Eduardo Gonçalves – Curador da Programação Literária
Fernando Maculan e Micrópolis – Projeto arquitetônico
Lubiana Mol – Administração e Finanças
João Camilo de Oliveira Torres – Comunicação
Bosco Ladeira – Coordenador de Produção
Mais informações: www.festivallivronarua.com.br
Foto: Orlando Bento
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