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Peça “Leopoldina, Independência e Morte” estreia no CCBBBH

No mês em que é celebrado o Dia da Independência do Brasil, o Centro Cultural Banco do Brasil de Belo Horizonte recebe o espetáculo “Leopoldina, Independência e Morte”, com Fabiana Gugli e Plínio Soares.

Após temporada de sucesso no CCBB de São Paulo em 2018, chega à capital mineira o espetáculo “Leopoldina, Independência e Morte”, montagem que destaca o papel decisivo da imperatriz Leopoldina no processo de independência do Brasil. Esposa, mãe e também estadista: estes foram os papéis vividos por Leopoldina, casada com Dom Pedro I, numa época em que o lugar da mulher era restrito a funções privadas. Mas sua importância decisiva no processo de independência do país é desconhecida pela maioria dos brasileiros. Com texto e direção de Marcos Damigo, a peça recria três momentos da vida da arquiduquesa austríaca que virou imperatriz do Brasil no século XIX, entre 1817 e 1826: recém-chegada da Áustria, ela relata a uma interlocutora estrangeira suas primeiras impressões sobre o Brasil; Leopoldina, agora imperatriz, e José Bonifácio, seu principal aliado, analisam o complexo processo de independência após um acerto de contas; e, por fim, o delírio que consumiu seus últimos dias. A temporada na capital mineira, que tem o patrocínio do Banco do Brasil, acontecerá no Teatro I do CCBB BH, entre os dias 13 e 30 de setembro, quinta a segunda, sempre às 20h. Haverá sessões duplas nos dias 16, 20, 23, 27 e 30, às 15h. Os ingressos custam 30 reais a inteira.

Quem dá vida à monarca na montagem de BH é a atriz Fabiana Gugli, que divide o palco com Plínio Soares no papel de Bonifácio - os atores são acompanhados ao vivo pela musicista Ana Eliza Colomar na flauta transversal e no violoncelo. O texto e a direção são de Marcos Damigo, que há vinte anos sonha com a montagem da peça. Suas inspirações para jogar luz sobre a primeira mulher a se tornar chefe de Estado do Brasil surgiram de um mergulho profundo na história de Leopoldina publicada em biografias, artigos e cartas – trechos das correspondências estão no texto no espetáculo. Falas de Bonifácio também foram extraídas de diários e pronunciamentos do primeiro brasileiro a ocupar o cargo de Ministro de Estado. O historiador Paulo Rezzutti, autor do livro “D. Leopoldina, a história não contada“, deu consultoria histórica para a peça.

“O ensaio publicado pela escritora e psicanalista Maria Rita Kehl no livro Cartas de uma Imperatriz (Estação Liberdade) foi o estopim para encontrar o recorte de uma história tão rica e interessante, enfatizando a transformação da princesa europeia em estadista consciente de seu tempo histórico. Queremos também mostrar para o público de hoje o projeto de um país que, infelizmente, fracassou com a sua morte e o exílio de Bonifácio. Falar deste sonho de quando o Brasil se tornava uma nação independente é importante para nós, principalmente neste momento em que parecemos ter que negociar pressupostos muito básicos dos entendimentos sobre a vida em sociedade”, conta Damigo.

Leopoldina chegou ao Brasil com 19 anos, morreu aos 29 e engravidou nove vezes. Articuladora e estrategista, foi responsável por ações cruciais para a política da época, mas seu grande feito como estadista não foi reconhecido até os dias atuais: enquanto Regente Interina de Dom Pedro I, durante viagem do imperador a São Paulo, decidiu declarar a independência do Brasil no dia 02 de setembro de 1822. Na peça, ela clama pela autoria do momento histórico e questiona a escolha do dia 07 de setembro, data oficial escolhida para sua celebração.

Gostava de teatro e literatura e falava vários idiomas, além de ser botânica e mineralogista. Segundo Maria Rita Kehl, "D. Pedro continuava dependendo de Leopoldina; ela o orientava politicamente, comunicava-se com representantes de países estrangeiros com mais desenvoltura, falava mais línguas e era mais culta do que ele. Mas Pedro vingava-se da superioridade da esposa desmoralizando-a como mulher". Conforme a paixão de Dom Pedro por Domitila de Castro se tornava pública e a Marquesa de Santos ficava cada vez mais poderosa, Leopoldina e o projeto político que representava foram perdendo força. Morreu após um aborto, deixando cinco filhos, entre eles o sucessor do trono, Dom Pedro II.

Sobre a imperatriz Leopoldina

Descendente da família Habsburgo, a mais poderosa do início do século XIX, Carolina Josefa Leopoldina Francisca Fernanda de Habsburgo-Lorena nasceu em Viena, capital da Áustria, em 22 de janeiro de 1797. Era filha do imperador Francisco I da Áustria e de Maria Teresa da Sicília. Foi a primeira imperatriz brasileira e ficou conhecida popularmente como D. Maria Leopoldina. Deixou sua terra natal rumo ao Brasil para casar-se com Dom Pedro I, em um matrimônio arranjado típico daquela época.

Foto: Victor Lemini

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