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CIA. DE DANÇA PALÁCIO DAS ARTES leva o universo de Manoel de Barros de volta aos palcos com o espetáculo NUVENS DE BARRO

Coreografia criada de maneira colaborativa entre os bailarinos da CDPA é inspirada no universo poético de Manuel de Barros

Imaginação e poesia voltam aos palcos com o espetáculo Nuvens de Barro, trabalho da Cia. de Dança do Palácio das Artes que homenageia e se inspira na obra do poetaManoel de Barros. Com direção coreográfica de Fernando Martins e direção cênica deJoaquim Elias e Fernando Martins, a montagem estreou em outubro do ano passado e recria a delicadeza, a simplicidade e o humor, sempre presentes nos versos de um dos maiores representantes do período pós-moderno da literatura brasileira.

As palavras do escritor “poesia não é para compreender, mas para incorporar” mergulham a apresentação em uma intimidade, já conhecida pela Cia., entre a poesia e a dança. O universo lírico de Manoel de Barros se reflete na inventiva e inventada coreografia, com movimentos que criam o híbrido e o mutável: uma dinâmica na qual coisas se humanizam e pessoas se coisificam.

Imersos neste realismo fantástico, os bailarinos voam fora da asa nos movimentos e interações, tanto entre si quanto com o próprio cenário. A poética está na imagem e no verbo, e contribui para o estabelecimento de uma relação afetiva com o público quando este percebe os elementos cênicos da apresentação. Como afirma Cristiano Reis, regente da Cia. de Dança, “a delicadeza do mundo criado por Manoel de Barros pode ser imaginada e compreendida por qualquer pessoa. ”

Fruto de dois meses de pesquisas, a coreografia foi criada de maneira colaborativa entre os bailarinos da Cia de Dança, que se debruçaram sobre a obra de Barros até encontrar um ponto que unisse a dança e a poesia e indicasse o caminho para o novo trabalho.

O nome da coreografia também é uma alusão às metáforas de Manoel de Barros. A ideia é unir dois elementos que já possuem um significado explícito e criar um terceiro, quase irreal ou inimaginável. A nuvem transmite a leveza, o lado delicado do trabalho. Já o barro é a parte mais pesada, mais palpável. “Quando estávamos pensando no nome da coreografia, esses dois elementos surgiram de uma forma muito nítida para nós. Então, decidimos uni-los, criando as ‘nuvens de barro’, um diálogo interessante com o realismo fantástico do Manoel”, explica Cristiano Reis.

Caminhos diferentes para a criação – Os convidados para conduzir a montagem de Nuvens de Barros compartilham de diferentes experiências no universo literário de Manoel de Barros. A escolha dos diretores, Joaquim Elias e Fernando Martins, surgiu por uma necessidade de trabalhar a nova coreografia a partir de um olhar mais amplo, unindo elementos da narrativa teatral e da dança. Joaquim Elias, que além da vivência no teatro possui grande intimidade com a obra do poeta, iniciou as atividades com a preparação corporal e cênica do grupo. Já Fernando Martins ficou responsável por desenvolver a vivacidade e fisicalidade dos bailarinos – no processo, aplicou no grupo uma técnica denominada Brain Diving, que consiste em conectar corpo e mente e transformar essa conexão em movimento. O grupo passou, então, a pensar como dar fisicalidade e realismo aos elementos identificados anteriormente nas oficinas com Joaquim.

Figurino, cenografia, iluminação e trilha sonora – Outros componentes cênicos também refletem a interação entre corpos e objetos. O figurino, por exemplo, criado por Rai Bento e Renata Alice, traz fortes referências à simplicidade da vestimenta dos povos camponeses ao mesmo tempo em que reproduz a silhueta de peças mais urbanas, mas sem deixar claro o que define cada estilo. Tecidos delicados e transparências reproduzem a ideia de movimento e leveza. As cores das peças também evocam o ambiente natural de Manoel de Barros, com predominância de tons terra, ocre e com leves toques de verde musgo.

Já o cenário do espetáculo é construído a partir de um olhar mais voltado para texturas lembrando cascas de árvores e pedras. Enquanto a iluminação cênica remete tanto aos raios de sol quanto às sombras.

A trilha sonora mescla composições instrumentais, de autoria do músico Rodrigo Salvador, a trabalhos de outros artistas da música nacional, como Tom Zé, que foram selecionadas por Fernando Martins. A proposta de Rodrigo é criar um ambiente sonoro que combine o peso dos instrumentos de percussão, como o tambor, com a leveza da viola caipira, da kalimba e da rabeca, para dar a sensação de que algo pesado e, ao mesmo tempo, sutil, recai sobre os bailarinos no desenrolar da coreografia.

Cia de Dança Palácio das Artes – Corpo artístico da Fundação Clóvis Salgado, é reconhecida como uma das mais importantes companhias do Brasil e é uma das referências na história da dança em Minas Gerais. Foi o primeiro grupo a ser institucionalizado, durante o governo de Israel Pinheiro, em 1971, com a incorporação dos integrantes do Ballet de Minas Gerais e da Escola de Dança, ambos dirigidos por Carlos Leite – que profissionalizou e projetou a Companhia nacionalmente. O Grupo desenvolve hoje um repertório próprio de dança contemporânea e se integra aos outros corpos artísticos da Fundação – Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e Coral Lírico de Minas Gerais – em produções operísticas e espetáculos cênico-musicais realizados pela Instituição ou em parceria com artistas brasileiros. A Companhia tem a pesquisa, a investigação, a diversidade de intérpretes, a cocriação dos bailarinos e a transdisciplinaridade como pilares de sua produção artística. Seus espetáculos estimulam o pensamento crítico e reflexivo em torno das questões contemporâneas, caracterizando-se pelo diálogo entre a tradição e a inovação.

Foto: Paulo Lacerda

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