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Cine Humberto promove mostra “Veredas Antropofágas: Cinema e Modernismo em Minas Gerais” e traça panorama da produção contemporânea a partir do ideário modernista

A mostra é gratuita e fica em cartaz de 2 a 9 de setembro no Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes

O território mineiro tem uma extensa e importante história no cinema nacional. Nomes como o de Humberto Mauro, pioneiro da sétima arte, José Sette de Barros e Sylvio Lanna dão conta da profícua e exímia produção do estado. Para dar sequência ao programa “O Modernismo em Minas Gerais” e apresentar o panorama inventivo da rica cinematográfia mineira, o Cine Humberto Mauro promove, de 2 a 9 de setembro, a mostra “Veredas Antropofágicas: Cinema e Modernismo em Minas Gerais”. Com 18 curtas e 11 médias e longas-metragens, a programação, que é gratuita, traz um panorama do passado, presente e aponta os caminhos percorridos pelo cinema mineiro influenciado pelo movimento modernista. A seleção de filmes também estará disponível na plataforma cinehumbertomauromais.com. Acesse aqui a programação e neste link as sinopses dos filmes.

1927 foi um ano pungente para Minas Gerais em termos de produção e visibilidade artística. Para citar apenas dois exemplos, o período contou com a chegada da revista Verde, de Cataguases, um dos periódicos mais importantes para a divulgação das ações modernistas em território mineiro e do Brasil, e com o filme Tesouro Perdido, de Humberto Mauro, premiado pela Cinearte como melhor filme brasileiro daquela temporada. Em virtude dessa proximidade, Humberto Mauro também passa a figurar nas páginas da publicação, conseguindo consagrar uma interface entre a literatura e o cinema. “Ainda que que não seja possível classificar a obra de Humberto Mauro aos ideais modernistas, a curadoria traz duas obras de grande destaque na cinematografia do diretor: “Sangue Mineiro”, de 1930, e “O Descobrimento do Brasil”, de 1937, que conta com trilha de Heitor Villa-Lobos”, explica Bruno Hilário, curador da mostra e gerente do Cine Humberto Mauro. A mostra ainda traz inúmeros curtas do diretor, como “A velha a fiar”, considerado o primeiro videoclipe brasileiro.

Outro destaque da programação é o filme “Sagrada Família”, de 1970, do cineasta mineiro Sylvio Lanna. A película apresenta uma família abastada que deixa os confortos da cidade e se desloca para o interior. Fora dos limites que traziam aconchego e bem-estar, os integrantes da família perdem a noção de classe e experimentam algo próximo da barbárie na nova localidade. O cineasta belo-horizontino Geraldo Veloso, que participou da confecção da trilha de “Sagrada Família”, escreveu, em texto encontrado nos arquivos da Cinemateca do MAM/RJ, que o filme “pode se prestar a exames arqueológicos de investigadores que se interessem pela pré-história da contracultura brasileira”.

Na seleção de longas ainda estão “Bang-Bang” (1971), de Andrea Tonacci, filmado em Belo Horizonte, e “Um Filme 100% Brazileiro”, do aclamado diretor mineiro José Sette de Barros. “O filme de Barros faz parte do cinema mineiro de invenção e utiliza a experimentação e conceitos que estão muito ligados aos ideários modernistas. Em determinado momento da produção, quando a história se desenvolve em Tiradentes, um prisioneiro afirma que comeu o coração de outra pessoa. É um trabalho essencialmente antropofágico”, pontua Bruno Hilário.

Destaque da produção contemporânea, a obra “Quando o Gavião Vem Dançar Conosco: um Ritual Maxacali”, de Isael Maxakali, Suely Maxakali e Renata Otto figura na programação. “É muito importante para a dimensão cinematográfica que as minorias possam ocupar cada vez mais espaço à frente das produções. Termos, dentre os filmes da mostra, um trabalho realizado pelos e sobre os povos originários se liga fortemente ao que os modernistas da Semana de 1922 pensavam sobre a produção artística estar focada nas diversas culturas e linguagens que compõem o nosso país”, diz Hilário.

Eixos da mostra – o cinema de ontem, de hoje e os caminhos da produção contemporânea

“Veredas Antropofágicas: Cinema e Modernismo em Minas Gerais” foi pensada a partir de três eixos que pudessem entrelaçar o cinema mineiro com as perspectivas e os princípios modernistas de Oswald e Mário de Andrade, Tarsila do Amaral e tantos outros. Ainda insípido no país e como uma produção mais voltada para o registro que para as artes, o cinema não teve destaque na programação da Semana de Arte Moderna de 1922. “O cinema como experimentação só vai acontecer quando os cineastas resgatam o pensamento antropofágico para constituição do que viria a ser o cinema genuinamente brasileiro. Isso se dá com o Cinema Novo e também com o Cinema de Invenção”, explica Bruno Hilario.

A montagem da mostra traça um panorama dos primórdios do cinema no Brasil a partir da visão do artista mineiro Humberto Mauro, considerado o mestre do cinema brasileiro, passa pelo cinema produzido em Minas Gerais nas décadas de 1960, 1970 e 1980, e culmina com a exibição de realizadores contemporâneos, que trazem dentro de sua produção o espírito antropofágico dos primeiros modernistas.

Exemplos da produção atual poderão ser acompanhados por meio da exibição de curtas como “Ursula”, da artista Chris Tigra, “Abdução”, de Marcelo Lin, “A Mulher que eu era”, de Karen Suzane e “App”, de Aisha Brunno.

Cine Humberto Mauro em Congonhas

Parte da programação da mostra “Veredas Antropofágicas: Cinema e Modernismo em Minas Gerais” vai ocorrer de 22 a 25 de setembro no Museu de Congonhas. A iniciativa faz parte das ações do Cine Humberto Mauro para difundir a produção cinematográfica também no interior do estado.

“O Museu de Congonhas foi pensado como ferramenta interpretativa do Santuário de Congonhas e da obra de Aleijadinho que compõe esse espaço. Assim, nossa exposição permanente apresenta um espaço dedicado a entender a visão modernista sobre este conjunto, que de certa forma redescobriu e apresentou esse fazer artístico para o mundo. A maneira como pensamos as obras de Congonhas está intimamente ligada à visão modernista. Então, no ano em que celebramos o centenário da Semana de Arte Moderna, nos unirmos à Fundação Clóvis Salgado para esse braço da Mostra Veredas Antropofágicas muito nos alegra", pontua Pablo Osório, Coordenador de Comunicação do Museu de Congonhas.

O MODERNISMO EM MINAS GERAIS - O Modernismo como trajetória histórica e cultural é fonte rica e inesgotável: deve ser vivenciado, revisitado, apreciado e preservado. Com essa premissa, o programa O Modernismo em Minas Gerais reconstitui a trajetória do movimento artístico mais marcante do século XX no Brasil.

O projeto percorre o núcleo modernista formado em Minas Gerais, principalmente Belo Horizonte, a partir da década de 1920 e evidencia a participação dos mineiros no movimento e suas contribuições em nível nacional. O programa pretende fazer com que o público entre em contato com as contribuições dos artistas nas mais diversas expressões e linguagens culturais, bem como as consequências do movimento nos mais variados domínios da arte.

Entre os destaques da programação, estão: Ciclo de Debates, Saraus Modernistas, Espetáculos Musicais, Mostra de Cinema, lançamento de longa-metragem documental, Espetáculo de Dança, Concertos Sinfônicos, Mostra Fotográfica, Espetáculo Teatral e Publicações. A programação acontece até o fim deste ano nos espaços do Palácio das Artes.

MINISTÉRIO PÚBLICO DE MINAS GERAIS – O Ministério Público de Minas Gerais é uma instituição responsável pela defesa de direitos dos cidadãos e dos interesses da sociedade. A finalidade de sua existência se concentra em três pilares: na defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. Como defensor da ordem jurídica, o Ministério Público é o fiscal da lei, ou seja, trabalha para que ela seja fielmente cumprida. Para tanto, possui autonomia funcional, administrativa e financeira, não fazendo parte nem estando subordinado aos Poderes Executivo, Legislativo ou Judiciário. Essa emancipação lhe proporciona um trabalho mais independente, para a garantia dos direitos da sociedade, em conformidade com o que está escrito na Constituição da República. O Ministério Público atua também para impedir ameaças ou violações à paz, à liberdade, às garantias e aos direitos descritos na Constituição. Nesses termos, tem a função de exigir que os Poderes Públicos respeitem esses direitos e garantias.

FUNDAÇÃO CLÓVIS SALGADO – Com a missão de fomentar a criação, formação, produção e difusão da arte e da cultura no Estado, a Fundação Clóvis Salgado (FCS) é vinculada à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult). Artes visuais, cinema, dança, música erudita e popular, ópera e teatro, constituem alguns dos campos onde se desenvolvem as inúmeras atividades oferecidas aos visitantes do Palácio das Artes, CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais – e Serraria Souza Pinto, espaços geridos pela FCS. A Instituição é responsável também pela gestão dos corpos artísticos – Cia. de Dança Palácio das Artes, Coral Lírico de Minas Gerais e Orquestra Sinfônica de Minas Gerais –, do Cine Humberto Mauro, das Galerias de Arte e do Centro de Formação Artística e Tecnológica (Cefart). Em 2020, quando celebrou 50 anos, a FCS ampliou sua atuação em plataformas virtuais, disponibilizando sua programação para público amplo e variado. O conjunto dessas atividades fortalece seu caráter público, sendo um espaço de todos e para todos.

BRUNO HILÁRIO

Graduado em Cinema e Audiovisual pela UNA (Belo Horizonte). É gerente curador do Cine Humberto Mauro, principal cinema público de Minas Gerais, trabalhando na curadoria e produção de mostras de Cinema. Participa desde 2009 da equipe de produção do Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte (FESTCURTASBH), sendo coordenador geral do evento, que chega a sua 24ª edição em 2022. Atuou como produtor executivo do filme Nimuendajú (longa-metragem, 80 minutos, 4k, Salic: 100264), produzido pela ANAYA Produções Culturais e coproduzido pela CineZebra (Alemanha) e Apus (Peru). Foi produtor da série Felicidade, contemplada no edital FSA PRODAV 04/2013. Produtor executivo do longa-metragem de ficção “Fragilidades”, em processo de desenvolvimento de roteiro. Ator e Produtor em diversos espetáculos teatrais produzidos pela Companhia de Teatro de Belo Horizonte, seu mais recente trabalho é a peça “Capitão Fracasso”, indicada a 5 categorias no PRÊMIO COPASA / SINPARC 2019, incluindo melhor espetáculo.

PROGRAMA O MODERNISMO EM MINAS GERAIS

MOSTRA “VEREDAS ANTROPOFÁGICAS: CINEMA E MODERNISMO EM MINAS GERAIS”
Local: Cine Humberto Mauro
Data: 2 a 9 de setembro de 2022
Entrada gratuita

PROGRAMA O MODERNISMO EM MINAS GERAIS

MOSTRA “VEREDAS ANTROPOFÁGICAS: CINEMA E MODERNISMO EM MINAS GERAIS”
Local: Museu de Congonhas, em Congonhas/MG
Data: 22 a 25 de setembro de 2022
Entrada gratuita

Informações para o público: (31) 3236-7400

Foto: Andrea Tonacci

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