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ARTEMINAS traz a arte de vanguarda de Pedro Moraleida, Marta Neves, Randolpho Lamonier e Desali
A expressiva produção artística mineira de vanguarda é o grande destaque das galerias do Palácio das Artes durante a terceira edição do programa ARTEMINAS, que terá suas exposições abertas a partir de setembro. Trata-se de uma iniciativa da Fundação Clóvis Salgado que se consolida como um programa voltado às artes visuais mineiras e seus artistas.
Para este ano, foram convidados os artistas Pedro Moraleida (Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard), Marta Neves (Galeria Genesco Murta), Randolpho Lamonier (Galeria Arlinda Corrêa Lima) e Desali (Galeria Mari’Stella Tristão), que terão exposições individuais, com linguagens e propostas características, evidenciando apropriações de um retrato do cotidiano e das memórias.
Pintura, escultura, desenho, instalações e novas formas de trabalhar objetos marcam a produção expressiva dessa geração de criadores, que constituem um importante momento da arte mineira em que se buscava uma linguagem singular, revolucionária e questionadora, a partir de obras produzidas em múltiplos suportes.
O presidente da Fundação Clóvis Salgado, Augusto Nunes-Filho, explica que nesta edição, o programa enfatiza a arte de vanguarda. “Esta edição do programa ARTEMINAS remete à inquietude que instiga a significativa parcela da produção artística de vanguarda. Os artistas contemporâneos, inconformados com o que estava no ar, aventuram-se, então, na exposição a novos ventos que os tragam e os desloquem para outros lugares”, conta Nunes-Filho.
A realização do terceiro ARTEMINAS – não quis o que estava no ar: – consolida a iniciativa de estimular e divulgar as artes visuais mineiras, campo no qual o estado tem alcançado destaque histórico. E, mais uma vez, a Fundação Clóvis Salgado reafirma sua vocação pública ao oferecer seus espaços expositivos para inquietações e reflexões artísticas.
De acordo com a gerente de Artes Visuais da FCS, Uiara Azevedo, os artistas convidados para a terceira edição do ARTEMINAS seguem uma linha de produção artística que se aproxima da arte pop, ao mesmo tempo em que se distancia do tradicional fazer artístico.
“A produção desses artistas tem uma característica de transgressão e resistência. Existe em todos eles uma subversão e inquietude que rompe com uma formalidade estética. Para nós, da Fundação Clóvis Sagado, é muito interessante, e também importante, abrir nossas galerias para essa produção, que propõe um questionamento da arte pela arte, em que as próprias instituições e o mercado de arte também são interpelados. ”, destaca
SOBRE AS EXPOSIÇÕES
FAÇA VOCÊ MESMO SUA CAPELA SISTINA
de Pedro Moraleida
Pedro Moraleida Bernardes desenvolveu em vida e deixou, ao falecer precocemente, um enorme acervo de obras de arte singulares e genuínas. Suas produções são pontuadas por um caráter revolucionário e abordagem irreverente, com apropriações de obras e de outros artistas, construindo uma releitura de temas e colocando-os diante de uma ótica vanguardista.
Fruto de um trabalho ousado e polêmico, as obras do artista retornam à Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard com a exposição póstuma Faça você mesmo sua Capela Sistina, com curadoria de Augusto Nunes-Filho. Com mais de 130 obras, entre esculturas, textos, radiografias, vinhetas musicais, desenhos e pinturas, a exposição destaca a não neutralidade da arte, conceito defendido pelo artista enquanto vivo. O trabalho de Moraleida já passou pelo Palácio das Artes em junho de 2002, com a exposição A Confissão de Um Artista Plástico Enquanto Jovem Diante do Século XXI e Tudo o Mais.
Luiz Bernardes, pai de Moraleida, destaca a importância da revisão do trabalho do filho na nova exposição. “O trabalho do Pedro tem uma força de conjunto e um conteúdo altamente questionador, além de uma produção enorme e diversificada. Ele se valia de representações do hedonismo e do consumismo, além da alienação da arte frente aos problemas sociais e humanos”, ressalta. “Nos dias de hoje, a compreensão do trabalho dele é mais tranquila, o ambiente é mais propício. A polêmica estará sempre presente, mas é importante que as obras sejam vistas, revisitadas e interpretadas”, conclui Bernardes.
Outras linguagens – No dia da abertura da exposição Faça Você Mesmo sua Capela Sistina, em 31 de agosto, o público terá a oportunidade rara de conferir um filme dedicado à obra do artista. É proibido jogar futebol no Adro desta igreja (2004), com produção de Sávio Leite, será exibido no Cine Humberto Mauro, às 21h15. A obra foi produzida integralmente com imagens, sons e textos, todos de autoria de Pedro Moraleida feitos durante os anos de 1989 e 1999.
MARTA NEVES - À BOCA PEQUENA, NATURALMENTE
de Marta Neves
Sob curadoria de Júlio Martins, a exposição Marta Neves - à boca pequena, naturalmente reúne mais de 30 trabalhos, em diferentes suportes, de variados momentos da produção da artista mineira. Elaborando uma escrita que se articula à imagem de modo a produzir enunciados corrosivos, a artista trabalha com a ironia e o bom humor do cotidiano em suas obras.
Segundo Marta Neves, os formatos da exposição, que vai ocupar a galeria Arlinda Corrêa Lima, são diversos. “Tanto em relação a dimensões quanto a técnica, as obras possuem variações. A exposição é feita a partir de bordados, pinturas sobre pano de prato, vídeos, faixas de rua, imagens digitalizadas e pinturas diretas na parede. São possibilidades que fazem parte de uma diversidade de técnicas das quais me manifesto”, conta.
Marta Neves - à boca pequena, naturalmente dialoga com a vida do dia-a-dia, a comunicação mais barata e ordinária. “Os produtos de mau gosto que encontramos em lojinhas, as imagens de terceira mão, a apropriação da apropriação: é disso que se dá a minha arte”, ressalta a artista. Seu compromisso, na medida em que é artista, não é fazer algo esteticamente belo, mas refletir suas impressões acerca do tempo e da sociedade em que vivemos. A exposição lança trabalhos inéditos, em colaboração com professores e funcionários do Centro de Formação Artística e Tecnológica (CEFART), assim como recupera obras de sua trajetória artística.
VIGÍLIA
de Randolpho Lamonier
Em seu trabalho, Randolpho Lamonier possui uma trajetória de expressão artística ligada à memória, e à afetividade. Na exposição Vigília, que ocupa a galeria Genesco Murta, o artista reúne aproximadamente 130 obras que passam pela fotografia, pela pintura, pelo desenho, pelo vídeo, pela tapeçaria e pela instalação.
Nascido em Coronel Fabriciano, no Vale do Aço, Randolpho passou boa parte da vida em Contagem. “Construo essa exposição a partir de obras centrais que marcaram meu percurso como artista, e busquei contemplar todas as mídias nas quais trabalho, apresentando inéditos que refletem meu desejo de experimentar”, conta o artista.
Ainda segundo Lamonier, a oportunidade de ocupar uma galeria do Palácio das Artes é sempre bem-vinda. “Quando recebi o convite, me lembrei de minha vivência em Belo Horizonte, de minha família e das histórias trilhadas por aqui. Busquei representar essas memórias, abordando questões do contexto periférico e do hipercentro da capital e da região metropolitana”.
VULGO. LEMBRA-SE DA GRANDE MESA NA SALA DE JANTAR
de Desali
Desali traz para a galeria Mari’Stella Tristão fragmentos e registros de memória de sua trajetória artística com a exposição Vulgo. Lembra-se da grande mesa na sala de jantar. Serão expostas obras marcantes em sua carreira, além de inéditas criadas exclusivamente para essa exposição. A curadoria é de Marina Câmara.
O artista ressalta que as obras selecionadas para a exposição representam uma oportunidade de apresentar novos e antigos trabalhos lado-a-lado. “A memória e meu passado estão sempre presentes em minhas manifestações artísticas: a vida na região periférica de Contagem, desde a fase da infância, até os dias de faculdade, tudo está presente – é um processo de amadurecimento que se torna possível por meio da arte”, conta Desali.
O trabalho de Desali, assim como os dos demais artistas selecionados, transita por múltiplas linguagens: fotografia, pintura, vídeo e performance. Em suas obras, as lembranças mais ínfimas, os pequenos resíduos da cidade e até mesmo objetos considerados lixo possuem um valor artístico – construindo uma relação entre o universo da arte e as camadas sociais mais desfavorecidas.
Sobre os artistas
Pedro Moraleida – Pedro Moraleida nasceu em Belo Horizonte. Estudou na Escola de Belas Artes da UFMG e antes de sua morte precoce, aos 22 anos de idade, já era considerado um dos artistas mais promissores de sua geração. Desde a adolescência o artista já fazia desenhos ligados à linguagem dos quadrinhos, representando uma visão crítica e ácida do mundo. Foi convidado a participar de diversas exposições, como X Integrante, no Salão Anual dos Alunos da EBA/UFMG (1988), Daqui a Um Século (1997), As Lembranças São Outras Distâncias (1988), Grande Círculo das Pequenas Coisas (1999) e a coletiva Condoam-se F.D.P, junto com Frederico Ernesto, além da exposição póstuma Coisas Para Se Fazer Hoje (2002) e a mostra itinerante imagine Brazil, com passagens pela galeria Mamacadela (2013), e circulou por diversas cidades brasileiras e países europeus. Moraleida deixou um acervo com mais de 1.000 desenhos, mais de 450 pinturas, e mais de 200 textos. Em Faça Você Mesmo sua Capela Sistina (2017), a Fundação Clóvis Salgado executa um ousado projeto, que reúne o vasto acervo artístico de Moraleida.
Marta Neves – Marta Cristina Pereira Neves nasceu em Belo Horizonte. Vive e trabalha na cidade desde o início de sua carreira . Formada em Desenho e Cinema de Animação pela Universidade Federal de Minas Gerais. Obteve o título de mestre em Artes Plásticas pela mesma instituição. Participou de exposições no Memorial da América Latina, Baró Galeria e Museu de Arte Moderna de São Paulo. Tem trabalhos nas coleções Gilberto Chateaubriand, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e no Centro Cultural Arthur Bispo do Rosário, no Rio de Janeiro. Foi indicada ao PIPA 2012. Em À boca pequena, naturalmente (2017), a artista apresenta uma série de trabalhos inéditos, além de uma retrospectiva de sua trajetória na cena artística de Belo Horizonte.
Randolpho Lamonier – Randolpho Lamonier nasceu em Coronel Fabriciano. Graduado em Artes Visuais na Escola de Belas Artes da UFMG, vive e trabalha em Belo Horizonte. Desenvolve trabalhos em diversas mídias, sobretudo a fotografia articulada a outras linguagens. Atua no circuito independente de Belo Horizonte e trata também da própria vivência cotidiana nessa cidade como forma de trabalho, na qual a fotografia protagoniza múltiplas formas de troca simbólica. Destacam-se as coletivas Um tanto de nós, no Museu da UFPA, em Belém (2015); Fotografia Mineira Contemporânea, em Tiradentes (2014); Muestra Marrana, em Barcelona (2014); Territórios Compartilhados da Imagem, na FIF, em Belo Horizonte (2013); Salle d’attente, em Paris (2012); e a individual Diários em Combustão na Galeria Orlando Lemos, em Nova Lima (2014). Em Vigília (2017), o artista reúne aproximadamente 130 obras produzidas em variados suportes.
Desali – Desali nasceu em Contagem. Vive e trabalha em Belo Horizonte e é formado em Artes Plásticas pela Escola Guignard, da UEMG (2009). Realizou as exposições individuais Alicerce, na Galeria de Arte Sesiminas, em Belo Horizonte (2013) e Vista-me enquanto não envelheço, na Galeria Orlando Lemos, em Belo Horizonte (2014). Participou de coletivas como Segue-se ver o que se quisesse, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte (2012); Mostra Curto-circuito, no SESC Palladium, em Belo Horizonte (2016) e SIMBIO, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte (2016). Foi selecionado para o 32º Salão de Arte do Pará (2013) e para as residências Dispositivo móvel, JA.CA, no Centro de Arte e Tecnologia, em Nova Lima (2015) e AGORA – International Art Action, Bela Crkva, na Sérvia (2016). Possui obras adquiridas pelo Centro Cultural São Paulo (CCSP), para a coleção Arte da cidade. É o criador da ação Piolho Nababo, que consiste na instalação temporária de uma galeria de arte itinerante. Sua mais recente exposição, Vulgo. Lembra-se da Grande Mesa na Sala de Jantar (2017), Desali apresenta seu provocativo e questionador trabalho, que reúne obras de acervo e criações inéditas.
FAÇA VOCÊ MESMO SUA CAPELA SISTINA, de Pedro Moraleida
Local: Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard
Período: 1º de setembro a 19 de novembro
Horário: Terça a sábado, das 9h30 às 21h. Domingo, das 16h às 21h
Classificação: 18 anos
Entrada gratuita
MARTA NEVES - À BOCA PEQUENA, NATURALMENTE, de Marta Neves
Local: Galeria Arlinda Corrêa Lima
Período: 1º de setembro a 19 de novembro
Horário: Terça a sábado, das 9h30 às 21h. Domingo, das 16h às 21h
Classificação: livre
Entrada gratuita
VIGÍLIA, de Randolpho Lamonier
Local: Galeria Genesco Murta
Período: 1º de setembro a 19 de novembro
Horário: Terça a sábado, das 9h30 às 21h. Domingo, das 16h às 21h
Classificação: 18 anos
Entrada gratuita
VULGO. LEMBRA-SE DA GRANDE MESA NA SALA DE JANTAR, de Desali
Local: Galeria Mari’Stella Tristão
Período: 1º de setembro a 19 de novembro
Horário: Terça a sábado, das 9h30 às 21h. Domingo, das 16h às 21h
Classificação: livre
Entrada gratuita
Abertura das exposições: 31 de agosto (quinta-feira)
Foto: Divulgação
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