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Saúde dos Povos Tradicionais - Ciclo de Celebrações e Cortejo no Concórdia (BH)

Confira a programação

Agosto é um mês de extrema importância para as comunidades tradicionais, mês em que reverenciamos as divindades africanas da cura e da saúde. Nos últimos anos, caminhamos para uma vitória de uma pandemia sombria que assolou e marcou a história do mundo.

Nesse momento, as comunidades de matriz africana retornaram para seus interiores e sobretudo, para o silêncio que habita nas palhas de Divindades tão misteriosas. Agora, convencidos de que nossos cultos e práticas auxiliam a perpetuação da vida do povo negro no Brasil e no mundo. Nós, comunidades tradicionais, voltamos às ruas em festejo as forças que nos mantiveram de pé durante fases tão turbulentas.

Munidos da compreensão de que os saberes tradicionais, as práticas religiosas, o convívio em comunidade e a devolução de dignidade que o candomblé propicia a tantas mulheres e homens através dos anos, reforçamos a certeza do candomblé enquanto ferramenta de cura.

Pensando nisso, a Nzo Jindanji kuna Nkos’i - em parceria com o Afoxé Bandarerê, a Secretaria de Cultura do Munícipio de Belo Horizonte, o CESE e a Escola Neijing - realiza o Ciclo de Celebração aos Senhores da Saúde de 2023, com programação prevista:

SEXTA 25/08 às 19h30

1º Encontro sobre Saúde dos Povos Tradicionais de Matriz Africana da Nzo Jindanji Kuna Nkosi. Contando com a presença de autoridades tradicionais, de movimentos sociais e do poder público. A se realizar na Nzo Jindanji kuna Nkos’i.

SÁBADO 26/08 às 20h

Festa do Tabuleiro na Nzo Jindanji kuna Nkos’i

DOMINGO 27/08 às 13h

Cortejo de Omolu do Afoxé Bandarerê

O Cortejo de Omolú do Afoxé Bandarerê - que fecha a programação do Ciclo de Celebração aos Deuses da Saúde - é uma manifestação do povo de matriz africana da cidade de Belo Horizonte que foi para as ruas do bairro Concórdia pela primeira vez em agosto de 2014. Este ano estamos celebrando a 10ª edição da nossa festividade! Omolú é o deus da saúde para o povo preto, a ele é dedicada uma cerimônia chamada "SABEJÉ": uma caminhada com um balaio de pipoca, pedindo esmolas para realização de sua cerimônia religiosa no terreiro.

No cortejo de Omolú: nossa comunidade se reúne no terreiro e no dia seguinte à atividade religiosa, sai com a "Pipoca Sagrada" compartilhando este Nguzu, Asé, com as pessoas. Depois das bênçãos com as pipocas, tudo vira uma grande celebração nas ruas, festejando a saúde por mais um ano. O Cortejo acontece domingo, dia 27/08 na Praça México - Bairro Concórdia. Concentração às 13h00. Cerimônia de saída às 16h00.

Atrações Culturais: Este ano contamos com a presença mais que especial de duas grandes matriarcas e cantadoras do Candomblé vindas diretamente da Bahia: Nengua Mesoeji, líder do Terreiro Tumba Junsara e Iyá Vânia Amaral, líder do Ilê Ase Kale Bokun! Teremos também a presença de Fran Januário, DJ Camis, do Bloco Swing Safado, além do nosso amado afoxé.

Venha caminhar conosco e celebrar o rei da terra e senhor da saúde, para que não nos falte!

Sobre as Atrações:

Afoxé Bandarerê: Composto pelos vocais de Adriana Araújo, Inah Argentina, Glaw Nader, Marcos Adeolá e Tata Kamus’ende. O Afoxé Bandarerê é o anfitrião do evento e um grupo cultural que promove, nas ruas, a afirmação da sabedoria da matriz africana dos terreiros das variadas nações presentes em Belo Horizonte. O grupo foi fundado por candomblecistas e umbandistas nesta cidade. Nasceu em 2013 como uma necessidade de afirmação de identidade para fora dos terreiros e para atender a necessidade de projeção étnica cultural contrapondo-se a preconceitos, racismos e intolerâncias que as religiões de matrizes africanas ainda sofrem no Brasil como um todo, embora seja inegável sua contribuição para cultura e identidade nacional em sua diversidade. O nome do grupo se refere ao amor por Belo Horizonte. Como a cidade é tomada por casas das nações de Ketu e Angola, que também são as nações dos fundadores do Bandarerê, estes, decidiram nomear o bloco com uma corruptela de duas palavras, uma yorubá e outra bantu formando uma palavra que diz para as duas nações sobre amor.

Fran Januário: Mulher Preta - Musicista Mineira, Cantora, Compositora, Educadora Musical e Sambista. Fran Januário é uma das maiores vozes da música mineira na atualidade. Idealizadora do Projeto Samba Da Januário, Coletivo de Mulheres Sambistas de Minas Gerais "Donas de Si" e do quarteto de Sambistas "Gira". Participa de inúmeras mostras e projetos no cenário cultural de Belo Horizonte. Com seu timbre vocal peculiar, único e singular, trás aos shows e espetáculos uma inovadora experiência musical.

Bloco Swing Safado: Surgiu em 2015 das ladeiras da comunidade do Conjunto Santa Maria. Com músicas populares brasileiras oriundas das comunidades e favelas, o nome do bloco Swing Safado veio a calhar pois retrata bem o swing presente na ancestralidade latina, africana e a safadeza das músicas de duplo sentido, sempre tanto presentes no universo pop quanto nas cantigas de roda do povo brasileiro.

DJ CAMIS: Mulher negra, da periferia de Contagem, mais especificamente do bairro Jardim Laguna. Atua há 14 anos na Defensoria Pública de Minas, auxiliando na defesa da população carcerária e suas famílias. Como produtora cultural, propõe a reflexão do empoderamento, a representatividade e o protagonismo da população negra, sobretudo das mulheres negras, sendo uma das fundadoras, organizadoras e DJ residente da festa do Projeto 'Samba das Pretas BH'. Apaixonada e disseminadora da Black Music, caminha pelas suas vertentes, propondo uma viagem nas décadas, com muito soul, jazz, funk, r&b, hip Hop, miami, funk nacional, pagode e samba.

Nengua Mesoeji: Matriarca do Terreiro Tumba Junsara (Salvador - BA), importante comunidade do candomblé congo-angola do Brasil. Com 69 anos de iniciada, Nengua Mesoeji dedicou toda uma vida à perpetuação dos saberes tradicionais de matriz africana. Em 2022 foi intérprete principal do álbum Rezar é Cantar - em parceria com o Afoxé Bandarerê.

Iyá Vânia Amaral: Matriarca do Ile Asé Kalè Bokun (Salvador- BA) - que celebra em 2023 90 anos de existência e salvaguarda do candomblé de nação Ijexá. Iyá Vânia é cantora, estudou magistério no colégio ICEIA e é estudante de psicologia. Mãe Vânia ocupou o cargo de Iyalaxé, quando em decorrência do falecimento de sua mãe biológica - a Ekedi Valdenita Amaral, conhecida como Mãe Anita - foi empossada Iyálorixá do Terreiro.

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Foto: Divulgação

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