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Cia de Dança Palácio das Artes apresenta, na Praça da Estação, remontagem de espetáculo que tem como tema a violência contra a mulher
Com concepção e coreografia de Henrique Rodovalho, Poderia Ser Rosa será apresentado gratuitamente no Centro de Belo Horizonte; espetáculo aborda o feminicídio a partir de quatro casais e suas histórias, apresentando o começo das relações e seus desmembra
Suscitado pelo crescente número de mulheres assassinadas na região do Anel Rodoviário de Belo Horizonte no final da década de 1990, o espetáculo Poderia ser Rosa, da Cia de Dança Palácio das Artes, estreou em 2001. Mais de 20 anos depois, a violência contra as mulheres segue sendo um tema urgente na sociedade brasileira. Dados do 17º Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que os crimes motivados por gênero cresceram em 2022, quando comparados ao ano anterior. É o caso dos feminicídios, que subiram 6,1%, e também das agressões em contexto de violência doméstica, cujos registros aumentaram em 2,9%. É neste quadro alarmante que a Cia de Dança Palácio das Artes (CDPA) apresenta, na Praça da Estação, região central de Belo Horizonte, uma nova versão de Poderia ser Rosa. Com coreografia novamente assinada por Henrique Rodovalho, o espetáculo será encenado na quinta-feira (31/8), a partir das 16h, de forma gratuita. A classificação indicativa é de 14 anos. A apresentação contém cenas que simulam violência.
O evento faz parte das comemorações da Defensoria Pública de Minas Gerais, em função do aniversário de dezessete anos da Lei Maria da Penha. O espetáculo marca também o encerramento do Agosto Lilás, campanha centrada na luta pelo fim da violência contra a mulher. Poderia ser Rosa aborda frontalmente o feminicídio a partir de quatro casais e suas histórias, que apresentam o começo das relações e seus desmembramentos. Em um país que registrou uma média de 4 feminicídios por dia em 2022, Henrique Rodovalho revisita sua criação e concebe, de forma totalmente reformulada, o tema da violência de gênero. Somando-se à proposta artística, a apresentação no Centro de Belo Horizonte também contará com banners indicando contatos para denúncias, além da presença da Polícia Militar de Minas Gerais. Aliando sensibilidade e intensidade, Poderia Ser Rosa assume seu caráter de denúncia como papel ativo no combate à violência.
O Ministério da Cultura, o Governo de Minas Gerais e a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, por meio da Fundação Clóvis Salgado, apresentam o espetáculo Poderia Ser Rosa. As atividades da Fundação Clóvis Salgado têm como mantenedores Cemig e Instituto Cultural Vale, Patrocínio Master da ArcelorMittal, Patrocínio da Usiminas e da Copasa e Correalização da APPA – Arte e Cultura.
No centro da temática – Localizada no Hipercentro de Belo Horizonte, a Praça Rui Barbosa, popularmente conhecida como Praça da Estação, é um dos principais espaços abertos para a realização de shows e eventos, além de um ponto de intenso tráfego. Sônia Pedroso, diretora da Cia de Dança Palácio das Artes, reforça a importância da nova versão de Poderia Ser Rosa ser encenada neste espaço, notável pela grande circulação de pessoas. “Eu entendo que é um assunto de extrema importância e atualidade. Ao retomarmos esse trabalho na Praça da Estação, estamos fazendo um alerta para a população de uma forma geral. Para nós é fundamental podermos trazer essa retratação de algo que, infelizmente, acontece todos os dias”, afirma.
A partir de um novo entendimento, constantemente aprimorado, o delicado tema da violência doméstica volta a ser objeto de reflexão e elaboração artística da Cia de Dança Palácio das Artes. “Certamente não é uma temática fácil, e os bailarinos estão imersos neste assunto extremamente violento. Então estamos tendo muitas conversas, e contamos também com ajuda profissional, para que eles possam receber e abordar melhor este problema, que será retratado através do corpo. É um caminho que encontramos para lidar com isso e levar o assunto ao público, porque é um tema importantíssimo, mas é fundamental que os artistas consigam ferramentas para separar a temática difícil do corpo e das emoções de cada um”, ressalta Sônia Pedroso.
Quando o feminino se movimenta – Dono de um estilo que retrata imagens do cotidiano brasileiro com uma movimentação específica, Henrique Rodovalho foi convidado para criar a coreografia de Poderia ser Rosa em 2001, e agora, duas décadas depois, é chamado novamente para a remontagem. O coreógrafo destaca os desafios de se adaptar o espetáculo para um contexto diferente, mas que ainda impõe imensos desafios. “Na época, o conceito final se deu no sentido de tratar questões psicológicas e procedimentos desse assassino em série que estava matando mulheres, a partir de personagens que foram desenvolvidos e também de movimentos/gestos coreografados. Foram captados vários depoimentos de mulheres sobre o assunto e esse material foi utilizado na linha narrativa do espetáculo. Quando agora houve a proposta de resgatar essa obra, uma grande questão foi apresentada: como trazer esse triste assunto de novo, mas dialogando, de alguma forma, com o que acontece hoje?”, explica.
Foi então que surgiu a proposta de tratar o feminicídio a partir das histórias de quatro casais. Rodovalho conta que os duos começam com uma dinâmica de relação e movimentos mais suaves e tranquilos, indo depois para momentos e movimentações mais tensas e agressivas. “O que se percebe estatisticamente é o aumento de feminicídios, praticados principalmente por companheiros ou pessoas próximas da família. Sendo assim, o que era para ser uma simples remontagem demandou uma análise mais cuidadosa, surgindo a necessidade de se repensar a obra para a construção de um olhar atual. Por isso, foi solicitado ao elenco feminino da Cia de Dança Palácio das Artes que colocasse nesse trabalho todo o olhar delas acerca do tema, que toca direta e principalmente as mulheres. Assim, o protagonismo dessa nova obra é delas, para tentar buscar formas de respostas, além de um pensamento e atos mais sensíveis de acolhimento sobre essa delicada questão. Tentar, enfim, contribuir para que tenhamos um mundo mais generoso e feminino”, reflete.
HENRIQUE RODOVALHO – Com formação em artes marciais e Educação Física pela Escola Superior de Educação Física e Fisioterapia de Goiás, atuou como ator e bailarino antes de 1988, quando iniciou sua carreira como coreógrafo, sendo reconhecido por seu trabalho como residente da Quasar Cia de Dança e por seu estilo de movimentação em dança, que trabalha a segmentação do corpo. Rodovalho se interessa pela expressão do corpo desde criança, com influência vinda do cinema e da televisão. Foi aluno do professor e coreógrafo Julson Henrique (1953-1993), e dançou junto de outros coreógrafos como Regina Sauer (1957) e Rainer Vianna (1958-1995). Desde 1988, ano de criação da Quasar Cia de Dança, Rodovalho é coreógrafo do grupo, a convite da bailarina Vera Bicalho (1963). Em 1994, a companhia independente estreia Versus, responsável pela projeção internacional do coreógrafo e do grupo. Seguiram-se os espetáculos Divíduo (1998), Coreografia Para Ouvir (1999) e Mulheres (2000). Em 2018, Rodovalho cria Melhor Único Dia, seu segundo espetáculo para a São Paulo Companhia de Dança (SPCD) – premiado pela comissão de dança da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) na categoria espetáculo (estreia) –, no qual mantém seu estilo de movimentação, replicado em conjunto. Em 2020, torna-se coreógrafo residente da SPCD, participando de recriações de obras do repertório da Quasar, além de novas produções. Internacionalmente premiado por seu estilo autoral de coreografia, Henrique Rodovalho tem papel fundamental na dança de sua geração, por meio de sua produção na Quasar Cia de Dança, e como convidado em diversos outros grupos, no Brasil e em países como México, Portugal e Holanda.
CIA DE DANÇA PALÁCIO DAS ARTES – Reconhecida como uma das mais importantes companhias do Brasil, é uma das referências na história da dança em Minas Gerais. Foi o primeiro grupo a ser institucionalizado, durante o governo de Israel Pinheiro, em 1971, com a incorporação dos integrantes do Ballet de Minas Gerais e da Escola de Dança, ambos dirigidos por Carlos Leite – que profissionalizou e projetou a Companhia nacionalmente. O Grupo desenvolve hoje um repertório próprio de dança contemporânea e se integra aos outros corpos artísticos da Fundação – Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e Coral Lírico de Minas Gerais – em produções operísticas e espetáculos cênico-musicais realizados pela Instituição ou em parceria com artistas brasileiros. A Companhia tem a pesquisa, a investigação, a diversidade de intérpretes, a cocriação dos bailarinos e a transdisciplinaridade como pilares de sua produção artística. Seus espetáculos estimulam o pensamento crítico e reflexivo em torno das questões contemporâneas, caracterizando-se pelo diálogo entre a tradição e a inovação.
FUNDAÇÃO CLÓVIS SALGADO – Com a missão de fomentar a criação, formação, produção e difusão da arte e da cultura no Estado, a Fundação Clóvis Salgado (FCS) é vinculada à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult). Artes visuais, cinema, dança, música erudita e popular, ópera e teatro, constituem alguns dos campos onde se desenvolvem as inúmeras atividades oferecidas aos visitantes do Palácio das Artes, CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais – e Serraria Souza Pinto, espaços geridos pela FCS. A Instituição é responsável também pela gestão dos corpos artísticos – Cia de Dança Palácio das Artes, Coral Lírico de Minas Gerais e Orquestra Sinfônica de Minas Gerais –, do Cine Humberto Mauro, das Galerias de Arte e do Centro de Formação Artística e Tecnológica (Cefart). A Fundação Clóvis Salgado também é responsável pela gestão do Circuito Liberdade. Em 2020, quando celebrou 50 anos, a FCS ampliou sua atuação em plataformas virtuais, disponibilizando sua programação para público amplo e variado. O conjunto dessas atividades fortalece seu caráter público, sendo um espaço de todos e para todos.
CIA DE DANÇA PALÁCIO DAS ARTES NA PRAÇA DA ESTAÇÃO | PODERIA SER ROSA
Data: 31 de agosto de 2023 (quinta-feira)
Horários: 16h
Local: Praça da Estação – Centro, Belo Horizonte
Classificação Indicativa: 14 anos
EVENTO GRATUITO
Informações para o público: (31) 3236-7400
Foto: Christiano Castro
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