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Marquim D'Morais se apresenta em show gratuito neste domingo (27) no Teatro Santo Agostinho
Evento faz parte do lançamento do primeiro disco de estúdio do cantor “Do alto do morro”
O cantor e compositor Marquim D'Morais se apresenta em show gratuito neste domingo (27 de agosto), às 19 horas, no Teatro Santo Agostinho (Rua Aimorés, 2679 – Santo Agostinho). O espetáculo faz parte do lançamento do primeiro disco de estúdio do cantor Do alto do morro e contará com participações especiais da poetisa paulista Luz Ribeiro, amusicista Iaiá Drumond, do MC Douglas Din, Teffy Angel e DWC e artistas do Centro Cultural Lá da Favelinha. Os ingressos serão distribuídos a partir das 17 horas na bilheteria do teatro. Mais informações:www.marquimdmorais.com.br
Do alto do morro é resultado de um mergulho profundo do artista na mistura de ritmos que caracteriza a sonoridade de boa parte das periferias brasileiras. Com o olhar e ouvidos atentos, especialmente, para o Aglomerado da Serra (local onde foi criado e mora até hoje) Marquim D’Morais mostra no álbum inédito a diversidade musical da favela, um lugar que pouco se conhece, mas muito se comenta.
Reggae, rap, funk, soul, capoeira, música gospel, na verdade uma miscelânea de levadas sonoras comuns nas ruas do aglomerado, são as referências de Marquim D'Morais e estão presentes nas 10 canções do novo disco. “É um trabalho plural, que tem a minha cara. Não estabeleci uma definição de gênero que pudesse limitá-lo ou enquadrá-lo em algum estilo. Cada música recebeu uma roupagem específica. No processo de composição me deixo levar pelo clima das canções e pelas múltiplas referências. Foi assim também nos arranjos compostos por Flávio Medeiros. Posso dizer que a capoeira, por exemplo, está muito mais presente nas letras; e a literatura do morro serviu como inspiração para os ritmos”.
Apesar da fluidez no processo de criação das músicas, ele conta que houve um trabalho de pesquisa intenso para conceber Do alto do morro. Por mais de 12 meses o artista esteve ao lado de Medeiros e da musicista Iaiá Drumond se debruçando sobre as sonoridades que marcaram sua trajetória. “É importante dizer que o talento e a diversidade de olhares de todos os músicos que participaram do álbum foram essenciais para eu extrapolar as minhas barreiras. Quero valorizar e divulgar, por meio da música, o cotidiano da favela e a contribuição de toda a equipe é fundamental para tornar isso possível. Sabemos que a música tem um poder aglutinador que pode e deve mobilizar as pessoas e abrir janelas por onde podemos enxergar melhor a realidade das favelas e periferias”.
Segundo ele, a música tem um papel importante no desenvolvimento das pessoas, seja no aspecto político, no moral e no social, e contribui para a formação de hábitos e valores indispensáveis ao exercício da cidadania. “A base do meu trabalho é formada pelas melodias de ordem, que retratam a voz do morro. Meu objetivo é contribuir para o crescimento de pessoas mais críticas, criativas, projetando ainda mais minha comunidade no cenário artístico e musical”.
Mais sobre Marquim D'Morais
Foi a partir da capoeira que Marquim deu início ao seu trabalho como artista. “A música sempre esteve presente na minha vida, mas é inegável que a capoeira me estimulou a desenvolver capacidades importantes para me tornar um músico. Foi também onde comecei a compor. A primeira banda da qual fiz parte, a Kayajhama, era formada por capoeiristas”.
“Na infância, meu avô tocava guitarra na igreja e eu sempre o via carregando o instrumento, que me encantava. A musicalidade presente no ambiente religioso também influenciou a minha formação musical. O rap era outro ritmo muito presente, principalmente os Racionais MC’s, MV Bill e Facção Central, além da música soul, que era tocada nos bailes, mas também estava nas casas, nas ruas, na vida da favela. O funk (tamborzão) chegou forte nos anos 90 e fez parte do que soava na periferia e que nós, favelados, nos identificávamos”.
Outra referência importante foi o reggae, sobretudo o trabalho de Bob Marley, “que transmite uma energia que não precisa saber o que ele está falando pra entender que é sobre o bem. São temas fortes, abordados com leveza, expostos com suavidade. Isso me encanta e é o que tento fazer com minhas canções.”
Ele conta que o violão sempre foi um companheiro, junto com um berimbau ou qualquer outro instrumento de percussão. “Nunca tive longas aulas de música ou instrumento, mas penso que tudo é uma grande escola. Me dedico intensamente à música desde 2009 e aprendo a cada dia com os artistas que tenho a honra de trabalhar e conviver, como a minha companheira, a cantora e compositora Iaiá Drumond, que considero uma grande mestra”.
Foto: Athos Souza
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