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Espetáculo "Matias e a estrada infinita do tempo", no Parque Municipal Fazenda Lagoa do Nado
Com acessibilidade em libras, a peça gratuita em circulação desde julho é uma ótima opção para o final de semana da criançada belorizontina. As últimas apresentações da temporada acontecerão nos dias 26 e 27, no Parque Municipal Fazenda Lagoa do Nado
A Cia Bando está encerrando a circulação do espetáculo infantil "Matias e a Estrada Infinita do Tempo". A temporada de apresentações teve início em julho, sempre com apresentações sempre ao ar livre, convidando a população a aproveitar os finais de semana em um ambiente familiar, saudável, em meio a natureza, incentivando o acesso à cultura de maneira acessível e em conexão com o público. "Matias e a Estrada Infinita do Tempo" é uma jornada tocante de criança curiosa e inventiva em busca das memórias perdidas do irmão Bento, que ficou muito doente e morreu. Com apresentações em parques públicos de Belo Horizonte, incluindo duas regiões periféricas da cidade, a circulação contará com mais duas apresentações: nos dias 26 e 27 de agosto, às 15h, no Parque Municipal Fazenda Lagoa do Nado. Todas as apresentações serão gratuitas, abertas ao público e com tradução em Libras. Não é necessária retirada de ingresso. Para mais informações, acesse: https://www.instagram.com/cia.bando/
A Cia Bando é formada por quatro atores e contadores de histórias que exploram o universo dos contos e mitos, transformando-os em espetáculos infantis. Com seu mais novo espetáculo, "Matias e a Estrada Infinita do Tempo", o grupo buscam abordar a temática da morte para as infâncias sob perspectivas e estéticas de origens africanas e afro-brasileiras, que enxerga esse processo como uma passagem e não como o final da existência da pessoa que amamos.
No novo espetáculo, o grupo reforça o seu compromisso com a interseção entre linguagens artísticas híbridas, como teatro, música e contação de histórias para narrar a vida de Matias, um menino que sempre admirou as invenções de seu irmão mais velho, Bento. Curioso e atento a tudo que acontecia à sua volta, Bento era a alegria da casa; Brincava, pegava objetos e os montava e remontava. Ele sonhava em conhecer o mundo todo e criou um catavento para guiar suas viagens. Mas, repentinamente, a felicidade da família se transforma em tristeza quando Bento adoece e morre.
Após a perda do irmão, Matias se lança em uma longa jornada para descobrir o tempo alegre que viveu ao lado de Bento, bem como novas possibilidades de felicidades e memórias que pode construir depois da partida do irmão. Nessa viagem, ele passará por diferentes cidades, sendo elas: a cidade opaca, cidade das lembranças e Bosque Dentro de mim, locais esses que ajudarão Matias a elaborar a perda de seu irmão. Fabiana Brasil, atriz e proponente do projeto, explica que a peça aborda temas como luto, saudade e esperança pelo ponto de vista infantil, explorando de forma sensível e lúdica o tema. Partindo de uma visão não-ocidental, o espetáculo amplia a discussão sobre temas relevantes e muitas vezes negligenciados no universo infantil. “Pelo tipo de sociedade que a gente vive, o tipo de cultura que nos impõem, a morte se torna só um peso, e não uma lembrança boa de alguém. A lembrança que a pessoa deixou, não morre!”, comentou.
Buscando na vida recursos para lidar com a perda: Embora faça parte da ordem natural, a morte é considerada por muitos um tema tabu, e raramente abordado no núcleo familiar. Existe uma ideia de que a compreensão da morte pelas crianças é influenciada pela idade e pelo contexto familiar e cultural, podendo sobrecarregá-las com tristeza associada ao tema. Fabiana Brasil explica que o espetáculo, embora fale de perda, tem um frescor divertido e dinâmico, e visa abordar o tema de uma perspectiva que ajude a enxergar o luto com outros olhos. “Falar de dor, ainda mais de uma dor inevitável, para ajudar a encontrar na vida formas de lidar com a perda. Falar de como a gente sente, como vivenciamos essa experiência, mas também de como podemos entender esse processo e de alguma maneira perceber a permanência da pessoa de outras formas”, destaca. Embora a narrativa perpasse pela morte do irmão mais velho, o espetáculo aborda a criatividade, a resiliência e a importância de preservar as memórias e as lembranças dos nossos entes amados.
Por ser um tema pouco discutido, a criação da peça exigiu da companhia uma responsabilidade redobrada para conseguir abordar a perda de maneira condizente com o público infantil. Por meio de "Matias e a Estrada Infinita do Tempo", a Cia Bando busca reforçar a ideia de que é possível trabalhar com a temática da morte para as infâncias com o propósito de mostrar que esse processo não precisa ser doloroso. “A pandemia só fortaleceu a nossa ideia. A gente pensou em falar em morte em um primeiro momento porque queremos trazer temas que geralmente não são discutidos nas infâncias”, acrescenta Fabiana. A intenção é apresentar às crianças que a morte pode ser vista como passagem. Tudo é possível, como sentir tristeza, não saber o que fazer, buscar lembranças e seguir o que fica em você da pessoa que foi embora.
Morte como a celebração da vida e de um novo ciclo - Anderson Ferreira, responsável pelo cenário e figurino da peça explica que o fio condutor do espetáculo são três elementos que ele chama de divindades: o tempo, a morte e a memória. São três divindades que guiam todo a jornada de Matias. Para dar vida e forma a esses elementos, Anderson explica que tentou trazer para a cena essa realidade afrodiaspórica por meio das cores, tecidos e materiais orgânicos que compõem os figurinos dos personagens. “É uma peça muito colorida, e isso a distância da maneira como a sociedade ociedental lida com a morte. A morte na peça, por exemplo, é rosa, é uma morte diferente do que a gente conhece, com outros símbolos e ícones”, destaca.
Anderson buscou para elementos do cotidiano maneiras de existir, com o uso de utensílios domésticos e coisas de casas, reforçando, por meio das cenas, as boas memórias e criatividade de Bento e Matias, duas crianças muito inventivas. O figurinista destaca ainda que muito de sua inspiração veio dos trabalhos do artista plástico Arthur Bispo do Rosário, com obras que contam a história do mundo, assim como Bento tentava fazer com suas invenções e brincadeiras.
E para os responsáveis que desejam levar as crianças a peça, Anderson destaca que o espetáculo nos dá a possibilidade de refletir mais sobre a vida do que sobre a perda de quem amamos. “Temos a ideia de que que vai embora, nos deixa para sempre. Essa passagem, que é algo que todos vamos viver, faz parte de um ciclo natural. Quem morre não some, permanece viva nas lembranças que ficam. Não existe um fim na peça, é início meio e início. Vida, morte e vida. A peça é uma comemoração de quem a pessoa foi enquanto estava com a gente, e a celebração de um novo ciclo que se inicia pra ela a partir da passagem, assim como nas culturas afro-brasileiras", comenta.
Primeiras apresentações - As apresentações do espetáculo tiveram início nos dias 29 e 30 de julho de 2023, no no Parque Ecológico Roberto Burle Marx (Parque das Águas). Já nos dias 05 e 06 de agosto, a Cia Bando levou o espetáculo para o Parque Municipal Américo Renné Giannetti, circulando assim por duas regiões da cidade: Barreiro e Centro. A forma da Cia. Bando tratar um tema sensível de maneira tão cuidadosa vem chamando a atenção dos papais e mamães que tem elogiado a peça. "Percebemos que muita gente foi e ficou feliz de tratar o assunto, a temática chama atenção dos pais, e vimos gente indicando em grupos de mães o espetáculo. O texto também foi bem recebido, e algumas pessoas elogiaram a maneira como colocamos as palavras em cena, assim como o cenário, figurino e mascaramentos em cena”, destaca Fabiana.
O quarteto preza pelo acesso inclusivo ao teatro, por isso, todas as apresentações contam com tradução em Libras, tornando-as acessíveis ao público surdo. Ao ocupar regiões periféricas da cidade com produção artística local e gratuita, o grupo também age em prol da democratização do acesso à cultura.
"Matias e a Estrada Infinita do Tempo" traz para os palcos uma outra perspectiva da morte, desenhando como uma criança reage e lida com a perda. E embora seja um espetáculo infantil, a jornada de Matias vai tocar pessoas de todas as idades.
"Matias e a Estrada Infinita do Tempo" é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte. Outras informações estão disponíveis no Instagram da Cia Bando https://www.instagram.com/cia.bando/
Direção e direção musical: Tatá Santana
Preparação corporal para mascaramento: Diego Poça
Dramaturgia: Luciana Campos
Trilha sonora: Tata Santana
Atrizes: Andréa Rodrigues, Rainy Campos, Fabiana Brasil, Anderson Ferreira
Figurino e cenário: Anderson Ferreira
Cenotécnica: Ana Elisa, Anderson Ferreira e Nilson Santos
Costureira: Célia Maria
Produção: Fabiana Brasil
Assistência de Produção: Suellen Sampaio
Assessoria de Imprensa: Fortalecência Assessoria - Mariana Cordeiro
SERVIÇO
O QUÊ: Espetáculo infantil "Matias e a Estrada Infinita do Tempo"
QUEM: Realizado pela Cia Bando
ONDE E QUANDO: 26 e 27 de agosto de 2023 - Parque Municipal Fazenda Lagoa do Nado Endereço: R. Min. Hermenegildo de Barros, 904 - Itapoã, Belo Horizonte Horário: 15h
QUEM PODE PARTICIPAR: Aberto ao público, não é necessário retirada de ingressos.
Foto: Pablo Bernardo
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