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FIT-BH 2018 convoca cidadãos de Belo Horizonte a fazerem parte da abertura do festival
A abertura contará com os espetáculos Batucada, do coreógrafo, pesquisador e professor na Escola Mime (Amsterdã), o piauiense Marcelo Evelin, e Looping, dos artistas da cena baiana Felipe de Assis, Leonardo França e Rita Aquino. Em um formato criado especialmente para a abertura do FIT, os espetáculos serão construídos a partir da participação da sociedade civil em residências que vão envolver cerca de 200 pessoas; artistas e não artistas podem se inscrever a partir de 23/08.
A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), por meio da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Municipal de Cultura, e o Instituto Periférico abrem inscriçõespara cidadãos da sociedade civil participarem de duas residências artísticas que resultarão nos espetáculos de abertura da 14ª edição do FIT-BH 2018: Batucada(Teresina-PI), concebido pelo prestigiado coreógrafo Marcelo Evelin (Teresina/PI), e Looping: Bahia Overdub (Salvador-BA), idealizado pelos artistas Felipe de Assis, Leonardo França e Rita Aquino. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas de 23 de agosto (quinta-feira) a 2 de setembro (sábado), por meio de preenchimento do formulário online disponível no site oficial do festival (www.fitbh.com.br).
Com reconhecimento nacional e internacional, os espetáculos da cena baiana e piauiense são recriados em cada cidade que os acolhe a partir de uma construção coletiva com artistas e não artistas. Tanto Batucada, com sua paisagem sonora de batuques em panelas e latas, como Looping, que une sonoridades e coreografias das festas do largo de Salvador, convidam o público a uma experiência de arranjos e encontros entre corpos, arte e política no espaço urbano.
As residências artísticas serão realizadas no período anterior ao festival e vão envolver cerca de 200 pessoas: artistas, estudantes e também ativistas e interessados de forma geral, com ou sem experiência em arte contemporânea. O trabalho resultará em duas obras que integram parte da programação de abertura do festival no dia 13 de setembro.
A 14ª edição do FIT está sendo construída, pela primeira vez, por uma equipe curatorial selecionada por meio de edital público. A programação do festival é norteada pelo conceito de “corpos-dialetos”, proposto pela jornalista e crítica Luciana Romagnolli, atriz e pesquisadora Soraya Martins e atriz, diretora e dramaturga Grace Passô e pelos assistentes da curadoria Luciane Ramos Silva, Daniele Ávila Small e Anderson Feliciano.
Segundo a curadora Soraya Martins, “com esses dois trabalhos, convidamos a cidade não só a receber, mas a fazer junto a abertura do FIT. E a aproximar esses corpos, vivências e singularidades para experimentar, esteticamente, algumas potências da mobilização social. Assim, abrimos caminho para uma programação que se propõe a ampliar o imaginário sobre o teatro brasileiro e internacional”.
SOBRE AS RESIDÊNCIAS
Ø Batucada
A residência Batucada, concebida pelo coreógrafo e pesquisador Marcelo Evelin (Teresina-PI), convoca cidadãos, artistas e ativistas com ou sem experiência em arte contemporânea, com idade a partir de 18 anos, que queiram batucar em panelas e latas, trazendo seus corpos para uma luta, um acontecimento performático. Após a primeira seleção dos inscritos, será realizada uma audição no dia 9 de setembro (domingo).
Batucada foi concebida originalmente em 2014 para o Kunsten Festival desArts/Bélgica, um dos principais festivais da Europa. Cinquenta performers cidadãos - selecionados a partir de uma convocatória pública - se misturam e se transformam uns nos outros, numa batucada atravessada e suspensa em que os corpos tornam-se instrumentos para as estruturas rítmicas e impulsionam a cadência de uma coreografia da qual o público também faz parte. Transitando entre a festa e o protesto, esse acontecimento, tal qual um ritual, expõe tanto uma coletividade quase tribal quanto as subjetividades dos indivíduos. O batucar em objetos cotidianos contagia, desmancha fronteiras entre espectador e artista e provoca reflexões sobre a pulsão do homem na sociedade contemporânea.
Público-alvo: cidadãos, artistas e ativistas com ou sem nenhuma experiência em arte contemporânea, de qualquer gênero, grupo étnico ou classe social - a partir de 18 anos.
Marcelo Evelin nasceu no Piauí, é coreógrafo, pesquisador e intérprete. Vive e trabalha entre Teresina e Amsterdam. Na Europa desde 1986, trabalha com dança tendo colaborado com artistas de variadas linguagens em projetos também envolvendo teatro físico, música, vídeo, instalação e ocupação de espaços específicos. É criador independente com sua Companhia Demolition Incorporada, criada em 1995, e ensina na Escola Superior de Mímica de Amsterdã-Holanda, onde também orienta estudantes em processos criativos. Orienta workshops e projetos colaborativos em vários países da Europa, Estados Unidos, África, Japão, América do Sul e Brasil, para onde retornou em 2006 e desde então vem atuando também como gestor e curador, tendo implantado em Teresina, o Núcleo do Dirceu (2006-2013), um coletivo de artistas independentes e plataforma de pesquisa e desenvolvimento para as Artes Performáticas Contemporâneas. Em março de 2016 abriu em Teresina, juntamente com a gestora cultural Regina Veloso, o CAMPO, um novo espaço para se pensar, fazer e difundir arte e disciplinas afins, e, como parte dele, o estúdio Demolition Incorporada.
Seus espetáculos Matadouro (2010) e De Repente Fica Tudo Preto de Gente (2012) foram apresentados em mais de 18 países. Com a participação de mais de 300 performers de diferentes nacionalidades, Batucada (2014), um “acontecimento performático”, segue este ano em difusão pelo Brasil e Chile. Dança Doente, sua mais recente criação, é inspirada no universo de Tatsumi Hijikata/JP--estreou em maio de 2017 em Bruxelas, com tour pela Europa, Brasil e Japão. Um nova obra está a caminho com estréia programada para maio de 2019: A Invenção da Maldade.
Ø Looping: Overdub Bahia
A residência Looping, concepção e criação de Felipe de Assis, Leonardo França e Rita Aquino (Salvador-BA), propõe uma atividade de criação, envolvendo artistas locais, estudantes de artes cênicas e interessados de forma geral, a partir dos procedimentos de repetição e acumulação desenvolvidos no processo de construção do espetáculo concebido em Salvador/BA. Serão realizadas cinco residências de cinco horas cada, com 30 diferentes pessoas por encontro, totalizando cerca de 150 pessoas para a performance na abertura do festival. Na proposta serão realizadas práticas de sensibilização e expansão da escuta, laboratório de criação colaborativa e composição de movimentos e sonoridades.
Looping constitui um estudo do tempo: repetição e acumulação. Movimentos de tensão e distensão da cultura, através de procedimentos que organizam sonoridades, corpos e espaços. Assim como nas ruas, o que está em jogo são arranjos coletivos através de uma participação estético-política. Dança e política - as festas de largo de Salvador e suas contradições são a paisagem predominante do espetáculo, que emerge do encontro entre pensamento sonoro e pensamento coreográfico.
Público-alvo: artistas e estudantes interessados em dança, teatro, música e performance. Não é exigida qualquer especialização ou domínio técnico, sendo dessa forma aberto tanto a coletivos e grupos da área quanto à comunidade do festival e cidade - maiores de 18 anos.
Looping: Bahia Overdub é uma criação colaborativa de Felipe de Assis, Leonardo França e Rita Aquino. Suas práticas interdisciplinares articulam criação, produção, pesquisa, formação e curadoria em diferentes contextos de atuação. Indicado ao Prêmio Bravo! na categoria Melhor Espetáculo de Dança e considerado pelo jornal O Globo um dos dez melhores espetáculos de dança no Rio de Janeiro em 2016. Looping: Bahia Overdub participou de importantes festivais e eventos, como Festival Panorama (RJ), Bienal Sesc de Dança (SP), Porto Alegre em Cena (RS), Cena Contemporânea (DF), IC Encontro de Artes, Festival Internacional Vivadanca, FILTE, A Dança Ocupa o Porto (BA) e Plataforma LODO (Buenos Aires, Argentina).
FIT-BH 2018
Desde a sua criação em 1994, o FIT-BH conquistou espaço no calendário cultural de Belo Horizonte. Durante 24 anos e 13 edições, o festival recebeu companhias e artistas de 42 países e ofereceu ao público belo-horizontino 365 espetáculos com linguagens e formatos diferentes, que ocuparam diversos teatros, espaços públicos e alternativos da capital. Desse total, 115 obras foram apresentadas por grupos e coletivos de Minas Gerais.
Foto: Patricia Almeida.
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