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Sábado (26/06): Encerramento da ‘Exposição Profecias’ em Venda Nova apresenta performance ‘Memórias desfiadas’

As artistas da Residência Artística Profecias foram escolhidas por meio de edital destinado a mulheres e pessoas trans e reflete sobre futuro das travestis brasileiras

Como um convite a uma imersão nas possibilidades de criações de novos futuros, a Exposição Profecias da Casarelas apresenta ao público o resultado da Residência Artística Profecias, realizada pela coletiva Casarelas no Centro Cultural Venda Nova. Neste sábado (26/08), às 15h, durante o encerramento da exposição, a atriz residente Iúna Ferreira apresenta a performance Memórias desfiadas’. A entrada é gratuita e a classificação livre.

Residência Artística da Casarelas

Selecionadas por meio de edital de chamamento público destinado a mulheres e pessoas trans, as quatro artistas residentes ocuparam o CCVN entre 18 e 22 de julho. Bê Moura na área da música, Bárbara Macedo nas artes visuais, Helena Borges na literatura e Iúna Ferreira na dança/teatro. A seleção das propostas e curadoria geral do projeto foi realizada pela curadora, multiartista, pesquisadora sonora, educadora e articuladora cultural, Maria Moreira.

A residência contou também com duas artistas convidadas: a multiartista, cientista de dados, curadora e pesquisadora de movimentos especulativos negros, Zaika dos Santos e a multiartista, produtora e integrante da coletiva casarelas, Raquel Elan. 

Exposição Profecias

As profecias sempre tiveram um lugar fundamental nas sociedades. Influenciaram na construção de imaginários, sonhos, temores sociais e até na própria percepção do presente e da realidade.

Krenak em seu livro Ideias para adiar o fim do mundo diz que a ideia de fim do mundo é tão pregada na intenção de fazer as pessoas desistirem de seus sonhos, que adiar o fim do mundo é justamente poder contar mais uma história. ‘Profecias’ vem como uma provocação para abrir um espaço de imaginação, de possibilidade e de coragem para criar futuros.

O ‘Oráculo das Ancestravas’, trabalho da artista visual Bárbara Macedo, busca profetizar um futuro digno para as travestis brasileiras. Partindo da subversão dos dados de mortalidade que assolam a população travesti, a artista criou cinco faixas com profecias que transformam a violência em bons caminhos, morte em vida e ódio em alegria. 

“O desejo deste trabalho é que possamos, também, mudar a visão que as pessoas têm acerca das travestis ao lerem as mensagens do Oráculo. É um movimento em homenagem às travestis que atravessaram o mundo dos mortos e hoje guiam as que ficaram e tentam dar continuidade ao seu legado. É um Oráculo de rua, essa territorialidade tão nossa, que traz mensagens de novas possibilidades para nós”, contou Bárbara Macedo.

A artista plástica, arte educadora e escritora, Helena Borges, traz ‘As Delicadas Fronteiras Entre Os Vivos E Os Mortos’, uma ficção especulativa em processo, apresentada por meio de texto e ilustrações. A obra fala sobre um futuro distópico em que os recursos da Terra foram degradados até o limite, transformando-a num lugar quase inóspito, enquanto os seres humanos mais ricos fugiram do planeta em naves espaciais. E a cerâmica, como objeto que persiste, se revela uma forma de acesso a história da humanidade para alienígenas que vieram conhecer o planeta.

A atriz, Iúna Ferreira, apresenta durante o encerramento da exposição neste sábado (26/08), a performance ‘Memórias desfiadas’, utilizando como figurino um manto de retalhos em tons azuis, costurado no período de residência. Seus processos artísticos tem como referência o artista plástico Bispo do Rosário e a musicalidade do berimbau presente na Capoeira Angola.

Já a baterista Bê Moura, apresenta seu trabalho ‘Bateráculo: seu coração pulsa em tercina ou semicolcheia?’, desenvolvido a partir do questionamento sobre a rítmica da pulsação do coração. O jogo combina 3 critérios utilizados pela artista para criar a "leitura de sorte" percussiva de quem participa e o resultado é uma música exclusiva.

Conheça as artistas residentes

Bê Moura (música)

Bê Moura é baterista, professora e agitadora cultural de Belo Horizonte. Bacharelanda do curso de Música Popular da UFMG, há mais de seis anos ministra aulas de percepção musical, bateria e percussão. A artista é fundadora, produtora, compositora e baterista da banda Cayena, baterista da banda Ablusadas e regente e baterista do bloco de carnaval Abalô-Caxi. Seus projetos musicais vão da MPB ao punk rock.

Bárbara Macedo (artes visuais)

Artista visual, pesquisadora, professora de artes e travesti, Bárbara Macedo é mestranda em Artes Visuais pela UFMG e graduada em Artes Plásticas pela Escola Guignard da UEMG. Tem a espiritualidade como tema investigativo e como campo de criação coletivo. Sua pesquisa objetiva destravar armadilhas coloniais e criar imagens e feitiços na busca de emancipar a arte travesti. Nos saberes encantados presentes no terreiro e na sua relação com os mortos localiza seu referencial epistêmico, assim como nas macumbas, no seu próprio corpo e nas corporeidades de outras travestis que fotografa há onze anos.

Em 2023, foi indicada ao Prêmio PIPA e concorreu ao Prix Photo Aliança Francesa. Entre as exposições individuais e coletivas que participou, destacam-se: Babélica (2023), Museu Travesti da Neca (2021), BRAsA (2019) e Coleção Grandes Mestres das Nudes (2018). Foi curadora da exposição Trajetória Viva (2020) e da Residência Artística Quarta Queer (2018), na qual também foi coordenadora. 

Helena Borges (literatura)

Natural do Rio de Janeiro, a artista plástica e arte educadora, Helena Borges, é formada em Artes Plásticas com habilitação em Cerâmica, Pintura e Desenho pela Escola Guignard da UEMG. A artista transita entre a imagem, a escrita e o objeto. Sua pesquisa poética é voltada à compreensão da fratura entre o ser humano e a natureza, os desdobramentos sociais desse fenômeno e a cerâmica como objeto criador de futuros. 

Em 2019 lançou seu primeiro livro de poesia ‘Peito do pé sobre peito’ pela Editora Urutau, no qual investiga temas ligados à vida e à morte, mistérios, relações amorosas contemporâneas e os trâmites da vida na cidade. Em 2022, publicou seu segundo livro, ‘Artistas da Chácara’, uma fábula sobre as criaturas da área verde da Chácara Santa Eulália, localizada no bairro São Bernardo, em Belo Horizonte. A obra literária infantil foi produzida a partir de um financiamento coletivo e contou com distribuição gratuita para as crianças da região.

Iúna Ferreira (dança/teatro)

Natural da região nordeste de BH, Iúna Ferreira é atriz formada pelo Centro Interescolar de Cultura, Arte, Linguagens e Tecnologias (Cicalt). Suas expressões artísticas passeiam pela dança, pelo teatro e pela música. A pesquisa da artista dialoga com sua vivência no samba de coco, na capoeira regional e atualmente na capoeira angola.

Casarelas

O projeto, que conta com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, é uma ação da coletiva Casarelas, fundada em 2018, a partir de uma residência artística experimental entre amigas na casa de uma das idealizadoras, que resultou na ‘I Mostra de Mulheres Performáticas da Casarelas’ realizada na Galeria Mama/Cadela. 

Trazendo o tema Restos, o evento reuniu exposições, debates, rodas de conversas, exibições e performances de mais de 40 artistas mulheres e pessoas não-binárias. Além de ter realizado oficina com a instrumentista argentina Chaya Vasquez e sarau, que contou com a participação des cantores e compositores Marina Sena, Nabru, Gali Galó e a chilena Claudia Manzo.

Em 2019, a ‘II Mostra de Mulheres Performáticas da Casarelas' reuniu 30 mulheres em ateliê aberto, afirmando a importância do processo como obra em si. E em 2021 realizou sua III Mostra por meio do edital emergencial Aldir Blanc, na qual 60 mulheres se uniram para continuar a existir n-a arte de maneira virtual durante a pandemia causada pela covid 19. 

Atualmente a coletiva possui integrantes em diferentes regiões do país nas áreas de cinema, artes visuais, performance, música, comunicação, letras, pedagogia, dança, teatro, entre outras.

Centro Cultural Venda Nova

Inaugurado em 12 de agosto de 2007, o Centro Cultural Venda Nova (CCVN), o CCVN promove atividades de formação da cidadania e artística, fomento de artistas e grupos, difusão cultural, incentivo à leitura, valorização e fortalecimento do patrimônio cultural, além de viabilizar o intercâmbio entre grupos culturais da capital e de outras localidades.

SERVIÇO – Exposição Profecias
Performance ‘Memórias desfiadas’ de Iúna Ferreira
Horário: 15h
Quando: sábado (26/08)
Onde: Centro Cultural Venda Nova - R. José Ferreira dos Santos, 184 - Jardim dos Comerciários, Venda Nova - Belo Horizonte

Visitação da exposição: até 26/08
Horário: terça à sexta, das 9h às 19h, e sábados, das 9h às 17h
Outras informações: Instagram @casarela.s, YouTube 
Classificação livre
Entrada gratuita

Este projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.

Foto: Divulgação

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