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Xenofobia contra o nordestino é tema do espetáculo “Estrangeiro de Mim” que estreia no CCBB BH
De forma intimista, poética e bem-humorada, montagem divide com o plateia histórias de desafio e preconceito vividas por um paraibano e um baiano, no sudeste
No dia 1º de setembro, sexta-feira, estreia “Estrangeiro de mim”. Dirigido por Cris Diniz, espetáculo traz, com humor e poesia, histórias vividas por dois nordestinos, o ator Marcelo Marques e o músico Tomaz Mota, que migram para Belo Horizonte por melhores oportunidades de trabalho e sofrem situações de preconceito. O espetáculo faz curta temporada, até 4 de setembro, de sexta a segunda, sempre às 19h, no Teatro II do CCBB BH. Todas as sessões contam com interpretação em Libras. No sábado e domingo, as apresentações possuem também audiodescrição. Este projeto tem apoio do Centro Cultural Banco do Brasil, patrocínio da Smart Fit e é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte. Ingressos a R$30 (inteira) e R$15 (meia-entrada) na bilheteria ou pelo site bb.com.br/cultura.
Além das apresentações, o projeto oferece ainda a oficina gratuita “O Som na Cena: compondo a partir de estímulos”, com Tomaz Mota, voltada para músicos e musicistas que trabalham com áudio para trilha sonora, atores e atrizes que têm interesse na composição musical para a cena, artistas do cinema que buscam aprimorar seus trabalhos e interessados em geral. A oficina acontece nos dias 02 e 03 de setembro, sábado e domingo, no Teatro II, das 13h às 17h. Idade mínima: 16 anos. Vagas limitadas. Inscrição prévia no link https://forms.gle/RxvR9XoNXs74AB418.
“No sudeste a gente é o de fora, quando a gente volta, a gente é o que tá fora. Então, onde estamos? Por isso, estrangeiro de mim. Passo a ser então, um ser nômade, um corpo andarilho, porque não estou nem aqui, nem lá”, conta Marcelo. É no clima de confidências como essas que o espetáculo “Estrangeiro de mim” se desenvolve.
O cenário, inspirado nos móveis de cozinha das avós dos intérpretes, todo feito de madeira com puxador de metal, contribui para presentificar memórias e afetos. A luz de cena cria uma atmosfera quente e acolhedora. Neste ambiente de intimidade, os artistas nordestinos Marcelo e Tomaz dividem com a plateia suas vivências na região sudeste. “Quem se sentar perto do palco pode se surpreender com um convite para degustar um cafezinho ou um cuscuz nordestino”, adianta Marcelo.
O ator paraibano Marcelo Marques veio, pela primeira vez, para Minas, em 2016, em busca de novas experiências artísticas e iniciou pesquisa de mestrado sobre o bufão na Universidade Federal de Ouro Preto. Em 2018, já no doutorado, mergulhou em uma residência artística no Palácio das Artes (Belo Horizonte), quando nasce “Pathos” - experimento em que o artista tenta identificar manifestações com características bufanescas, na cidade de Belo Horizonte, e materializá-las no corpo. “O bufão é uma figura marginalizada socialmente, assim como o nordestino em relação ao sudeste. Daí surge o ponto de partida para a montagem do espetáculo”, conta.
Neste momento da residência, Marcelo conhece o músico baiano Tomaz, que topa entrar como parceiro no processo de criação, introduzindo um papel musical no espetáculo. “Tomaz veio da Bahia para BH e traz consigo toda uma bagagem de vivências e percepções em sua história”, conta Marcelo. O espetáculo, que neste momento ainda se chama “Mungunzá”, se afasta da pesquisa do bufão e ganha agora um acento pessoal. “Antes a discussão estava num caráter político, como uma resposta ao sudestino. Porém, com o tempo, vieram os próprios questionamentos individuais”, conta.
Além dos ensaios regulares, durante o processo, os artistas também foram às ruas da capital mineira ouvir os transeuntes, com o objetivo de investigar a imagem que o belo-horizontino tem do nordestino, no intuito de sair do senso comum. “Agora tínhamos em mãos mais materiais: referências coletadas nas entrevistas, muitas delas que nos surpreenderam, ou que confrontavam com nossas memórias familiares”, diz Marcelo.
Em cena, o público vai entrar em contato com diversas linguagens e técnicas dentro das artes cênicas. A dramaturgia em tom autobiográfico, a dança-teatro, as máscaras inspiradas no Teatro Balinês, a música tocada e cantada ao vivo, o tom performativo com direito a café passado na hora. Com esses recursos, os artistas convidam os espectadores a adentrar o universo nordestino - do clichê à subversão. “‘A gente é mais do que um repente: são alguns ecos que reverberam no nosso imaginário. Muitas vezes é preciso colocar os clichês, o cômico, mais próximos do humor nordestino, na tentativa inclusive de subverter nossas certezas e florescer as verdades", reflete Marcelo.
FICHA TÉCNICA
Atuação: Marcelo Marques e Tomaz Mota Direção: Cris Diniz
Texto: autoria coletiva
Criação de trilha sonora: Tomaz Mota Preparação corporal: Carolina de Pinho Figurino: Poliana Carvalho
Cenário: Cris Diniz Cenotécnico: Mauro Carvalho Criação de luz: Cris Diniz Assistência de iluminação: Hele
Coordenação de produção: Natálha Abreu Produção executiva: Laís Penna
Coordenação de comunicação, imprensa e redes sociais: Rizoma Comunicação & Arte Criação de arte gráfica: Maduh Machado
Fotografia e vídeo: Zaíra Magalhães/Las Palozas Intérpretes de Libras: Daniela de Jesus e Larissa Fernanda Audiodescrição: PLURAL comunicação que aproxima Assessoria contábil: Marcos Queiroz
Assessoria jurídica: MOB - Mateus Oliveira Barros Sociedade Individual de Advocacia
Circuito Liberdade
O CCBB BH é integrante do Circuito Liberdade, complexo cultural sob gestão da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult), que reúne diversos espaços com as mais variadas formas de manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo. Trabalhando em rede, as atividades dos equipamentos parceiros ao Circuito buscam desenvolvimento humano, cultural, turístico, social e econômico, com foco na economia criativa como mecanismo de geração de emprego e renda, além da democratização e ampliação do acesso da população às atividades propostas.
EXTRAS - CURRÍCULOS
Marcelo Marques Teixeira
Ator, diretor e provocador corporal. Doutorando e bolsista CAPES pelo Programa de Pós-graduação em Artes da UFMG (Conceito 6), na linha de pesquisa Artes da Cena, sob a orientação da Prof. Dra. Mônica Medeiros Ribeiro. Além de ser Mestre em Artes Cênicas pelo PPGAC/UFOP, graduado em Licenciatura em Teatro pelo CCTA/UFPB, possuir Residência Artística pelo CAFART (MG) e ser Técnico em Micênica pelo IFPB. Atualmente, é membro pesquisador do LECAC (Laboratório de Estudos do Corpo nas Artes Cênicas), sob a coordenação da Prof. Dra. Mônica Ribeiro. Já foi membro do grupo de pesquisa Teatro, Tradição e Contemporaneidade, na linha de pesquisa Ator e Cena, sob a coordenação da Prof. Dra. Paula Coelho, no qual foi PIVIC e premiado como Jovem Pesquisador pelo ENIC/2013 (XXI Encontro de Iniciação Científica), sendo convidado para participar da 66 SBPC (Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência). Foi um dos atores do Estudo do Corpo Sensível que teve a orientação dos atores-pedagogos Stephane Brodt (Amok Teatro) e Carlos Simioni (LUME Teatro). Foi ator dos grupos de teatro: Gota, Cia. Ensaio de Dança-Teatro e Grupo Graxa de Teatro.
Tomaz Mota
Músico, arranjador, diretor musical, professor de música e assuntos da área da sonoplastia. Graduado em Música e Mestre em Performance Musical pelo PPGPROM-UFBA, vem desenvolvendo trabalhos de composição de trilhas sonoras e direção musical de espetáculos de Teatro desde 2009. Como professor, já lecionou aulas de violão para diversas escolas e aulas de sonoplastia na escola de Tecnologia da Cena do CEFART (2018-2023).
Cris Diniz
Cris Diniz fez Mestrado em Processos criativos na cena contemporânea, com recorte sobre a Iluminação Cênica e o Corpo na Pós-Graduação em Artes Cênicas da UFOP, em 2018, Graduação em interpretação Teatral com formação complementar em Artes Visuais, pela UFMG, em 2010, e Licenciatura em Artes Cênicas pela UFMG, em 2008; além do intercâmbio na Univertié Paris X, França, em 2009. Foi prof. temporárie de Direção, Iluminação e Cenografia na graduação em Teatro da UFSJ em 2012, onde participou de bancas de TCC e Prof Substitut. de Gestão Cultural e Visualidade da Cena na UFMG em 2018, onde orientou trabalhos de TCC relacionado a visualidade da cena. É uma das pessoas fundadoras do curso de Tecnologia da Cena do Palácio das Artes, onde orientou trabalhos dentro do programa de residência artística do mesmo. Atualmente, é Coord. Internacional do Corredor Latinoamericano de Teatro - Brasil; Coord. dos festivais: FETO (Festival Estudantil de Teatro), do A-Mostra.Lab, Curta Dança, Curta Jovens Realizadores e Encontro Latinoamericano de Teatro de Grupo, estes três últimos também atua como curadore. Hoje é também atore convidade da Cia Pierrot Lunar, iluminadore dos grupos Trampulim, Cia Negra de Teatro, Grupo Dos Dois; além de outros trabalhos com cinema, teatro, dança e performance. Nos processos criativos que participa, tem como fio condutor estético a dramaturgia visual e suas potencialidades.
Foto: Zaíra Las Palozas
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