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Palestra na Academia Mineira de Letras investiga a obra histórico-literária do escritor mineiro Benito Barreto

MINISTRADO PELA DOUTORA EM LITERATURA BRASILEIRA MARIA LÚCIA BARBOSA, EVENTO SERÁ DIA 28/8

A Academia Mineira de Letras recebe, no dia 28 de agosto, às 19h30, a palestra “Benito Barreto e a poética histórica e memorialista”, com a doutora em Literatura Brasileira Maria Lúcia Barbosa. O evento faz parte do programa Universidade Livre – Plano Anual de Manutenção AML, realizado mediante a Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio do Instituto Unimed-BH, por meio do incentivo fiscal de mais de 4,7 mil médicos cooperados e colaboradores. A AML integra o Circuito Liberdade.

Detentor da cadeira nº 2 da Academia Mineira de Letras e um dos grandes escritores mineiros, Benito Barreto nasceu em Dores de Guanhães, no Vale do Rio Doce, em 1929. Começou a escrever poemas durante os estudos no Ginásio São Francisco, em Conceição do Mato Dentro. Mudou-se para Belo Horizonte aos 16 anos, onde começou a trabalhar como revisor dos jornais locais e se filiou ao Partido Comunista Brasileiro. A partir dos anos 1950, torna-se nome conhecido na imprensa mineira, ao atuar em redações como as do Jornal do Povo, do Correio da Tarde, da Tribuna de Minas e do Correio do Dia. Assume a secretaria de redação da revista de cultura Horizonte, de criação e editoração do poeta Otávio Dias Leite, na qual publica contos e crônicas, notadamente, uma carta aberta ao cônsul dos Estados Unidos, em defesa dos cientistas Julius e Ethel Rosenberg, então acusados de passar segredos nucleares à União Soviética e, por isso, levados à cadeira elétrica.

Com um viés de literatura histórica e, como o disse em orelha do livro o seu apresentador, “amassado no barro de muita vida e lutas vividas” – a sua militância revolucionária no Nordeste –, Benito lança seu primeiro romance, “Plataforma vazia”, em 1962, pela editora Itatiaia, prefácio de Jorge Amado e vencedor do prêmio “Cidade de Belo Horizonte”, seguido dos romances “Capela dos homens”, (um dos prêmios Walmap, Rio, 1967; Record, 1968), “Mutirão para matar” e “Cafaia” (Interlivros, 1974/75), com os quais o autor conclui sua Saga dos Anos de Chumbo, assim chamada nos meios da resistência à ditadura militar e vai chamar-se “Os guaianãs”, a partir da edição gaúcha de 1986, em dois volumes, organizada pelo escritor, poeta e crítico literário José Hildebrando Dacanal, com o selo da então Editora Mercado Aberto. “Capela dos homens” e “Cafaia” mereceram tradução para o russo e lançamento em um só volume pela editora Progresso, de Moscou, com apreciação crítica, ilustrações e uma tiragem de 100 mil exemplares, em 1986.

Uma visão ficcional da Inconfidência: em 2009, o escritor lança “Os Idos de Maio”, primeiro volume de sua segunda tetralogia ou “Saga do Caminho Novo”, que se completa com “Bardos & Viúvas” (2010), “Toque de silêncio em Vila Rica” (2011) e “Despojos: a festa da morte na Corte” (2012). Em 2013, o conjunto da obra rendeu ao autor o prêmio de melhor romance histórico do ano, pela União Brasileira de Escritores – seção Rio de Janeiro.

Outros trabalhos do escritor: “Vagagem” (Casa de Minas, 1978), “A última barricada” (Casa de Minas, 1993) e “Um caso de fidelidade” (Itatiaia, 2000).

A Imagem da literatura: a obra ficcional de Benito Barreto, notadamente no que toca às suas duas sagas, mereceu a interpretação pela imagem, não raro, genial, profusa, de pintores e desenhistas que lhe deram corpo, uma face, alma e movimento em telas a óleo e tinta, lápis e carvão, como, entre outros, Amilcar de Castro, Sebastião Januário, Ziraldo, Haroldo Mattos.

Tema e foco da palestra

Na palestra, a doutora Maria Lúcia Barbosa pretende focalizar e discorrer sobre a importância ficcional do escritor. “Os enfoques histórico-sociais da produção de Benito Barreto se tornam vigorosos em virtude de uma perspectiva com a qual ele elabora as narrativas delineadas por uma ótica conjuntural dos fatos”, analisa a palestrante. Segundo ela, as questões históricas e memorialistas presentes nos textos potencializam a significação com sua inserção no panorama global e ganham “status de verdade”. “Elas iluminam as relações de interesse que, por sua vez, esclarecem as reais motivações das situações vividas no dia a dia, as quais não são naturais, mas resultado do processo histórico de que participam”, observa.

Sobre a palestrante:

Maria Lúcia Barbosa é doutora e mestre em Literatura Brasileira pela UFMG, especialista em Literaturas de Língua Portuguesa pela PUC Minas e graduada em Letras – Português/Inglês pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH). Atua como pesquisadora junto ao Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias (Clepul), da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (ULisboa), em Portugal, e no grupo de pesquisa Letras de Minas, da UFMG, cadastrado no Diretório dos Grupos de Pesquisas no Brasil, do CNPq.

Foto: Laura barreto

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