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"Afeta entre Fronteiras", realização da cia Afeta, promove diálogo entre artistas de BH e SP, de 18/08 a 03/09, com uma programação que prevê espetáculos, performances, oficina e bate-papos sobre o lugar da criação no encontro entre linguagens
Projeto realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte. Fundação Municipal de Cultura, patrocínio da Una e apoio cultural do Galpão Cine Horto e do Teatro 171
Belo Horizonte recebe entre os dias 18 de agosto e 03 de setembro a Mostra Afeta Entre Fronteiras. As atividades, que acontecem no Galpão Cine Horto, no Teatro 171 eno Lume 7, celebram os 7 anos da Afeta, com mostra de parte do repertório da companhia mineira, apresentações de espetáculos convidados, com linguagens afins e produzidos por artistas de BH e São Paulo (a preços populares), além de mesas-redondas e performances com entrada gratuita. A programação é norteada por três semanas com temáticas sobre “Autobiografia e Performatividade”, “Linguagens em Trânsito” e “Dramaturgias em processo”, que expressam as diferentes fases de experimentação vivenciadas pelo coletivo, ao longo de quase uma década de existência.
Entre Fronteiras
"Para além de uma mostra de repertório, a programação comemorativa de 7 anos da cia Afeta é uma aposta no diálogo com o outro”, defende Ludmilla Ramalho, coordenadora do projeto e cofundadora da companhia. "É no reconhecimento do valor da fronteira e de seu potencial criativo e social que se forjam ideias, urgências e desejos, fazendo emergir afinidades impensáveis e diferenças que se completam", explica.
Teatro é corporeidade e, por isso, a escolha da pele como norte para a criação da identidade visual da Mostra. O diretor e fundador do coletivo, Nando Motta, também responsável pela programação visual, explica que a pele é uma metáfora dessa fronteira do afeto entre os corpos, mas também do limite que regula, que confere identidades artísticas e que realiza trocas por sua porosidade. "É na fronteira do teatro que residem a performance e outras possibilidades cênicas que a companhia Afeta tem buscado em suas pesquisas e espetáculos, desde 2010", diz.
Assim, na primeira semana da mostra, "Autobiografia e Performatividade", o público poderá conferir os espetáculos "Talvez eu me despeça" (18 a 20 de agosto no Galpão Cine Horto), solo em homenagem a Cecília Bizzotto, pela amiga, parceira e atriz Beatriz França, integrante da cia Afeta; e Conversas com meu pai" (18 a 20 de agosto no Teatro 171), celebrado trabalho da artista Janaina Leite, conhecida por sua atuação no Grupo XIX de Teatro (SP), inédito em BH. Além de ambas propostas que levam ao palco criações cênicas motivadas e atravessadas por experiências pessoais, a primeira semana traz a performance "Eu me rendo", com a atriz Ludmilla Ramalho (cia Afeta), no dia 19 de agosto, no Galpão Cine Horto.
"Linguagens em Trânsito", temática da segunda semana, conta com apresentação de "180 dias de inverno" (25 a 27 de agosto) - com direção de Nando Motta, a peça da cia Afeta é baseada em diários do multiartista Nuno Ramos -, e aperformance "Fuck Her", com Ludmilla Ramalho. Na última semana, a perspectiva de "Dramaturgias em Processo" poderá ser percebida na montagem "Controle de Estoque", em que o coletivo T.A.Z. (BH/MG) critica com ironia e humor o universo corporativo, e igualmente na abertura do processo de criação do solo "Orlando - Um prólogo", da cia Afeta e Madame Teatro, e nas performances "In Memoriam" (Ludmilla Ramalho / cia Afeta) e "Dramaturgia e Outras Vinganças", da artista convidada Ana Luísa Santos.
Café-conversa
O Galpão Cine Horto e o Teatro 171 abrigarão três aconchegantes bate-papos sobre as temáticas de cada semana da programação, recebendo atrizes e profissionais envolvidos nos espetáculos, além de artistas provocadores e críticos convidados, sempre com a mediação do ator, dramaturgo e jornalista Daniel Toledo. A proposta é que as mesas-redondas se convertam em cafés-conversa, regados a uma boa prosa, afeto e quitutes típicos de nossa mineiridade.
19 de agosto (sábado, às 10h30, no Galpão Cine Horto)
"Autobiografia e Performatividade": Janaina Leite ("Conversas com meu pai"), Beatriz França ("Talvez eu me despeça") e Cida Falabella (ZAP 18). Provocador convidado: Clóvis Domingos (blog Horizonte da Cena).
26 de agosto (sábado, às 10h30, no Galpão Cine Horto)
"Linguagens em Trânsito": Nando Motta (cia Afeta), Fernanda Lippi (Zikizira) e Barulhista (trilhas sonoras para teatro, cinema e dança). Provocador convidado: Igor Leal (blog Horizonte da Cena).
02 de setembro (sábado às 10h30, no Teatro 171)
"Dramaturgias em Processo": Ludmilla Ramalho (cia Afeta), Vinicius Souza (Janela de Dramaturgia), Ana Luisa Santos. Provocadora convidada: Soraya Belusi (blog Horizonte da Cena).
Oficina
De 30 de agosto a 01 de setembro, a performer e escritora Ana Luisa Santos ministrará a oficina "Outras Vinganças - Laboratório de Performance para Dramaturgia". A atividade, aberta a quaisquer interessados maiores de 18 anos, pretende fomentar um espaço de ação e investigação de performances de escuta, leitura e escrita para dramaturgia. Mestre em Comunicação Social/UFMG e Pós-Graduada em Arte da Performance/FAV, Ana Luisa atua também como curadora em artes da presença na realização de exposições e residências artísticas, núcleos de pesquisa e criação, atividades de formação e política - desenvolve trabalhos para teatro e dança, com destaque para dramaturgia e figurino, sendo idealizadora do Perfura / Ateliê de Performance e codiretora da plataforma O Que Você Queer.
Cia Afeta
A cia Afeta surgiu em 2010 na cidade de Belo Horizonte. Artistas com um desejo comum: dar vazão a seus anseios criativos, lançando mão de várias estéticas, linguagens, referências, tecnologias e conceitos em um movimento antropofágico. Um grande intercâmbio experimental a partir da junção de várias vozes criadoras com o objetivo de afetar e ser afetado. Coordenada por Ludmilla Ramalho, Nando Motta e Beatriz França, a cia Afeta tem como desafio torna-se um laboratório, uma incubadora de trabalho próprio em constante renovação e que busca dialogar diretamente com o público. O primeiro fruto dessa inquietação foi o espetáculo teatral "180 Dias de Inverno", com direção de Nando Motta, baseado na obra "Minha Fantasma", do multiartista paulista Nuno Ramos. O espetáculo parte de referências da dança-teatro, vídeo-arte, instalação, música experimental, cinema (stop motion e desenho animado) e do teatro pós-dramático. Em sua segunda investida, a companhia produziu a trilogia de intervenções urbanas "Procura-se", "Afete-se" e "Escute-se", além de manter em repertório as performances "Fuckher", "Eu me rendo", "Viuvez em capítulos" e "In Memoriam", trabalhos que refletem sobre temas como violência de gênero, memória e vida/morte. Em maio de 2014, estreou a comédia dramática “#140 ou Vão”, com direção de Nando Motta e texto de Felipe Rocha (RJ). Em agosto de 2014, estreou seu terceiro espetáculo, o teatro documentário “Talvez eu me despeça”, solo em homenagem a Cecília Bizzotto, dirigido e concebido por Ludmilla Ramalho, com idealização, concepção e atuação de Beatriz França, que desde então passou a integrar a cia Afeta. Em 2016, estreou em São Paulo o espetáculo "Do Lado Direito do Hemisfério" dirigido por Nando Motta, baseado na obra do escritor e neurologista inglês Oliver Sacks. A Cia Afeta já participou de dois festivais internacionais: FITA - Festival Internacional de Teatro do Alentejo (Portugal), com o espetáculo “Talvez eu me despeça”, e do Ciclo de Mujeres de Brasil (Argentina), festival realizado pelo Corredor Cultural Latinoamericano de Teatro, em Buenos Aires, que contou com apresentações de "Talvez eu me despeça" e da performance "Eu me rendo". Nos últimos três anos, a companhia expandiu sua investigação sobre o universo performático, com o surgimento de novos trabalhos que estarão na mostra Afeta Entre Fronteiras, a exemplo de "Orlando - um prólogo", coprodução com a Madame Teatro.
SOBRE OS ESPETÁCULOS, PERFORMANCES E OFICINA
"Talvez eu me despeça" - cia Afeta
Gênero: Teatro documentário autobiográfico
Duração: 1h
Concepção: Beatriz França e Ludmilla Ramalho
Direção: Ludmilla Ramalho
Atriz/performer: Beatriz França
Diretor-assistente e Dramaturgia: Daniel Toledo
"Talvez eu me despeça" tem como fio condutor a ausência da atriz Cecília Bizzotto, assassinada em 2012, durante um assalto, em sua residência no Bairro Santa Lúcia, em Belo Horizonte. No palco, Beatriz França tece uma homenagem à amiga através de um trabalho que adentra essa memória e leva à reflexão sobre a finitude das relações humanas, a impossibilidade de se despedir, a solidão e o risco que permeia a arte e a vida.
Com direção de Ludmilla Ramalho, a proposta traz uma inusitada festa de despedida, na qual Bião, assim como era chamada pela amiga e companheira de palco, convida o público a encarar o equilíbrio frágil da vida, compartilhando lembranças que emergem de documentos como objetos, fotos, vídeos, mímeses corporais, cartas de familiares e amigos próximos de Cecília (Ciça). Compõe a cena uma máquina de lavar e centenas de peças de roupas, que acumuladas ao seu redor e espalhadas pelo palco e plateia, trazem rastros de história, memória, afeto - uma forma de dizer que, apesar da morte, a vida segue, as roupas se acumulam e uma hora precisam ser levadas.
Experiência muito presente na cena contemporânea, a cia Afeta lança mão de referências do teatro documentário e propõe em cena o uso da realidade no teatro, a partir de situações vividas pelos próprios atores. No caso de "Talvez eu me despeça", a performance leva a um desnudamento da atriz, no qual tudo que acontece em cena é real e traduzido em pequenos rituais festivos - afinal, a vida continua.
Sinopse
“São cinco e meia da manhã. Desmaio na cama. Meia hora depois, meu telefone começa a tocar sem parar. Quando acordo, há várias ligações não atendidas e um susto no peito. Dois anos depois daquela madrugada, volto à cena para lembrar de uma amiga que não pôde se despedir”.
"180 dias de inverno" - cia Afeta
Gênero: Drama contemporâneo
Duração: 60 minutos
Direção: Nando Motta
Texto: Nuno Ramos
Dramaturgia: Antônio Hildebrando
Elenco: Ludmilla Ramalho, Camilo Lélis e Fabiano Persi
O espetáculo 180 Dias de Inverno é baseado no texto “Minha Fantasma”, um diário real de Nuno Ramos (SP), publicado em seu livro “Ensaio Geral”. Nesse diário, o multiartista utiliza de uma linguagem narrativa intimista e poética, recheada de metáforas e elementos fantásticos, para relatar os seis meses que passou cuidando de sua esposa doente. Escrito durante os pequenos momentos do dia que podia descansar ou nas noites em que não conseguia dormir, Nuno narra suas incertezas, desejos, dúvidas e medos, durante este período de cuidado e dedicação.
Para este trabalho, a cia Afeta lança mão de diversos recursos e linguagens para trafegar entre a delicadeza poética e a crueza real dos fatos narrados por Nuno Ramos em “Minha Fantasma”. A direção utilizou referências da dança-teatro de Pina Bauch (Café Muller e Vollmond), aliadas à estética dos diretores de cinema Stephen Daldry (As Horas) e Michel Gondry (Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças), para compor uma encenação minimalista recheada de sutileza e agressividade. Esta mesma dualidade, proposta como base para a encenação, permeou a criação da dramaturgia, figurino, cenário, iluminação, projeções e trilha sonora original.
Por meio de uma dramaturgia fragmentada e uma cronologia não linear, três atores dão vida aos personagens Ele, Ela e o Outro (alterego de ELE e ELA). Dentro de um grande espelho d’água, com móveis semi-submersos e luminárias de teto que “choram”, eles narram e revivem os momentos e sentimentos relatados por Nuno. Inspirados na frase “A beleza da iminência do desastre” e na instalação “Maré Mobília”, ambas de autoria de Nuno, cenários e figurinos realçam a “beleza bruta e cataclísmica” desta história através da imagem de um quarto afogado e de uma sensação latente de cansaço. A trilha sonora foi criada exclusivamente para o espetáculo e construída durante os ensaios. Sons produzidos pelas falas, corpos e ações dos atores foram utilizados para sua composição. O resultado é uma trilha sonora contundente, que dialoga diretamente com as cenas e com atores, dando mais vida e organicidade ao trabalho. As projeções que permeiam a encenação tem como objetivo proporcionar diferentes contornos e possibilidades de interpretação para as cenas, com imagens de desenhos animados e do interior de uma casa, gravadas em stopmotion. O desenho de luz do espetáculo emprega uma delicada dinâmica de luz e sombra para destacar a dualidade entre os momentos de extrema intimidade do quarto do casal e a aridez de uma sala de espera de hospital.
Sinopse
O espetáculo 180 Dias de Inverno é baseado no texto “Minha Fantasma”, um diário real em que Nuno Ramos, um dos mais representativos artistas plásticos brasileiros da atualidade, narra os seis meses que passou cuidando de Sandra, sua esposa, uma mulher atormentada por uma depressão severa acompanhada de uma anorexia bulímica. O relato poético e apaixonado de um homem em sua batalha diária para salvar sua esposa e a si mesmo desse inimigo invisível. Um amor imenso e cansativo, que deve dizer a todo instante: eu quero você mesmo assim.
"Conversas com meu pai" - Janaina Leite
Gênero: teatro documentário autobiográfico
Concepção e interpretação: Janaina Leite
Texto, direção e cenografia: Janaina Leite e Alexandre Dal Farra
Duração: 1h05min
Classificação: 14 anos
O ponto de partida de "Conversas com meu pai" é uma caixa que guarda uma infinidade de bilhetes recolhidos pela atriz Janaina Leite e que trazem frases escritas por Alair, seu pai, que sofreu uma traqueostomia, perdeu a capacidade da fala e passou a se comunicar unicamente por escrito. A atriz, do premiado grupo XIX de teatro, em parceria com o dramaturgo Alexandre Dal Farra (prêmio Shell 2013 de melhor autor e indicado ao APCA em 2014 e 2015), flagra nesses papéis, rascunhados o mote para a dramaturgia de uma comunicação silenciosa entre pai e filha. Alguns anos mais tarde, é a vez da filha descobrir que sofre de uma doença degenerativa e está ficando surda. Nesse novo contexto, em silêncio, pai e filha, "conversam". Em cerca de sete anos de trabalho, mais de 500 páginas de escritos e 60 horas de vídeos e áudios compõem a memória de uma espécie de performance de longa duração que teve seu término em outubro de 2011, quando Alair veio a falecer.
"Controle de Estoque" - Coletivo T.A.Z.
Gênero: comédia reflexiva
Texto e direção: Daniel Toledo
Atuação: Beatriz França, Flora Maurício, IdyllaSilmarovi, Regina Ganz e Will Soares
Produção e realização: T.A.Z.
Duração: 1h
Classificação: livre
Tendo como referência experiências e pesquisas sobre estruturas corporativas na China e no Brasil, “Controle de Estoque” problematiza, a partir de recursos como o humor e a ironia, questões como os usos e abusos de poder no universo corporativo. A partir desses contextos, revelam-se vestígios de uma forte tradição colonial, exploradora e escravocrata que ainda hoje se vê no Brasil, seja em pequenas, médias ou grandes estruturas de produção, visando estimular reflexões sobre temáticas de grande urgência, como direitos humanos e direitos trabalhistas. "Controle de Estoque” propõe também um claro diálogo com a linguagem documental, apropriando-se de registros audiovisuais da China contemporânea, desde a vida nas remotas cidades do interior até a realidade das grandes fábricas.
Ensaio Aberto
"Orlando - um prólogo"
baseado na obra “Orlando – uma biografia” de Virginia Woolf
Aberto de processo do solo de Ludmilla Ramalho
Direção: Diego Bagagal
Coprodução: cia Afeta e Madame Teatro
“Nenhum ser humano, desde que o mundo começou, parecia mais encantador. Sua forma combinava ao mesmo tempo a força de um homem e a graça de uma mulher”.
“Orlando - um prólogo" é uma coprodução cia Afeta e Madame Teatro.
A proposta de abertura do processo de criação da atriz Ludmilla Ramalho e do diretor Diego Bagagal para a construção de “Orlando – um prólogo”, obra de Virginia Woolf, tem como objetivo partilhar, dialogar e refletir para e junto ao público o processo de criação dos artistas envolvidos.
Para esse ensaio aberto, Ramalho e Bagagal experimentarão com o público, a pesquisa dos artistas em levar para a cena o “fluxo da consciência”, técnica literária desenvolvida por Virgínia Woolf. No experimento serão abordados os aspectos da construção de identidade de gênero, androgenia, presentes no romance "Orlando: Uma Biografia" (1928), de Virginia Woolf.
De acordo com a própria autora, a definição de “fluxo da consciência” é: os átomos por como eles mesmos caem por sobre a mente na ordem cuja a qual eles caem, esboçando um exemplo, no entanto desconectado, de modo que cada evento influencia e é influenciado pelo fluxo da consciência.
A descrição do personagem-título e a suas dualidades do livro “Orlando” antecipa a trajetória do personagem ao longo da história, repleta de elementos fantásticos, e sintetiza um dos aspectos mais atuais da obra de Virginia, que a artista Ludmilla Ramalho juntamente com Diego Bagagal, pretendem discutir. Em “Orlando” a autora toca em questões referentes à sexualidade e gênero sob uma perspectiva moderna para os padrões da época.
Performances
"Fuck Her" - Ludmilla Ramalho (cia Afeta)
Concepção e Performer: Ludmilla Ramalho
Duração: 30 minutos
Classificação: 18 anos
“FuckHer” é uma performance-instalação sobre violência de gênero, cicatrizes e marcas de milhares de anos da história. Um corpo nu, que durante 30 minutos é comido, cagado, bicado por 40 pintinhos vivos(animais reais). Um corpo que anula sua identidade através da imobilidade corporal proporcionada pela ação dos animais comendo ração em cima do corpo da performer.
Sua nudez estirada no chão, questiona a banalidade de mais um corpo sendo agredido, violentado, sem repercussão, sem reação pela sociedade. Um corpo anônimo com 40 pintos os quais o comem com total indiferença. "Essa é só mais uma". Um corpo-ração, um corpo-adubo. Um corpo à disposição para mais um dia cotidiano e habitual de violência. Os pintos comem, comem, comem. Por necessidade, por hábito, por fome. Eles não páram de comer. Não páram.
"In Memoriam" - Ludmilla Ramalho (Cia Afeta)
Concepção- performer: Ludmilla Ramalho
Orientação artística: DududeHermman
Tempo de duração: 15 minutos
Classificação: livre
“In memoriam” é uma performance que evoca o universo da memória e seus rastros. Memória de um devir, de algo que já se foi, memória da vida “in” vida, em um lugar que não há mais respiro, não há mais brecha, não há mais horizonte: o lugar da cidade com seus pequenos vestígios de vida. Esse trabalho é realizado em um “não-lugar”, mais precisamente nos cruzamentos de grandes avenidas das cidades, no ponto neutro desse espaço. A performer com seu regador nas mãos e sua tinta vermelha, risca o asfalto, abrindo memórias-lacunas no chão cinza, memórias vermelhas. Em seguida, se coloca em ação de regar, acessando as vias profundas de sua vida na relação com a cidade, evocando a imaginação, distorcendo e reinventando lembranças, fazendo-as vibrar na ação-imagem de regar diferentes porvires do real e do que já se foi. Na composição da performance, os fragmentos da memória evocados pela ação de regar engendram sentidos e se organizam para tornar o indizível aquilo que se quer dizer. A imagem se instala. E o diálogo com a cidade se estabelece
"Eu Me Rendo" - Ludmilla Ramalho (cia Afeta)
Concepção/performer: Ludmilla Ramalho
Realização: Cia Afeta
Duração: 30 minutos
Classificação: 18 anos
Uma mulher vestida de noiva se rendendo ao público e que atravessa uma trincheira de arame farpado deixando o vestido de noiva para trás.
Quando você se rende? O que você rende quando você se rende? Que energia te habita quando você levanta os braços, sem mais resistência e se entrega? A o que você se entrega? Renda-se. Rendição. Eu me rendo. Meu amor, eu me rendo. Eu rendo minha necessidade de ter razão. Eu me rendo ao meu desejo de ser aceita, compreendida, acolhida. Eu te acolho. Acolho a energia que foi. Acolho a resistência. Eu atravesso a resistência, torno-me a resistência e a dissolvo me rendendo. Eu me rendo a você meu amor. Amor não do ego. Amor amor. Aquele amor amor que nos expande. E que nos coloca em estado de infinito. A rendição pode ser doce. A minha ainda não. Preciso atravessar trincheiras, esfolar-me um pouco mais, raspar a pele para então formar outra. Toda rendição é atendida pela luta do ser (self?) que quer vencer e ter razão. Até que ele entende que é não resistindo que a água é mais resistente. E então se rende.
"Outras Vinganças" - Ana Luisa Santos e alunos da oficina ministrada na mostra
Gênero: Performance
Performers: Ana Luisa Santos e convidadxs
Duração: 30 minutos
Classificação indicativa: 18 anos
Sinopse: Procedimentos articulados entre performance e dramaturgia que tem a voz como material de ação e experiência de presença para a invenção de possíveis reparações no atual contexto ético-estético. Os experimentos foram desenvolvidos a partir de laboratório compartilhado de pesquisa.
sobre a performer: Ana Luisa Santos é performer e escritora. Mestre em Comunicação Social/UFMG e Pós-Graduada em Arte da Performance/FAV, atua também como curadora em artes da presença na realização de exposições e residências artísticas, núcleos de pesquisa e criação, atividades de formação e política. Desenvolve trabalhos para teatro e dança, com destaque para dramaturgia e figurino. É idealizadora do PERFURA \ ATELIÊ DE PERFORMANCE e codiretora da plataforma O QUE VOCÊ QUEER. Artista indicada ao Prêmio PIPA 2017.
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BIOGRAFIAS RESUMIDAS
Mesas-redondas
Mediador
Daniel Toledo
Daniel Toledo é ator, diretor e dramaturgo, além de pesquisador em arte contemporânea e mestre em Sociologia pela UFMG. Fundador do coletivo TAZ, integrante do coletivo Piolho Nababo e membro associado do JA.CA (Jardim Canadá Centro de Arte e Tecnologia), assina os textos teatrais "Clínica do Sono" e "Fábrica de Nuvens". Colaborou com Rita Clemente nos espetáculos "Delírio & Vertigem", "Doce Ismênia" e "Proibido Deitar", com Diego Bagaga, em "Bata-me!" e "Em Louvor à Vergonha", e com Eder Santos no longa-metragem "Deserto Azul".
1a SEMANA - AUTOBIOGRAFIA E PERFORMATIVIDADE
Janaina Leite
Mestra em Artes Cênicas pela Escola de Comunicação e Artes, Janaina é Bacharel em Letras (Francês/Português) e tem licenciatura em francês pela Faculdade de Educação pela Universidade de São Paulo. Cursou as escolas técnicas Teatro-Escola Macunaíma e a Escola de Arte Dramática (EAD/USP). É atriz, diretora e dramaturga e uma das fundadoras do premiado Grupo XIX de Teatro, companhia existente desde 2001 que participou dos principais festivais do país e de inúmeros no exterior em países tais quais França, Portugal, Cabo Verde, Inglaterra e Itália. Com o grupo, responde pelas criações de Hysteria (APCA, NASCENTE), Hygiene (Bravo, SHELL), Arrufos (SHELL, APCA), Marcha para Zenturo (em parceria com o Grupo Espanca de BH), Estrada do Sul (com direção do italiano Pietro Florídia) e Nada aconteceu, tudo acontece, tudo está acontecendo (do qual também é diretora). Como atriz, integrou a montagem de “Anjo Negro+A missão” dirigida pelo alemão Frank Castorf. Também ministra desde 2006 o núcleo de pesquisa “O ator dramaturgo”, outra vertente de trabalho do Grupo XIX que já foi contemplada pelo prêmio Myrian Muniz, pelo programa de residências artísticas da Oficina Cultural Oswald de Andrade, o patrocínio do programa Petrobrás Cultural e, agora, pela Lei de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo. Dirigiu o espetáculo "Pronto para mudar" contemplado pelo Proac 2010 que cumpriu temporada no CCSP. Atuou no espetáculo Petróleo de Alexandre Dal Farra que está na origem do coletivo Blá 3M. Concebeu o espetáculo "Festa de Separação: um documentário cênico", que cumpriu temporada de 8 meses em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador e Belo Horizonte, além de 23 cidades do interior de São Paulo dentro do projeto Viagem Teatral do SESI e do Circula SP, iniciando a pesquisa sobre Teatro Documentário. Dando continuidade a esta pesquisa, Janaina orientou o Núcleo “Possibilidades para uma cena documental” e diversas oficinas intensivas (Centro Cultural Barco, Fundação das Artes, Sesc Copacabana, Festival Porto Alegre em Cena, sede do grupo Espanca!-BH, Oficina Cultural Oswald de Andrade, Núcleo experimental do Sesi, entre outros). Foi contemplada com o Proac Pesquisa em Artes cênicas para o desenvolvimento do projeto teórico-prático “Conversas com meu pai: reflexão sobre o material bruto” e a escrita da monografia A autoescritura performativa: do diário à cena e com o Proac Criação Literária. O espetáculo estreou em abril de 2014 na Oficina Cultural Oswald de Andrade com dramaturgia de Alexandre Dal Farra. Criou o Núcleo de projetos em andamento, sob apoio da Lei de Fomento, onde orientou 17 projetos dos quais 13 integraram a Mostra “Memórias, arquivos e (auto)biografias” realizada na sede do Grupo XIX de Teatro. O núcleo já está em sua terceira edição. Foi curadora no edital de ocupação do Teatro da USP da edição de 2015. Atualmente, é atriz e dramaturgista do espetáculo “Teorema 21” com o grupo XIX de teatro criado com apoio da Lei de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo.
Beatriz França
Beatriz França é atriz e jornalista, graduada pela PUC-Minas em Comunicação Social (2003) e pela UFMG em Teatro (2008), com especialização em História da Cultura e da Arte pela UFMG. Atua profissionalmente desde 1999, com participações em 20 espetáculos e performances, alguns deles com direção de Júlio Maciel (Grupo Galpão), Dudude Herrmann, Marcos Vogel (Companhia Lúdica dos Atores), Grace Passô e Ernani Maletta (Grupo Voz e Cia). Foi indicada como melhor atriz pelo prêmio Usiminas Sinparc com o espetáculo “Do Tempo e da Paixão - fragmentos descontínuos de Frida Kahlo”. Apresentou-se como atriz em festivais internacionais na Colômbia - Festival Internacional de Manizales, com o espetáculo “Os Ancestrais”, em Portugal - Festival Internacional de Teatro do Alentejo e na Argentina - Ciclo de Mujeres de Brasil, com o espetáculo “Talvez eu me despeça”. Tem dedicado seu trabalho como artista, nos últimos anos, à pesquisa do teatro documentário, performativo e autobiográfico. Recentemente concebeu, atuou e escreveu a performance documental Plano de Parto, apresentada durante sua gravidez, no Espaço La Movida (Belo Horizonte).
Cida Falabella
Cida é atriz, diretora e professora de teatro. Formada em História e Mestre em Artes pela UFMG. Dirigiu importantes coletivos da cidade, pesquisa as relações teatro e realidade, de Brecht até a autobiografia em cena. Foi Coordenadora da ZAP 18, espaço cultural, escola e grupo de teatro na periferia da cidade por 14 anos. Atualmente é Vereadora eleita pelo PSOL-BH, com a pauta Cultura Pela Cidade
2a SEMANA - LINGUAGENS EM TRÂNSITO
Nando Motta
Ator, produtor, diretor e designer gráfico. Bacharel em Interpretação Teatral pela UFMG, já fez vários cursos de formação e reciclagem, como a Casa de Artes de Laranjeiras (RJ), Oficina de Reciclagem para Atores (Oficinão – Grupo Galpão), Oficina de Interpretação Para Cinema (Sérgio Pena), entre outros. Na Universidade, foi bolsista de Iniciação Científica do CNPq, além de ator em vários espetáculos, como Quando a Vida É Sonho, O Tango de Ísis, O Que Quiserdes, entre outros, orientado por vários professores (Ernani Maletta, Luiz Otávio Carvalho, Rita Gusmão, Antonio Hildebrando, dentre outros). Fora da Universidade, trabalhou com vários diretores, entre eles Juarez Guimarães Dias (Pierrot Lunar), Kalluh Araújo (cia K), Anderson Aníbal (cia Clara) e Chico Pelúcio (Grupo Galpão), em espetáculos como Acontecimento em Vila Feliz, 180 Dias de Inverno, Sexo, Cinema, Decameron, Olho Mágico e O Pequeno Polegar. Como diretor, trabalhou nos espetáculos Do Lado Direito do Hemisfério (SP) #140ouVão (MG), 180 Dias de Inverno (MG), Quando a Vida é Sonho (MG) e Rodolfo e a Crise (SP). Como produtor, trabalhou no FIT-BH 2008 como produtor de espetáculos em espaço alternativo, além de ser coordenador de projetos e diretor da cia Afeta (MG). Fez trabalhos de dublagem em São Paulo e Minas Gerais. Trabalhou como professor e produtor no projeto Poupança Jovem do Governo Federal, dando aulas de teatro para crianças e adolescentes carentes de Ribeirão das Neves. Já foi agraciado com o Prêmio Myriam Muniz da Funarte no ano de 2009, com o prêmio Cena Minas em 2014 e indicado ao prêmio de melhor ator coadjuvante no 9° Prêmio Sinparc/Usiminas(MG) me 2013.
Fernanda Lippi (Zikizira)
Fernanda Lippi é fundadora do ZikziraPhyscalTheatre, já tendo produzido trabalhos aclamados para o cinema, palco esite-specific. Em constante busca da inovação e de explorar o potencial do vocabulário de movimento, estabeleceu um estilo inimitável e emocionante. Fernanda já colaborou com cineastas e grupos de teatro. Seu primeiro longa-metragem, "As Cinzas de Deus", filmado no Brasil, foi selecionado para aclamados festivais de cinema em todo o mundo, recebendo definições elogiosas do Critic'sChoice in Time Out ("Stupendous") e do The Barbican ("Devastatinglybeautiful"). Em 2015, seu segundo longa-metragem, "Seawithout Shore", estreou no Glasgow Film Festival e foi selecionado por cinemas em todo o Reino Unido, dentre outros locais. Também em 2015, juntamente com Javier de Frutos e Paul Roberts, Fernanda foi convidada pelo BalletBoyz para cocoreografar 'Kama Sutra', uma produção para a Sky Arts. Em 2016, "We'sBled", de Marcus Waterloo, que ela coreografou e também atua, estreou no Frame Film, festival de Londres. Em 2017 estreia o espetáculo "Outro em Si", da cia Sesc de Dança de BH.
Foto: Fernanda Preto
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