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Agosto Lilás: Teatro Feluma recebe documentário cênico ‘Cartas da Prisão’ e exposição ‘À Meia Luz na Pele’ que abordam à violência contra a mulher
Confira a programação
A violência contra a mulher não escolhe classe social, idade ou raça. Ela ocorre em todas as esferas da sociedade e pode assumir diversas formas, como a violência física, psicológica, sexual, entre outras. Durante todo o mês de agosto, organizações governamentais e não-governamentais unem forças para promover o Agosto Lilás, mês de conscientização sobre a Lei Maria da Penha. A campanha também visa sensibilizar a sociedade e reforçar que todos têm um papel fundamental na construção de uma cultura de respeito e igualdade de gênero.
Neste mês especial, o Teatro Feluma recebe nos dias 18 e 19 agosto (sexta e sábado), às 19h, o espetáculo ‘Cartas da Prisão’ e a exposição ‘À Meia Luz Na Pele’, que vão enriquecer as programações da IIªSemana de Reflexão e Combate à Violência contra a Mulher e da Virada Cultural 2023.
Essas duas manifestações artísticas se unem para oferecer uma visão única e impactante sobre as diversas formas de agressão que impactam as vidas das mulheres. A ideia é conscientizar a população sobre a importância de denunciar e combater a violência, além de divulgar os mecanismos de apoio e ajuda disponíveis para as vítimas.
Dados sobre feminicídio no Brasil
Mais de 1,4 mil mulheres foram vítimas do crime, o maior número desde a Lei do Feminicídio (2015). Em média, uma mulher foi assassinada a cada 6 horas no País por ser mulher. Os números são do Monitor da Violência e do Núcleo de Estudos da Violência da USP (NEV-USP), divulgados em 8/03/2023.
Cartas da Prisão
Depois de ser concebido em uma versão online durante a pandemia, o espetáculo ‘Cartas da Prisão’, com texto de Nanna de Castro, teve sua estreia presencial no dia 5 de agosto no Sesc Santo André. O solo, dirigido por Bruno Kottÿ estrelado por Chica Portugal, é uma espécie de documentário cênico que mistura ficção com relatos reais de mulheres que sofreram diferentes formas de abuso de seus companheiros. O espetáculo estreou em agosto de 2022 no Sesc Santo André numa temporada de sucesso, e realizou o circuito das Fábricas de Cultura em março de 2023.
Em cena, Chica Portugal dá vida a uma atriz-performer chamada Rita, que realiza um espetáculo a partir de suas pesquisas sobre relacionamentos abusivos. O fio condutor da peça da personagem são cartas que foram encontradas debaixo do colchão de um presidiário em uma penitenciária de São Paulo. Trata-se da correspondência amorosa entre uma mulher que assina como “M” e um psicopata conhecido como “o maníaco da flor”, condenado por matar esquartejar mais de 40 mulheres.
A partir das cartas, Rita revela o relacionamento abusivo que viu a própria mãe viver com seu pai, o que fez a protagonista sair de casa muito jovem. O público acompanha a evolução do relacionamento entre “M” e o “maníaco da flor” e o desgaste da relação entre Rita e sua mãe – incapaz de deixar o relacionamento abusivo. E as histórias destas mulheres vão se tornando cada vez mais parecidas.
Rita também traz para a cena depoimentos reais de outras mulheres que viveram experiências amorosas com abusadores, além de materiais diversos de pesquisa sobre o tema. Na colcha de retalhos que vai se formando entre todas as histórias, ela questiona a si mesma e o público sobre nossas possíveis e inimagináveis relações com o abuso como indivíduos e como sociedade.
“Usamos a pesquisadora [Rita] como metalinguagem para que a atriz [Chica Portugal] se relacione diretamente com o público, quebrando, assim, a quarta parede, num misto de contação de história e palestra ficcional. Ao contrário da versão em vídeo, teremos a caixa preta, símbolo referencial do teatro, como um potente meio para que o espectador cocrie junto da obra, imaginando desde a ambientação dos espaços até as situações emocionais descritas nas cartas das três personagens interpretadas pela protagonista”, revela o diretor Bruno Kottÿ sobre a encenação.
A respeito de uma de suas motivações para montar o solo, a atriz Chica Portugal, que também é idealizadora da montagem, menciona: “Incrivelmente não há uma mulher que eu converse sobre o assunto que não tenha passado por algum tipo de relacionamento abusivo. A maioria deles é velado, sutil – acabam sendo os mais difíceis de se notar, porque há uma tendência de normalização desse abuso quando não há agressão física. A maioria das mulheres deixa passar”.
Já a dramaturgia de Nanna de Castro rompe propositalmente o limite entre realidade e ficção ao transitar entre depoimentos verdadeiros e fictícios, entre o noticiário e o poético. Obras como “Mulheres que Amam Demais”, de Robin Norwood, e “Loucas de Amor”, de Gilmar Mendes, são referências importantes.
“Dentre as facetas das relações abusivas, sempre me intrigou as mulheres que se correspondem com criminosos sexuais confessos na prisão. É comum que assassinos recebam centenas de cartas de amor de mulheres que os conhecem apenas pelo noticiário. É como se o abuso fosse não apenas aceito, perdoado, mas acolhido. Não quero e não posso julgar estas mulheres, apenas convidar o público a partir desta situação extrema e refletir sobre nossa convivência com a violência e o desrespeito não apenas no nível pessoal, mas social”, acrescenta a dramaturga.
FICHA TÉCNICA
Pesquisa e Atuação: Chica Portugal
Texto: Nanna de Castro
Direção: Bruno Kottÿ
Cenário e Figurino: Kleber Montanheiro
Iluminação: Marisa Bentivegna
Desenho de Som: Juliana R.
Caracterização: Beto França
Preparação Corporal: Bruna Magnes
Preparação Vocal: Marilene Grama
Assistente de Figurino e Cenário: Marcos Valadão
Cenotécnico: Evas Carretero
Operação de som: Leandro Goulart
Operação de luz: Giovanna Clara
Música: Cálice Intérprete: Paula Mirhan, Composição de Chico Buarque e Gilberto Gil
‘À Meia Luz Na Pele’
‘À Meia Luz Na Pele’ é uma exposição que aborda a violência contra a mulher com ênfase em relacionamentos abusivos. O projeto é fruto de uma pesquisa iniciada em 2018 pela atriz e produtora Chica Portugal. O conteúdo fotográfico foi desenvolvido em parceria com o fotógrafo Milton Galvani, e revela por meio de projeções frases informativas e de conscientização estampadas na pele de mulheres, acerca dos tipos de violência que se tornaram comuns na sociedade - física, moral, psicológica, sexual ou patrimonial - e que geram traumas às vítimas.
Os ensaios fotográficos aconteceram entre 2019 e 2021, com atrizes que configuram as mensagens transmitidas nas imagens de modo artístico. O fundo escuro, os olhares, as luzes e os gestos apresentados em cada foto foram pensados para sensibilizar o público não apenas sobre os tipos relacionamentos abusivos, mas também sobre o agravamento dos casos de feminicídio, das diferenças de gênero e do crescimento da violência doméstica, temas tão recorrentes no Brasil e que foram evidenciados após o isolamento social em decorrência da pandemia do novo Coronavírus.
A exposição ‘À Meia Luz na Pele’ em 2021 foi exibida em dois pontos movimentados da capital paulista - (Metrô Santa Cecília e Shopping Metrô Tatuapé), com layouts diferentes, personalizado para cada espaço - a exposição tem como objetivo enfatizar a importância da pauta para as milhares de pessoas que passam diariamente pelos locais.
Além das fotografias, o público tem acesso a QR Codes com vídeos e áudios com depoimentos reais de mulheres que viveram experiências de abuso e crônicas sobre a temática.
“Por meio da arte, acredito ser possível construir propostas e projetos que tragam sensibilização, reflexão e principalmente denúncia, com o objetivo de quebrar este ciclo de abuso e violência que ainda são tão estruturais e muitas vezes normalizado", explica Chica Portugal.
FICHA TÉCNICA:
Título: À Meia Luz Na Pele
Idealização e Curadoria: Chica Portugal
Fotógrafo, Design Gráfico e Efeitos: Milton Galvani
Atrizes do Coletivo: Bruna Brito, Bruna Magnes, Chica Portugal, Ellen Bueno e Gisele Vechin
Atrizes convidadas: Beta Cinalli; Bruna Nogueira; Carla Gmursckzy; CatiaMassotti; Daniella Faria; Isabela Dentini; Lucia Macedo; Luciana Mizutani; Mariana Luizetti; Marilia Andreani; Rita Oliveira; Sara Lopes; Viviane Munuera; Ileuza Azevedo e Júlia de Carvalho
Produção, Edição e Consultoria de Vídeos: Theo Grahl
Pesquisa e Textos Curatoriais: Chica Portugal
Textos das Crônicas: Nanna de Castro
Transcrição de Depoimentos e casting de voz: Gisele Vechin
Ilustrações: Aline Rodrigues
Produtora Executiva: Ellen Bueno
Produção e Coordenação Geral: Chica Portugal
Assessoria de Imprensa e Redes Sociais: Tangerina Conteúdo
Realização: Coletivo À Meia Luz, Lei Aldir Blanc através da Secretaria Municipal de Cultura da Cidade de São Paulo; Ministério do Turismo e Secretaria Especial da Cultura
Sobre o Coletivo ‘À Meia Luz’
O Coletivo ‘À Meia Luz’ nasceu a partir de uma pesquisa da atriz e produtora Chica Portugal sobre relacionamentos abusivos, iniciada em 2018. Durante esse trabalho, Chica colheu depoimentos de mais de 100 mulheres vítimas de violência de várias partes do Brasil e fora do país. “Incrivelmente não há uma mulher que eu converse sobre o assunto que não tenha passado por algum tipo de relacionamento abusivo. A maioria deles velado, sutil - que acabam sendo os mais difíceis de serem notados, porque há uma tendência de normalização quando não existe agressão física. Nestes casos, a maioria das mulheres deixam passar”, ressalta Chica.
Ainda em 2018 foi criado o perfil do ‘Projeto À Meia Luz’ no Instagram e no Facebook, com conteúdo de pesquisas, matérias e artigos que oferecem informações e conscientização por meio da cultura digital. Em 2019 foi esboçado o projeto “À Meia Luz Na Pele”, com os primeiros experimentos com linguagem fotográfica, em parceria com o fotógrafo Milton Galvani. “Fazer parte da criação de imagens que simbolizam a conscientização e ao mesmo tempo falam em palavras, dados e mecanismos de defesa traduz alguns aspectos da realidade que estão completamente mudas em nossa sociedade", destaca o fotógrafo.
IIª Semana de Reflexão e Combate à Violência Contra a Mulher
A Faculdade Ciências Médicas e o Teatro Feluma promovem a IIª Semana de Reflexão e Combate à Violência Contra a Mulher. Marcado para os dias 18 e 19 de agosto, o evento vai reunir representantes de diversas esferas para discutir e avançar no combate à violência de gênero.
Este encontro tem como objetivo criar um espaço seguro e inclusivo para a discussão aberta sobre as várias formas de violência que as mulheres enfrentam e como a sociedade pode trabalhar unida para combatê-las.
Virada Cultural
A Virada Cultural de Belo Horizonte 2023 convida o público a vivenciar o Hipercentro de Belo Horizonte em uma imersão de 24 horas de programação diversa. O evento já está consolidado na agenda da cidade e valoriza a produção artística local. Além disso, ele fortalece a economia criativa e contribui na difusão e democratização do acesso à cultura na região, pilares da política pública desenvolvida pela Prefeitura de Belo Horizonte.
A Virada Cultural é um dos mais importantes festivais do município. Sua programação gratuita contempla diversas linguagens artísticas, tais como artes cênicas, visuais e plásticas, cultura popular, literatura, moda, design e música, entre outras. Já foram realizadas sete edições, que somam a participação, aproximadamente, de 20 mil artistas e profissionais da cultura e mais de 3.000 atrações, alcançando um público de mais de 2,5 milhões de pessoas.
Teatro Feluma
O Teatro Feluma é uma iniciativa da Fundação Educacional Lucas Machado, mantenedora da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG), e tem por objetivo ampliar oportunidades para que artistas e produtores viabilizem projetos culturais, além de promover a integração das artes ao ensino acadêmico.
Localizado no 7º andar do prédio da FCM-MG (Alameda Ezequiel Dias, 275, Centro, BH), o espaço abriga o Teatro Feluma - Prof. Dr. Geraldo Magela Gomes da Cruz, com plateia de 396 lugares e preparado para receber espetáculos teatrais, musicais e de dança.
Dentro do propósito de incentivar e favorecer a prática científica e o aprendizado, o novo espaço também terá em sua programação seminários, congressos e outras atividades acadêmicas, integrando arte, ciência e educação. Com forte vocação para propiciar ensino e formação multidisciplinar, a FCM-MG acredita que esta iniciativa amplia o aprendizado ao associar cultura e educação.
Serviço: ‘Cartas da Prisão’ e ‘À Meia Luz Na Pele’
Datas: 18 e 19 de agosto, às 19h
Local: Teatro Feluma
Endereço: Alameda Ezequiel Dias, 275 - 7º Andar - Centro, Belo Horizonte - MG
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: minutos
Ingressos: Gratuitos
Link para retirar os ingressos:
Semana de Reflexão e Combate à Violência contra a Mulher - https://bileto.sympla.com.br/event/85696/d/210662/s/1422999
Virada Cultural - https://bileto.sympla.com.br/event/85697/d/210663/s/1423000
Foto: Rafael Salvador
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