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Na abertura da 2ª Temporada, Polaroid leva improvisação musical e vídeo arte para a Galeria Mama / Cadela

Experimentalismo, improvisação, música instantânea. Essas podem ser algumas das definições para o som caótico e visceral que a Polaroid leva ao público em suas apresentações. Sem nenhum ensaio prévio, os músicos, convidados pelo guitarrista e idealizador do projeto Marcus Vinicius Borges, criam atmosferas sonoras do zero e o resultado são shows únicos, em que o ambiente e a interação com o público, e entre os artistas, ditam as harmonias que reverberam dos instrumentos. Neste sábado (17), às 19h, a Polaroid dá início à sua 2ª Temporada e leva para a galeria de arte Mama/Cadela o evento Surreal Naturalismo, que busca discutir, por meio da arte, o aprofundamento do abismo aberto no país com a eleição de um governo autoritário e fascista, que erode diariamente as bases civilizatórias, invertendo completamente o signo do real.

Além de convidar diferentes instrumentistas, este ano o projeto estabelece parcerias com artistas de outros segmentos para ampliar a fruição estética e trazer novos elementos para discutir e se contrapor à barbárie instalada no tecido social. Nesta primeira apresentação, o artista Froiid exibirá, enquanto a banda toca, um vídeo com a temática Brasil, produzido exclusivamente para o evento. A noite ainda vai contar com a discotecagem do músico e agitador cultural DJ Javaral.

De acordo com Marcus Vinicius Borges, o projeto nasceu da necessidade de criar harmonias sem amarras, junto ao público, de forma espontânea e sem ensaios. “A interação entre a banda, a recepção pelo público e o local onde ocorre a apresentação influenciam o modo como a dinâmica musical se desenvolve, tornando ainda mais rico o processo de concepção sonora. A livre expressão passa pelos contornos da percepção do outro e do espaço, o que faz com que cada performance seja única do ponto de vista da criação, em constante movimento, e da apreciação”, explica o músico.

A escalação da Polaroid terá Daniel Saavedra (synth – projeto solo/ Vinikov & Os Fatos Alternativos/ Bad Humans Noise); Bruna Vilela (guitarra Miêta/ Antenna); Vinicius França (baixo – Herói do Mal/ Cadelas Magnéticas/ Desejo Terrível); Luiz Ramos (bateria – Miêta/ Fodastic Brenfers/ Zonbizarro); e Marcus Vinicius Borges (guitarra – projeto solo / Antenna).

2ª Temporada - Surreal Naturalismo

A Polaroid chega ao segundo ano de apresentações com a proposta de expandir sua linguagem por meio da intersecção da música com outras artes. Além das tradicionais improvisações, o projeto vai agregar às performances o trabalho de artistas visuais, de poetas e de profissionais das artes cênicas e da dança com o objetivo de discutir os rumos do Brasil por meio da arte. A ideia é criar pontos de inflexão para ampliar o debate sobre democracia, autoritarismo, fascismo, direitos humanos e sustentabilidade ambiental.

O mote para a temporada é a ruptura civilizatória aberta pelo projeto de poder do bolsonarismo e a naturalização do discurso da barbárie pelo ocupante da cadeira presidencial e seu entorno. A inversão do real, e a transformação da realidade em simulacro do próprio simulacro, dissolvem as bases de apreensão da vida cotidiana, transformando o mundo sentido em algo mais próximo do onírico do que da tangibilidade do racional. Para dar conta desse lugar, ou desse não lugar, o projeto quer se ocupar do Espírito do Tempo como forma de tentar compreender a dinâmica da vida social no momento em que se vive uma espécie de naturalismo exacerbado (discurso e ações), que desemboca em um surrealismo manco, de tonalidades macabras, que crê que a tortura, a dissolução das diferenças e o extermínio das minorias é o caminho para a paz, para a redenção salvadora.

A Polaroid fará cinco apresentações este ano, três delas em parceria com a Galeria de Arte Mama Cadela, que também sedia as performances do projeto em 28 de setembro e 26 de outubro. As datas de novembro e dezembro ainda estão em processo de negociação com outros espaços.

Froiid

O artista trabalha individual e coletivamente em diversos grupos relacionando arte e cidade, trançando temas como pirataria, território, cidade/urbano e gamificação/ joguificação. Membro fundador e idealizador de grupos, propostas e inciativas como Piolho Nababo, MAPA:/ e Cooperinte.

Mama/Cadela

O Mama/Cadela, espaço cultural que ocupa uma casa na Zona Leste de Belo Horizonte, é referência para artistas contemporâneos locais, abrigando a criação e difusão de trabalhos experimentais e independentes, principalmente de jovens artistas visuais, artistas urbanos, performers, entre outros.

Foto: Valéria Pezzini

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