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Cantor lírico Yuri Guerra é único brasileiro a se apresentar no Festival della Valle d’Itria, e ganha elogios da crítica italiana

A 48ª edição iniciou em 19 de julho com programação até 6 de agosto, sendo um evento de destaque para os amantes do gênero musical no verão da Europa

O cantor lírico brasileiro Yuri Guerra tem sido figura cativa na programação da 48ª edição do Festival della Valle d’Itria, um dos maiores festivais de música clássica do sul da Itália. O festival acontece desde 1975, na charmosa comuna italiana Martina Franca, da região da Puglia, província de Taranto. A 48ª edição iniciou em 19 de julho com programação até 6 de agosto, sendo um evento de destaque para os amantes do gênero musical no verão da Europa. Yuri Guerra foi solista em um dos concertos da programação e integra o elenco de duas das cinco óperas apresentadas no festival.

A crítica cultural italiana tem destacado o brasileiro como um artista promissor no cenário da música clássica. De acordo com resenha crítica do site especializado Le Salon Musical, “Guerra tem presença cênica e voz de igual importância: também em seu caso o futuro é florido e para ser seguido com atenção”. O site especializado destacou a atuação do artista na “Ópera Italiana”, que teve sua estreia mundial no festival.

Yuri Guerra explica como foi participar do festival sendo o único artista brasileiro presente na programação. “Para mim foi um prazer e uma honra ter sido chamado para participar deste festival. É sem dúvidas um mês intensivo de muito trabalho, dedicação e muita música mas que nós fazemos com muito amor”, destaca o brasileiro.

Apresentações

A sua primeira apresentação foi na ópera a “Le joueur” (1929), de Sergej Prokofiev, que abriu a programação do Festival della Valle d’Itria. A obra é executada em francês, e o artista brasileiro interpreta o personagem Le Vieux Joueur. A peça é baseada no romance “O Jogador”, de Fiódor Dostoiévski, trazendo a história de um jovem culto e talentoso que se perde em sua doentia paixão e vício em jogos de azar. A ópera é realizada pela Orquestra e o Coral do Teatro Petruzelli de Bari, sob regência de Jan Latham-Koenig, e direção cênico de Sir David Putney. A atração foi destaque com apresentações nos dias 19, 24 e 30 de julho e também será a atração de encerramento, com última apresentação no dia 06 de agosto, no Palazzo Ducale.

Além da apresentação, Yuri Guerra foi convidado para substituir o baixo profundo italiano, Andrea Mastroni, nome de destaque no cenário lírico italiano e internacional, em duas apresentações do festival. “Substituir um colega é sempre uma grande responsabilidade, pois queremos dar sempre o nosso melhor, ainda mais quando este alguém é um profissional de fama internacional que admiro como Andrea Mastroni”, afirma.

A atração “Ópera Italiana”, obra inédita que teve sua estreia mundial na quarta-feira, dia 3 de agosto, às 21h, no Palazzo Ducale, com reapresentação no sábado dia 5 de agosto. Yuri interpreta o personagem Balconi, o zelador de um grande prédio objeto de especulação imobiliária, onde moram os protagonistas Mário e Opera, que vivem um amor que atravessa anos. Composta por Nicola Campogrande, entre 2008 e 2010, foi encomendada pelo “Comitato Italia 150” com o objetivo de dar vida a um melodrama ambientado nos últimos cinquenta anos da história nacional.

A narrativa da “Ópera Italiana” retrata três momentos fundamentais da história recente do país. A apresentação é dividida em três atos, com duração total de cerca de 90 minutos, com texto de Elio e Piero Bodrato. O primeiro ato, se passa nos anos 1960 e inícios de 1970, trazendo aspectos culturais proeminentes da época como as promessas de bem-estar, a especulação imobiliária, ao embate geracional e revolucionário, a chegada das drogas no país e os conhecidos “anos de chumbo”, período de turbulência sócio-política no país. O segundo ato se passa nos anos 1980, com fortes referências à explosão da TV comercial, à cultura do efêmero, do hedonismo desenfreado. O terceiro ato é realizado no presente das finanças virtuais, do minimalismo, das novas formas de espiritualidade, do individualismo, dos grandes medos e das grandes promessas de futuro.

Yuri Guerra também foi solista no “Concerto per lo Spirito”, realizado no dia 28 de julho, na Basílica de San Martino, acompanhado da Orchestra Barocca Modo Antiquo.

Sobre Yuri Guerra

Radicado em Bolonha, Itália, Yuri Guerra é Maestro de Canto pelo tradicional Conservatório Giovanni Battista Martini, mais antiga universidade de música do país, e desenvolve um trabalho de pesquisa e re-internacionalização de Villa-Lobos na Europa.

O mineiro descobriu muito cedo seu talento e vocação para a música, sendo que aos oito anos ingressou no coral da Fundação Torino Escola Internacional, tornando-se o primeiro solista. Tendo desde sempre o objetivo de se aperfeiçoar enquanto cantor, estudou na adolescência pela na St. George's School, em Vancouver (Canadá) e na renomada Vancouver Academy of Music.

Hoje vive na Itália, um dos berços da ópera, onde atua como cantor lírico. O artista é vencedor do primeiro prêmio do concurso de “Canto Internacional Barroco Caffarelli”, apresentado pelo contralto italiano Sonia Prina, já se apresentou na ópera Napoli Milionaria, como Peppe O’Cricco, nos teatros Verdi di Pisa, Gilgio de Luca, Goldoni de Livorno, com direção de Fábio Sparvoli e regência de Jonathan Brandani, além de ter tido a oportunidade de trabalhar com Hugo de Ana, Michele Pertusi, Alessandro Corbelli, Daniele Rustioni, e ter realizado duas estreias mundiais em tempos modernos da opereta "L’Amour Malade de Lully/Marazzoli" e da ópera "Amare e Fingere", de Alessandro Stradella com regência de Andrea de Carlo. No Brasil, lançou o projeto de re-internacionalização da vida e obra de Heitor Villa-Lobos, com o concerto “Um espetáculo para Villa-Lobos”. O espetáculo contou com apresentações em Belo Horizonte, Betim e Rio de Janeiro (CCBB RJ), e também dentro do festival Música, no Museo e Casa Verdi, em Milão, junto ao Consulado Geral do Brasil. O artista também desenvolveu o projeto “Na corda da Vitrola”, que resgata cantores da Era de Ouro da Rádio, como Dalva de Oliveira, Luiz Bonfá, Nelson Gonçalves e Vicente Celestino.

Foto: ClarissaLapollaph

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