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Sem viagem errada, grupo mineiro Psicotrópicos lança primeiro disco no dia 24 de agosto, n’A Autêntica
“Onda Trópica” passeia por ritmos brasileiros e latinos, celebrando nova fase da banda, formada em 2011; show terá várias participações
“A música pode ser como uma substância psicoativa, que te transporta para diferentes lugares. Consegue alterar seu estado emocional, te deixando mais leve, agitado, eufórico ou introspectivo”, reflete Danilo Marques, guitarrista e vocalista do Psicotrópicos. Formada em 2011, a banda mineira lança no dia 24 de agosto (sábado), a partir das 22h, n’A Autêntica, seu primeiro disco cheio, intitulado “Onda Trópica”. O show, que tem direção artística de Rodolfo Goulart, terá participações de diversos músicos de Belo Horizonte, como o trompetista Juventino Dias, o trombonista João Paulo Buchecha e o cavaquinista Chassi. Os ingressos custam a partir de R$ 20.
Na apresentação, a banda vai executar as nove faixas autorais do álbum, cuja produção musical é de Rafael Dutra (Estúdio Motor) e masterização de Ygor Rajão, que também compôs e gravou arranjos de sopros. “Entram ainda algumas releituras e surpresas”, conta Alôncio (voz e violão). Na gravação de “Onda Trópica”, participaram músicos que também estarão no palco d’A Autêntica, como o tecladista Hugo Bizzotto, o flautista Felipe de Freitas, o vocalista Jonas Amaral e as cantoras Andrine, Carla Freire, Laís Mota e Marina Teixeira.O álbum ainda contou com a direção musical de Di Souza, conhecido por seu trabalho solo e sua atuação como regente do Então Brilha!, um dos mais importantes blocos do Carnaval de rua de BH.
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Realizado por meio de uma exitosa campanha de financiamento coletivo, o disco abre com a faixa-título, um carimbó sinestésico que faz alusão a algo que possa chegar assim, de supetão, consumindo o corpo por inteiro – como um poderoso alucinógeno, uma potente experiência musical ou uma paixão avassaladora. “Que se sinta na boca, passe pelo umbigo, faça perder o sentido”. A mesma brincadeira de sentidos múltiplos volta a aparecer em “Psicotrópicos”. “Eu preciso de psicotrópicos para aliviar a lida do dia-a-dia. Eu preciso de aliviar, para aguentar a batida dessa cidade”, brada a letra a letra da canção, que questiona o ritmo frenético da vida urbana, misturando rock setentista e soul.
Já “Princesinha” questiona se a Abolição da Escravatura de fato libertou o povo negro do racismo e da segregação. Amparada por ritmos como samba e reggae, ela mesma responde: “Só que não!”. E se no bolero “Querida Flor” o Psicotrópicos homenageia a erva mais amada do mundo, no tango “De Las Nieves” tece uma crítica metafórica ao famoso episódio de um helicóptero apreendido com quase meia tonelada de cocaína na fazenda de um conhecido político mineiro. “E o garçom, tão novinho, de avião virou a bola da vez”, afirma, em referência ao piloto. A mineiridade também aparece de maneira lúdica, como na faixa “O Alho”, saborosa fusão de rock rural e afrobeat, que brinca com a expressão “uai” e o tempero mais amado das Alterosas.
Sustentada pela levada do maracatu, com riffs rasgantes de guitarra, “Na Fogueira” relembra o histórico “Na Tora”, evento festivo que acontecia anarquicamente no campus da Universidade Federal de Minas Gerais, onde o Psicotrópicos se formou. O peso da música contrasta com a calmaria de outras faixas como a bucólica “Sazonal” e a cadenciada “Urublues”, um blues que critica de forma irônica as desapropriações que ocorreram a toque de caixa em 2014, em virtude da Copa do Mundo no Brasil.
Sobre o Psicotrópicos
Danilo Marques, que também é integrante da banda Zé Trindade, conta que “Onda Trópica” compila composições criadas pelo Psicotrópicos desde sua despretensiosa formação nos gramados da UFMG. “Nos conhecemos no campus, a maioria da galera era da Geografia. Começamos a tocar juntos, já com um direcionamento para o rock brasileiro setentista. Os ensaios viraram um ‘rolê’ dos amigos e chegamos a ter nove integrantes. Mas, à medida que fomos marcando shows, a formação foi se afunilando”, conta o músico, citando referências com Gilberto Gil, Gal Costa, Sá e Guarabyra, Mutantes e Raul Seixas. “Também tínhamos uma pegada de aplicar som no público. Tocávamos Téo Azevedo, Jards Macalé, Arnaud Rodrigues e Angela Ro Ro. Com arranjos sempre calientes e lisérgicos, misturando rimos latinos e brasileiros. A psicodelia por entre os trópicos”, completa Allôncio (violão e voz).
Atualmente, o grupo conta com seis integrantes, todos remanescentes da primeira formação. Além de Danilo e Allôncio, integram o Psicotrópicos Linda de Oliveira (voz), Milton Carvalho (percussão e voz), Diego da Mata (baixo e voz) e Pablo Maia (bateria). “À medida que foram pintando shows mais importantes, em festivais, ficamos cada vez mais motivados a compor. Eu já tinha algumas músicas e o Danilo também, principalmente parcerias com o poeta Oliver Lucas, grande amigo nosso. A gente ia testando as músicas nos shows e o público respondia bem, o que nos dava mais gás para continuar”, conta Allôncio. Desde 2013, então, o Psicotrópicos já acumulava algumas boas canções autorais, que precisavam ser lapidadas para um posterior registro.
“Foi aí que chamamos o Di Souza, que deu uma arredondada nos arranjos antes de entrarmos no estúdio”, conta Danilo, ressaltando que o regente do Então Brilha! passou a assumir, depois, um papel de direção musical no álbum, gravado durante o ano de 2017 e finalizado em 2018. “Como produtor do disco, o Rafael Dutra foi responsável pelos ajustes finos nos arranjos, nos timbres, nas dobras. Como queríamos colocar sopros, convidamos o Ygor Rajão para compor os arranjos. Ele gravou trompete e bombardino, além de ter feito a masterização”, finaliza o músico.
“Onda Trópica” contou ainda com a participação de Jonas Amaral (voz em "Querida Flor"); Andrine, Carla Freire, Laís Mota e Marina Teixeira (coro nas músicas “Princesinha”, “Sazonal” e “Fogueira”); Hugo Bizzotto (teclado e Moog em “Urublues” e “De las Nieves”); Rogério Delayon (banjo em “O Alho”) e Felipe de Freitas (flauta em “Sazonal”). O projeto gráfico do disco é assinado pelo designer Davi Fuzari.
Foto: Divulgação
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