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Semreceita apresenta álbum de estreia no Savassi Festival

"Pensar, cuidar, pôr um penso. E sem receita". Batizado pelo nome do livro de José Miguel Wisnik, o Semreceita aposta na potência instrumental e na espontaneidade da performance ao vivo, passeando por ambientes sonoros que vão do jazz ao carimbó, do blues ao samba, do rock ao baião, entre outras linguagens e influências. Essa é a toada do primeiro disco da banda instrumental mineira, que será apresentado no Savassi Festival, no próximo sábado (19/8), no CCBB-BH.

Formado por músicos tarimbados da cena musical independente de Belo Horizonte, o grupo lança seu primeiro disco de inéditas depois de levar o título de melhor arranjo no concurso BDMG Instrumental deste ano, com a versão inspirada de “O Bêbado e a Equilibrista” (Aldir Blanc e João Bosco). “São nove faixas e uma vinheta. Tem baião, boi, maracatu, serra abaixo, samba, choro, rock, jazz contemporâneo, carimbó, guitarrada, frevo e uma mistura de tudo isso com outros elemento”, conta o baterista Fernando “Feijão” Monteiro. “Cada música tem uma história específica, mas geralmente trabalhamos com a forma escrita, então a parte composicional é feita em casa e nos ensaios juntamos para tocar e lapidar os arranjos”, explica.

Além da versão de “Meia Lua Inteira” (música de Carlinhos Brown, conhecida na voz de Caetano Veloso), o disco homônimo traz composições de Harrison Santos (sax tenor), PC Guimarães (guitarra), Rodrigo “Boi” Magalhães (baixo) e Rodrigo “Picolé” Heringer (co-fundador e ex-vibrafonista da banda), além de uma parceria de PC com o saxofonista Vinícius Mendes e de uma criação conjunta de Harrison, PC, Picolé, Boi e Feijão.

“Existe um mito de que a música instrumental é ‘sofisticada’, ‘para poucos’, ‘para entendidos’. Temos a intenção de quebrar esse caráter elitista. A realidade das culturas afro-brasileiras e afro-americanas que nos influenciam é popular”, defende o baterista. “Ao vivo, acreditamos que a música instrumental pode ser ainda mais cativante, pela surpresa da espontaneidade e pela mágica musical que é capaz de nos levar para um âmbito imaginário e reflexivo, acessível a todos”, completa.

Gravado no Fazenda das Macieiras, estúdio de Alexandre Andrés em Entre Rios de Minas, o disco tem produção de Antonio Loureiro – dois importantes nomes da cena instrumental mineira. “Ficamos imersos no processo durante seis dias, gravando ao vivo. A experiência de amizade e entrega à música foi inesquecível. Depois da gravação, o Antonio encaminhou o som para o Bruno Corrêa, que mixou lindamente o disco, masterizado pelo Kiko Klauss. A parte gráfica ficou por conta do Tiago Eiras, que flerta com a ideia lúdica e subjetiva que temos do som”, sublinha Feijão.

O álbum será apresentado pela primeira vez no show que integra o Savassi Festival, um dos eventos de música instrumental mais notáveis do Brasil. “O festival é bastante importante para nós, desde a primeira experiência no ‘Palco UFMG’, em 2012, e depois no ‘Novos Talentos do Jazz’, em 2014”, diz o baterista. “A ideia é apresentar as músicas do disco da forma que uma performance ao vivo pede, com atenção, energia e entusiasmo. Vamos contar com a participação do Antonio Loureiro e vamos tocar também uma música dele. E, claro, não podemos deixar de fora o arranjo de ‘O Bêbado e a Equilibrista’”, revela.

Sobre o Semreceita

O Semreceita surgiu na Escola de Música da UFMG, em 2012, quando os colegas Fernando Monteiro e Rodrigo Heringer, que se apresentavam juntos em uma disciplina, decidiram montar um grupo. Convidaram Harrison Santos para o sax tenor e Expedito Andrade para guitarra. Depois da experiência, decidiram continuar a jornada e assumiram o Semreceita, inspirados por Wisknik. Em 2014, PC Guimarães entrou no lugar de Expedito e, em 2016, Natália Mitre assumiu o vibrafone, com a saída de Picolé.

Além do prêmio de melhor arranjo pelo “BDMG Instumental” em 2017, o Semreceita ganhou o concurso “Novos Talentos do Jazz”, em 2014, e foi um dos selecionados para Palco UFMG de 2012, ambos dentro da programação do Savassi Festival. A banda, que já tocou com o saxofonista Mário Sève, também integrou a programação da Virada Cultural de 2015 e de diversos projetos da Escola de Música da UFMG, como “Prata da Casa”, “Quarta Cultural” e “VivaMúsica”.

Formação

Natália Mitre – vibrafone
PC Guimarães – guitarra
Fernando “Feijão” Monteiro – bateria
Rodrigo “Boi” Magalhães – baixo
Harrison Santos – sax tenor

Foto: Tiago Nunes

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